quarta-feira, 20 de junho de 2012

Euro2012: Portugal vs Rep. Checa - Antevisão Estatística

Ponto Prévio
Esta antevisão é simples e naturalmente que lhe podem ser apresentadas muitas falhas, principalmente porque os dados estatísticos baseiam-se somente nos 3 jogos disputados na fase de grupos desta competição. A ideia é abordar as situações ataque-vs-defesa de ambas as equipas.

Portugal
Alinhando em 4-3-3, com o 11 habitual: Patrício (12), Pereira (21), Pepe (3), Alves (2), Coentrão (5), Veloso (4), Moutinho (8), Meireles (16), Nani (17), Ronaldo (7) e Postiga (23). Não sendo conhecida nenhuma lesão, as únicas possíveis alterações serão a saída de Meireles e Postiga. Ainda assim, é pouco provável que aconteçam.

República Checa
Deve manter o 4-2-3-1 com: Cech (1), Selassie (2), Sivok (6), Kadlec (3), Limbersky (8), Hubschman (17), Plasil (13), Jiracek (19), Kolar (10, é o número de Rosicky mas os valores estão corretos para Kolar), Pilar (14) e Baros (15). Rosicky seria o titular no lugar de Kolar, mas não deve estar em condições físicas para o fazer (o próprio treinador da Rep. Checa disse que as probabilidades de Rosicky jogar são muito baixas).

Defesa e Ataque
Os dados que contei para a defesa foram: desarmes, intercepções de bola e remates bloqueados.
Para o ataque, os dados considerados foram: remates, passes perigosos e dribles.
Todos os valores são a média por jogo e o valor total de cada parâmetro (defesa e ataque) é dado pela soma dos valores de cada jogador. Os guarda-redes foram excluídos da análise e os dados dos centrais foram somados para obter um só valor.
Certamente que há muito mais dados que interessem e muita coisa que os dados não dizem, mas como veremos a seguir, não fogem muito ao entendimento geral de como funcionam ambas as equipas.

República Checa - Ataque vs Portugal - Defesa
Portugal à defesa: Nani e a dupla Pepe-Alves sobressaem, Moutinho com liberdade
Nota:  Raios representam proporção dos valores

Como podemos ver, Pepe e Bruno Alves têm funcionado bem como dupla e parecem suficiente para conter Baros que já ultrapassou a sua melhor fase da carreira. João Pereira e Coentrão poderão ter bons duelos nas alas contra Pilar e Jiracek, respectivamente. No meio-campo, a ausência de Rosicky é muito importante para Portugal em situações defensivas, pois é mais perigoso que Kolar, mas revela-se uma má notícia nas situações ofensivas (a seguir). Plasil é dos jogadores mais importantes da equipa e deverá dar bastante trabalho a Meireles. Por outro lado, Hubschman é mais "trinco" e poderá libertar Moutinho para outras tarefas (ajudar Meireles com Plasil, Veloso com Kolar e/ou Coentrão com Ronaldo com Selassie). Ronaldo pouco defende e apesar de Selassie não ter acções muito "importantes", numa das arrancadas conseguiu uma assistência, por isso, deverá haver algum cuidado com o jogador (tal como já referi, Moutinho poderá ajudar nessa acção). Do outro lado, Limbersky ataca bastante, mas Nani também tem cumprido muito bem as tarefas defensivas. O duelo entre Postiga e os centrais não deverá ser muito importante.

Portugal - Ataque vs República Checa - Defesa
Ronaldo e Nani sobressaem, equilíbrio entre laterais portugueses; médios poderão ter liberdade
Começando pelos sectores mais recuados, Pepe e Bruno Alves são mais importantes que Sivok e Kadlec nas movimentações ofensivas das suas equipas, pois a dupla portuguesa faz mais passes perigosos e é mais forte nas bolas paradas ofensivas (remates). Além disso, não deverão ter grande luta por parte de Baros. Nas laterais, mais uma vez há algum equilíbrio com Pilar a não esquecer as tarefas defensivas e Jiracek apesar de apresentar valores mais baixos, é um médio defensivo adaptado, por isso, não deverá ter dificuldades em cumprir essas tarefas. No meio-campo, a análise torna-se mais complicada. Se Rosicky jogar, Veloso terá muita liberdade, mas Kolar já está mais presente no momento defensivo. Meireles tem estado apagado nos momentos ofensivos e pode ser presa fácil para Plasil que não tem feito muito a nível defensivo. Resta saber o que acontecerá no duelo Hubschman-Moutinho. Teoricamente, seria equilibrado e até com vantagem para o checo, mas a presença de Ronaldo na sua zona de acção poderá retirá-lo do meio e dar espaço a Moutinho (e mesmo a Meireles). Tal como já disse, Ronaldo poderá ter que enfrentar 2 jogadores: Selassie e Hubschman. Nada a que não esteja habituado e que pode servir os nossos interesses (pois liberta outros jogadores). Também deverá aproveitar a tendência atacante de Selassie. Do lado direito, Nani tem sido dos jogadores mais importantes na fase atacante e poderá continuar a sê-lo, pois Limbersky não oferece muita resistência (é o lateral com menos acções defensivas). Postiga terá que lutar contra uma boa dupla de centrais, mas como se pode ver por ambas as imagens, nada que se compare à nossa dupla. Kadlec é lateral adaptado e isso pode restringir a dupla (pouca dinâmica).

