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domingo, 17 de novembro de 2019

Liverpool 3 - Man City 1 - 10/11/2019: Algumas notas

Algumas considerações sobre o jogo:

1. Ponto de partida do desenho tático das duas equipas:

Liverpool partia do seu habitual 4-3-3 com Fabinho, Wijnaldum e Henderson no meio-campo; Man City em 4-4-2 com de Bruyne na frente junto a Agüero, meio-campo com Rodrigo e Gündogan no centro.

2. Primeira fase de construção do Man City:

Quadrado no centro com os 2 centrais e dois médios para contornar os 3 avançados do Liverpool, laterais pouco profundos, 4 na frente. Da parte do Liverpool, os 4 da defesa encostavam nos 4 atacantes do Man City, Henderson e Fabinho a pressionar Gündogan e Rodrigo, sobrava Wijnaldum descaído para o lado de Walker e Bernardo Silva. Do lado do City ficava solto Angelino (Lateral Esquerdo) e daí uma grande percentagem dos ataques do City ter sido pelo lado esquerdo (43% esq; 27% meio; 30% dir)

3. Organização Ofensiva do City:

Não difere muito da primeira fase de construção. 2 centrais, 2 médios à frente deles, laterais atrás dos extremos, 2 avançados encostados aos centrais (objetivo era fixar Van Dijk e Lovren?). Curioso que ao contrário do que seria esperado, Rodrigo e Gündogan aproximaram-se sempre muito da área através do corredor lateral, isto é com proximidade aos laterais e extremos maior do que aos dois avançados. Se o objetivo do posicionamento dos dois avançados era fixar os centrais, seria de esperar maior presença dos médios a aparecerem nessas zonas. Por outro lado, talvez se deva a uma tentativa de fechar a saída por Mané e Salah.

Do lado do Liverpool, defesa em 4-4-1-1. 4 defesas, Henderson encosta na direita, Mané baixa na esquerda, Firmino sempre presente (às vezes a fechar a ala ou no meio dos médios) e Salah pronto para atacar a transição entre o meio e a direita.

4. Construção do Liverpool

Man City tentou dificultar a saída do Liverpool com a subida de Rodrigo e Gündogan para apertar Fabinho e Wijnaldum, extremos nos laterais e avançados nos centrais. 4 da defesa a criar superioridade em relação aos 3 avançados do Liverpool. Henderson era o homem livre do Liverpool. Por vezes como médio, outras como extremo, jogando Salah mais por dentro.

Para fugir a esta pressão, além da procura de Henderson, o Liverpool procurava muito trocar o lado da bola com passes longos (DD ou DCD para DE), também a aproveitar pouca largura do City.

5. Geral

City com muita distância entre as várias linhas. Nomeadamente da defesa para o resto da equipa (medo da velocidade?)
Liverpool com dificuldade em jogar pelo centro do campo, mas muito forte nas saídas pelos corredores, sobretudo com Robertson e muito bem a explorar o lado "morto" (lado oposto ao da bola) nos cruzamentos.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Notas sobre Krasnodar

Vi o jogo Krasnodar-Sochi (está disponível no youtube) e ficam algumas notas:

Jogaram em 4-2-3-1/4-4-2
4 defesas - Petrov DD, Ramirez DE, Martynovich DCD, Spajic DCE.
Ramirez mais ofensivo que Petrov.
Centrais confortáveis com bola, mas passe longo vai para fora.
Kambolov como pivô. Dá cobertura aos defesas e junta muito fazendo linha de 3.
Vilhena box-to-box, às vezes procura ala e troca com o extremo.
Wanderson EXD aparece muito no meio perto do PL.
Namli EXE aparece mais em apoio aos MC.
Ari solto atrás do PL, baixa para participar na construção.
Ignatiev como PL.

Será de esperar Cabella e eventualmente Olsson contra o Porto. Namli o mais provável a sair, tal como Ignatiev.

Gazinskiy e Claesson lesionados são grandes baixas.

Muita referência HxH. Mobilidade dos avançados do Porto pode fazer estragos.
Muito susceptíveis a contra-ataques. Deixá-los subir e depois pressionar/recuperar para os apanhar desposicionados parece boa opção. Fraca reação à perda de bola. Normalmente acabam a defender com 3/5 (DCs, MD, e eventualmente os laterais)
Alas trocaram de lado a meio da primeira parte. Wanderson pega mais na bola e faz diagonais com bola.
Por vezes Kambolov junta-se aos centrais e faz defesa a 3, Vilhena encosta ao lado esquerdo e não fica ninguém entre centrais a trocar bola e avançados (equipa parte em 4+Petrov+5)

Canto Defensivo HxH mais 1 no primeiro poste e 1 alinhado ao primeiro poste, mas fora da pequena área.

É uma equipa pouco trabalhada coletivamente, mas com bons valores individuais. Cabella, Ari, Wanderson e Vilhena fazem muitos estragos sozinhos. Ignatiev também tem instinto de PL, posiciona-se bem na área e reage muito rápido. É preciso ter cuidado com remates de longe, porque Ignatiev chega primeiro na recarga.

domingo, 2 de junho de 2019

Final da Liga dos Campeões - Tottenham Org.Of. vs Liverpool Org.Def.

Quero abordar sobretudo a Organização Ofensiva do Tottenham contra a Organização Defensiva do Liverpool, pois muito do jogo foi jogado nesta situação específica.

Em baixo a imagem mostra o posicionamento "normal" neste momento do jogo. Tottenham em azul e Liverpool a vermelho.



Do lado do Tottenham até à primeira substituição: Alderweireld e Vertonghen a centrais, Trippier e Rose nas alas, Winks e Sissoko na primeira linha do meio-campo, Kane junto dos centrais do Liverpool e Eriksen, Alli e Son nas costas de Kane, mas bastante projetados na profundidade (ainda que a jogarem bastante por dentro, principalmente Eriksen que seria o extremo direito).

Do lado do Liverpool: Alexander-Arnold e Robertson nas laterais, Van Dijk e Matip a centrais, Fabinho, Henderson e Wijnaldum no meio-campo e o típico trio de ataque: Salah na direita, Mané na esquerda e Firmino no meio.

Rapidamente é perceptível que a subida do trio de ataque do Liverpool para pressionar os dois centrais liberta os laterais do Tottenham. Principalmente com os laterais do Liverpool a defenderem muito dentro pela presença interior dos extremos do Tottenham. Pelo interior, tornava-se muito difícil o Tottenham evoluir. Os dois médios de apoio estavam controlados por 6 jogadores do meio-campo e ataque e o passe direto dos centrais para os 4 da frente era quase impossível, ainda que tivesse sido tentado várias vezes, principalmente a tentar a bola nas costas da defesa do Liverpool (movimento muito procurado, sobretudo por Son). O passe para os dois médios  de suporte entrou algumas vezes, mas nem Winks nem Sissoko conseguiram dar grande seguimento ao lance, normalmente voltando a bola aos centrais.

Falhou o Tottenham em perceber e aproveitar esta situação de jogo. Fazer algo ao estilo do que fez Paulo Fonseca contra o Man City. Chamar o Liverpool, obrigando a esticar na profundidade; subir os laterais; prender os laterais do Liverpool com os extremos por dentro e depois chegar ao meio-campo adversário através dos laterais. E reparando na imagem acima, facilmente se percebe que aí, o Tottenham iria ter situações em 6x4/5 (dependendo da profundidade de Fabinho).

A partir dos 66 minutos, o Tottenham melhorou bastante. A troca de Lucas Moura por Winks, levou Eriksen para médio centro (melhorando muito a qualidade na saída de bola) e Lucas a jogar no meio procurou mais vezes dar a linha de passe do que os seus colegas.

Sobra dizer que não entendo a lógica de Pochettino. Se procurava a bola nas costas da defesa do Liverpool, para aproveitar a linha alta, deixar Lucas no banco e jogar com Eriksen na frente é muito discutível. E no final, a precisar de criatividade e de um golo, lançar Dier em vez de Lamela, não me pareceu ideal.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Dinâmicas em defesa e ataque - Wolfsburg vs Schalke

Subjacente aos desenhos tácticos devem existir sempre princípios que o regem e dinâmicas que o transformam para a equipa jogar o jogo (passe o pleonasmo).

Olhando para o Wolfsburg vs Schalke podem ser vistas 2 situações: 1 defensiva, 1 ofensiva. Estas 2 situações acontecem no mesmo momento do jogo, o primeiro golo do Wolfsburg.

1. Defesa do Schalke

Em 4-4-2 (ou 4-4-1-1), ainda que com algum deficiente controlo da largura, é bem executado e como se pode ver tem até incutido o recuo dos extremos para acompanhar a subida dos laterais.

Lat. Esq. do Wolfsburg subiu, Ext. Dir. do Schalke recua para a linha defensiva
Do outro lado, Lat. Dir. recuado, Ext. Esq. na linha dos médios
 Para referência, o mesmo a acontecer no SCP vs CSKA
Lat Dir do CSKA avançou (não está na imagem), Ext Esq do Sporting na linha defensiva
Lat Esq do CSKA mais recuado, Ext Dir do Sporting na linha dos médios

Quando é que surge o golo do Wolfsburg?
Lat Dir procura a profundidade, Ext Esq do Schalke não baixou.
Do central, a bola entra no extremo que está em posição interior.
Extremo joga no lateral que cruza (quase) sem oposição.
2. Ataque do Wolfsburg

Porque é que surge o erro do Extremo Esquerdo?
Até então, o que acontecia com o Wolfsburg em posse era similar à imagem que se segue

football formations
4x2 na zona da bola, sem dinâmica para aproveitamento da superioridade
6x8 na frente, sem condições para a bola entrar
Basicamente o que estava a acontecer era posse de bola entre os centrais e os médios, eventualmente alguma bola para um lateral que voltava aos 4 de trás e passe de longo. Recuperação e tudo de novo...