Quadro-Resumo
Valores obtidos
Conclusão
Na defesa, devemos ter cuidado com Plasil (vs Meireles), as subidas dos laterais Selassie e Limbersky (vs Ronaldo/Moutinho e Nani) e com os extremos Jiracek e Pilar (vs Coentrão e João Pereira).
No ataque, devemos aproveitar a qualidade dos nossos extremos Ronaldo e Nani (vs Selassie/Hubschman e Limbersky), os ataques de Coentrão (vs Jiracek) e a liberdade de Moutinho/Meireles (vs Plasil).

domingo, 17 de junho de 2012

Euro2012: Portugal (2) vs Holanda (1) - Análise

Onzes Iniciais e Desenhos Táticos



Portugal: Patrício (12), João Pereira (21), Pepe (3), Bruno Alves (2), Coentrão (5), Miguel Veloso (4), Moutinho (8), Meireles (16), Nani (17), Ronaldo (7) e Postiga (23)
Nada de novo no desenho tático, nem no onze inicial em relação aos outros jogos. No início, a selecção portuguesa parecia meia adormecida e sem saber o que fazer face ao ataque rival. No entanto, parece ter acordado depois do golo sofrido. Para este acordar, muita importância teve Miguel Veloso. Soube baixar o ritmo de jogo e tentou dar mais posse de bola a Portugal. Por outro lado, os centrais (principalmente Bruno Alves) procuravam os lançamentos longos que não resultavam em nada mais do que oferecer a bola aos adversários. Meireles teve mais um jogo mau, Nani e Coentrão mais um de alto nível. Ronaldo esteve em grande a fazer o que deve fazer: finalizar quando outros criam e criar para outros finalizarem. Ser o elemento criativo e finalizador é demasiado. Moutinho também este muito bem.

Holanda: Stekelenburg (1), Wiel (2), Vlaar (13), Mathijsen (4), Willems (15), De Jong (8), Vaart (23), Robben (11), Sneijder (10), Van Persie (16) e Huntelaar (9)
A selecção "laranja" entrou como jogou na 2a parte do jogo com a Alemanha: 5 elementos só preocupados com ataque, 2 com a defesa e 3 em situação "normal". Obviamente que isto partiu completamente a equipa e tal como não tinha criado muito contra a Alemanha, também não criou contra Portugal. Hoje ainda se notou mais a ineficácia desta tática porque Sneijder fez um jogou muito abaixo do seu nível.

Jogadores "só" de ataque
No futebol moderno, é um conceito que não devia existir. No entanto, Ronaldo e Postiga praticamente só tinham(/executavam) tarefas ofensivas e na selecção holandesa eram 5 os jogadores: Vaart, Sneijder, Robben, RVP e Huntelaar! Ganhou a equipa que tinha menos jogadores deste estilo, isto é, ganhou quem jogou mais como equipa em todos os momentos do jogo.

Paulo Bento
Decidiu manter o onze e aceita-se, apesar de Meireles já ter estado abaixo do seu nível nos outros jogos. Não era um jogo difícil. O talento individual é indiscutível, mas como conjunto os holandeses não são mais fortes que a Dinamarca. Então, acho que uma abordagem de posse de bola teria resultado muito melhor. Com a equipa partida, Portugal facilmente caía em situações ofensivas de 6/7-vs-5 no meio-campo holandês (um pouco como na jogada que deu o 1o golo). Mesmo em contra-ataque, a bola podia ter entrado mais vezes em Nani. Está em boa forma e a oposição (no 1-vs-1) não era de nível muito elevado. Quanto às substituições, não concordo com a entrada de Nélson Oliveira. Naquele momento do jogo, talvez tivesse apostado em Varela para fechar a lateral e dava o meio a Ronaldo. Varela é mais culto a nível defensivo e também é muito perigoso em transições rápidas (apesar de não concordar com esta abordagem, partindo do mesmo princípio do treinador, acho que Varela era melhor opção). Custódio também podia ter entrado mais cedo.