No golo: um dos médios sobe e fica 3x2 na bola, 7x8 no resto do campo. Mantém a superioridade na zona da bola, equilibra um pouco mais na frente.
E neste caso até se aproxima mais de 3x1 na bola, pois o 2ºAV está deslocado do lance
Mais interessante do que o "novo" posicionamento do médio, é a dinâmica que é criada.
Volto a esta imagem:
Bola no central do outro lado. Sem oposição, dribla "atacando" a linha do meio-campo.
Provoca o erro no extremo do Schalke que não sabe se deve ser ele a sair à bola e fica estático.
Depois de provocado o primeiro erro, surge o aproveitamento da situação de desorganização.
Repetindo: bola entrou no extremo que estava numa posição interior;
Extremo sem pressão roda e entrega no lateral com espaço.
Bola na área, 4x3, golo.



De tudo isto, importa perceber a importância das dinâmicas, sejam defensivas ou ofensivas. Perceber que os erros aumentam se forem provocados e que a superioridade numérica é a principal arma no futebol de topo.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Coisa boa do futebol

Interpretações diferentes da mesma jogada, sem necessidade de cair no certo e errado:

O Telmo Frias do Cenas da bola e eu analisámos a mesma jogada. Ficam os vídeos:

Telmo:




Eu:

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Seleção Portuguesa: Alguns problemas

Chega ver o golo sofrido com cuidado para se perceber quais são os maiores problemas da nossa seleção.

Problema 1: Controlo do espaço "6". Falta controlo sobre o espaço à frente da defesa. Nem Veloso, nem Amorim conseguiram resolver isso. Facilmente se pode ver isso pela clareira à frente dos 4 defesas. Mais estranho é o jogador mais próximo ser Cristiano Ronaldo que não é de todo conhecido pelo apoio à defesa (que veremos a seguir). Robben aproveitou diversas vezes este problema para aparecer sozinho no meio.

Problema 2: Controlo de largura. Veja-se a posição de João Pereira (JP) no início do lance e a consequente distância entre jogadores. Quando a bola entra no meio, JP é obrigado a sprintar para não ficar fora do lance.

Espaço "6" desocupado e pouco controlo de largura
Problemas 3 e 4: Leitura de situações de jogo e agressividade. Este caso volta a estar ligado com o problema 1. Compare-se a posição de Veloso nas imagens seguintes. Primeiro à entrada da área, à frente da defesa. Tal como defendo que deve fazer. Depois, quase na linha de Pepe e JP. Não faria cobertura a Neto no caso de ser ultrapassado no 1vs1, não retira nenhuma linha de passe, nem protege o espaço à frente da defesa (das duas, uma: ou fecha o espaço entre Neto e Pepe e outro jogador ocupa a posição à frente da defesa ou então deixa-se ficar nesse espaço). Repare-se também em Coentrão. Com a bola na posse do adversário mais perto da baliza do que ele, recupera a posição em jogging... Mais, a bola passa entre ele e Veloso para chegar ao marcador do golo! Pelo meio tem tempo para olhar para o árbitro auxiliar para ver se ele marca fora-de-jogo... Por fim, Cristiano. Repare-se na imagem acima e agora na primeira imagem abaixo. Era o jogador mais próximo da linha de 4 defesas, mas permaneceu imóvel. Limitou-se a observar o decorrer da jogada.
Ronaldo ainda no mesmo sítio e Coentrão a passo

Veloso não faz cobertura a Neto, nem retira linha de passe.
Coentrão continua a passo.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Espanha: um ou dois pivôs?

Na Liga Espanhola é quase tradição jogar com duplo pivô. Um mais defensivo/posicional, outro mais dinâmico/organizador. Na selecção principal, Del Bosque optava por uma solução alternativa. Duplo pivô, mas com 2 jogadores posicionais: Busquets de passe curto, mais preocupado com equilíbrios e Xabi Alonso de passe longo. O organizador, Xavi, jogava à frente dos 2. No entanto, tanto em alguns jogos de qualificação como no 1º jogo da Taça das Confederações, surgiu uma alteração: pivô único. Neste último jogo foi Busquets.
Por outro lado, a selecção sub-21 iniciou o Euro da categoria com Illarramendi como pivô único, mas a partir do 2º jogo, Lopetegui mudou para 2 pivôs: Koke e Illarramendi.