Bert van Marwijk
Não consigo perceber o que tentou fazer... Foi parecido com o que Jorge Jesus fez algumas vezes com o Benfica sem bons resultados (por exemplo, no jogo contra o Rio Ave que o Benfica empatou 2-2 após ter recuperado da desvantagem). Esta ideia de partir a equipa só funciona contra equipas muito mais fracas e com ritmo de jogo muito alto. Neste caso, nem o ritmo era muito elevado, nem o adversário era mais fraco. Mesmo sem criar muitas situações, quase não mexeu na equipa (medo da crítica no caso de tirar um elemento mais ofensivo por um mais defensivo) e quando mexeu foi para desequilibrar ainda mais a equipa (Afellay por Willems), ficando com 4 jogadores defensivos e 6 atacantes.

Conclusão
Jogo teoricamente fácil para a equipa das quinas, mas dificultado por uma má estratégia de jogo. Ainda assim, Portugal construiu muitas jogadas de perigo e o resultado podia ter sido mais volumoso. A Holanda estava muito desequilibrada e nunca conseguiu ser dominante como seria suposto olhando ao onze inicial. Portugal joga agora os quartos-de-final contra a República Checa e a Holanda volta para casa, certamente desapontada. O treinador holandês dificilmente continuará à frente da selecção.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Euro2012: Espanha (4) vs Irlanda (0) - Notas

Basicamente, foi o esperado: um jogo sem história. Um típico 4-4-2 britânico (ainda que Simon Cox tenha jogado mais perto dos médios do que da linha da frente) contra o móvel 4-3-3 espanhol, desta vez com Torres na frente, no lugar de Césc.

Xavi
É fantástico vê-lo a jogar. O entendimento do jogo e de todos os seus momentos é assinalável. Está sempre presente e junta-lhe imensa qualidade. Com bola é ele que decide todo o jogo, sem bola dá sempre linha de passe, seja lateral ou em apoio frontal (melhor pivô que muitos pontas-de-lança).

Iniesta
Foi o segundo grande jogo em 2 possíveis. É, possivelmente, o maior candidato ao prémio de melhor jogador do Euro.

Fernando Torres
Finalmente! Sempre defendi que um jogador da qualidade dele não se podia ter esquecido de como se joga. Era tudo uma questão de tempo (leia-se confiança ou qualquer outra situação mental). Mais que os golos, vale pela movimentação que aproveita a enorme capacidade de passe dos jogadores da sua equipa (Xavi, Iniesta, Silva, Alonso,...)

Espanha - 3º jogo da fase de grupos
O jogo contra a Croácia promete não ser fácil e a selecção espanhola pode precisar de uma vitória (não fiz as contas para o caso de empate). No entanto, Del Bosque não descansou quase ninguém depois de ter a vitória certa sobre a Irlanda. Veremos como Xavi e Iniesta se vão apresentar no último jogo. Santi e Césc deviam ter entrado mais cedo para os lugares da dupla blaugrana.

Irlanda
Eliminada a equipa, fica na memória a "prestação" dos adeptos. Fantástico:

domingo, 10 de junho de 2012

Euro2012: Espanha (1) vs Itália (1) - Análise

Onzes Iniciais e Desenhos Táticos

Setas com fim indicam algumas dinâmicas
Setas com início e fim indicam troca de posições
Espanha
Iniciou o jogo no que se pode descrever como um 4-3-3, mas difícil de integrá-lo na conotação típica devido à falta de extremos e ponta-de-lança fixo. Del Bosque procurou aproximar-se do Barcelona com David Silva a fazer de Messi. A grande dúvida era como a Espanha ia combater a falta de largura inerente aos jogadores que estavam em campo. A espaços foi resolvida pelas subidas de Jordi Alba, mas o treinador devia ter mexido mais na equipa (mais à frente volto a este assunto). De notar, também, a movimentação do meio-campo: era suposto Xavi jogar mais ao lado direito, mas como procura sempre organizar o jogo, percorreu mais zonas centrais e Busquets procurava ocupar a posição incial de Xavi. Xabi Alonso recuava para médio mais recuado e Iniesta aproximava-se de Xavi. Na frente, Cesc e Silva trocavam muitas vezes de posição.
Destaque individual da Espanha:
Iniesta
Itália
Prandelli optou por encher o miolo do terreno, usando 3 centrais e 3 médios num 3-5-2. O elemento "surpresa" foi De Rossi no trio defensivo, o que não é assim tão surpresa tendo em conta as declarações do jogador na conferência de imprensa de antevisão do jogo. A tática pareceu resultar muito bem para anular o jogo pouco largo dos espanhóis, mas ao nível atacante não teve muito efeito (pode-se discutir os méritos individuais da dupla atacante). É de esperar que Di Natale e Giovinco iniciem os próximos jogos nos lugares de Cassano e Balotelli. Na selecção italiana, também havia o problema da largura, pois só tinham 1 elemento em cada ala: Maggio na direita e Giaccherini na esquerda. Quando Marchisio saía a jogar nas transições oferecia procurava as alas e acabava por oferecer linha de passe nessa zona, mas do outro lado Thiago Motta era mais vertical.
Destaque individual da Itália:
Pirlo
Excesso de jogo pelo centro
Como se nota no desenho tático há um claro excesso de jogadores no centro do terreno. Quando a Espanha estava em posse, podiam-se contar 12 (!) jogadores nessa zona (entre o meio-campo e a área italiana): Busquets, Alonso, Xavi, Iniesta, Cesc, Silva, Pirlo, Marchisio, Thiago Motta, Chiellini, Bonucci e De Rossi.

Arbeloa
Podia ter sido uma das chaves do jogo para a Espanha. Atacou pouco e notava-se a falta de largura, principalmente do lado direito. Tendo em conta que Alonso e Busquets jogavam à frente dos 2 centrais, ambos os laterais podiam subir.

Maggio
Tal como Arbeloa, podia ter sido a chave para o sucesso da equipa italiana. Quando os ataques foram lançados pelo seu lado, foi muito perigoso, mas foi uma opção poucas vezes tomada.

Vicente del Bosque
Podia ter arriscado um pouco mais nas substituições sem perder o controlo do meio-campo e sem desequilibrar a equipa. Xabi Alonso por Pedro ou Santi Cazorla com Iniesta no meio podia ter feito a diferença.

Cesare Prandelli
Com a entrada de Torres e Navas na equipa espanhola, podia ter avançado De Rossi para o meio-campo e ter apostado numa tática próxima de um 4-4-2. Não era necessário tanto jogador na última linha defensiva e De Rossi podia dar uma ajuda a controlar e organizar o jogo a meio-campo.

Espanha vs 3-5-2
Será que esta tática vai passar a ser utilizada para anular o jogo interior espanhol? À partida parece uma boa solução. A forma de anular esta tática passa por tirar a bola do meio, dar muita largura ao jogo e criar situações 2-para-1 nas laterais (lateral e extremo vs lateral, por exemplo). Estas ideias são contrárias ao estilo de jogo praticado pela Espanha e sendo uma selecção idealista, é pouco provável que altere o seu estilo. Neste jogo, Del Bosque devia ter feito essa leitura e escolhido jogadores como Pedro e/ou Navas e um dos pontas-de-lança que tem disponíveis para fazerem parte do 11 inicial ou, pelo menos, deviam ter entrado mais cedo.

sábado, 9 de junho de 2012

Euro2012: Alemanha (1) vs Portugal (0) - Notas

Portugal
A equipa portuguesa apresentou-se no tradicional 4-3-3 mas com uma dinâmica diferente da habitual. A estratégia passava por defender bem, junto à área e apostar nas transições ofensivas. Só resultou a espaços, o que é pouco para uma equipa com tantos jogadores talentosos. Em evidência estiveram Pepe e Nani. O luso-brasileiro esteve muito bem na defesa, anulando quase sempre Gomez (só o deixou fugir no lance do golo, quando foi "traído" por um desvio). Nani também fez uma boa exibição, mas falta-lhe um bom apoio no lado direito (João Pereira foi uma nulidade). Os movimentos interiores devem ser incentivados seja quando Portugal domina o jogo ou quando joga em contra-ataque. Varela entrou bem e Nélson Oliveira é uma boa aposta para jogos em que se aposta nas transições rápidas.

Destaque individual de Portugal:
Nani

Alemanha
Sem surpresas, entraram em campo em 4-2-3-1 e é provável que tenha sido o pior jogo do conjunto alemão neste Euro. Portugal defendeu bem, mas não foi muito perigoso no contra-ataque. Diga-se que muito por culpa de Hummels que esteve irrepreensível. Pareceu-me que Götze ou Reus e Schurrle podiam ter entrado por Podolski (ou Gomez com Podolski a passar para o centro do ataque) e Müller. No entanto, na altura em que Joachim Low ia mexer na equipa, Gomez marcou e não necessitou dessas alterações. Ainda assim, Bender podia ter entrado mais cedo para ajudar a acabar com o jogo.
É, juntamente com Espanha, a grande candidata ao título.
Destaque individual da Alemanha:
Mats Hummels