Sub-21


1 - Primeiro jogo do Euro Sub21; 2a - Resto da competição; 2b - Variação com Isco na direita
(na variação, Thiago e Isco trocavam muitas vezes de posição)

Selecção A

1a - Equipa base do Mundial anterior; 1b - Jogo de qualificação contra a França;
2 - Primeiro jogo da Taça das Confederações

Dinâmica

Naturalmente, o problema não se resolve por análise do desenho táctico (estático). O importante é perceber a dinâmica que os jogadores dão a esse mesmo desenho.
No caso da sub-21, Thiago e Isco jogavam muito subidos e deixavam muito espaço nas costas para Illarramendi defender. A entrada de Koke permite dar liberdade a Illarramendi, mantendo um médio bastante capaz com bola e levando Thiago e Isco para espaços de decisão do jogo sem os retirar da organização.
Na seleção A, Busquets e Xabi Alonso eram demasiado posicionais, principalmente com Xavi que procura muito a bola em zonas recuadas. Na saída de bola tornava-se quase um triplo pivô (obriga a ter muitos jogadores da equipa que ataca atrás da linha da bola, impedindo a progressão). Outro factor importante é que a sobre-ocupação do meio obrigava Iniesta a jogar mais encostado na ala. Sem Xabi Alonso, Iniesta joga mais por dentro e tem mais bola. Também permite ter mais um avançado. Desta vez o escolhido foi Soldado. Cesc ganha liberdade e joga em trocas posicionais com Iniesta entre a ala e a posição de enganche.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Porto e Benfica - Parte 1 - Notas do Jogo

Onzes Iniciais

Porto: Helton (1); Danilo (2), Alex Sandro (26), Otamendi (30), Mangala (22); Fernando (25), Moutinho (8), Lucho (3); James (10), Varela (17) e Jackson (9)
Benfica: Artur (1); Maxi (14), A. Almeida (34), Luisão (4), Garay (24); Matic (21), Salvio (18), Enzo (35), Gaitán (20), Ola John (15); Lima (11)
FCP: 4-3-3, com James muito central, Porto fica com 4 médios
SLB: 4-1-4-1, Gaitán na linha de Perez em O.D. e na linha de Lima em transição
ataque-defesa (que não aconteceu muitas vezes)

André Almeida livre e Matic vs James

Quando o Porto estava em organização ofensiva, James procurava o meio, zona de Matic e André Almeida ficava livre (Ola John ocupava-se das subidas de Danilo e houve pouca presença nessas zonas de Moutinho e Lucho). James pouco inspirado e nas proximidades do (possivelmente) jogador do ano da Liga, não resultou bem para o Porto. Por vezes, o colombiano procurou espaços mais recuados, mas não é solução para o Porto tirar o jogador mais criativo (o único criativo?) da proximidade da área.

Fernando sozinho

Com o 3-vs-4 no meio-campo (conto com James como médio), sobrava espaço para Fernando e o brasileiro aproveitou em alguns momentos. Não resultou em golo, mas criou perigo. Se no lugar de Fernando estivesse alguém com a qualidade ofensiva de Matic, não sei se não podia ter dado em goleada.

Momentos Finais

FCP: 4-1-3-2, provoca o 1-vs-1 no ataque
SLB: Mantém a disposição inicial

Porto em 4-1-3-2, Benfica ganha superioridade no meio-campo mas fica em 1vs1 na defesa. Logo a seguir à entrada de Liedson, James tem a melhor oportunidade do jogo (ainda que tenha partido em fora-de-jogo). Além de já não ter superioridade numérica na defesa, no Benfica já estava Roderick como pivô. Na minha opinião, era aconselhável descer Roderick para junto de Garay e Luisão e recuar Matic para pivô à frente da defesa. Afinal, não era intenção do Benfica dominar o meio-campo. Tinha como problema entregar muito espaço do campo a Aimar em organização defensiva, mas isso podia ser resolvido com os extremos a jogarem mais interiores ou mesmo com Aimar numa ala (afinal só tinha que segurar a bola em situação ofensiva e ter um posicionamento correto defensivamente).

Almeida com Varela; Luisão com Jackson; Garay seguiu Liedson; Maxi com Kelvin e Roderick com James
1-vs-1 arriscado

Estratégia de Jorge Jesus

É fácil criticar Jorge Jesus por ter jogado para o empate, seria ainda mais fácil criticá-lo se tivesse jogado para ganhar o jogo e tivesse perdido. Principalmente porque seria o resultado mais natural. É muito difícil o modelo de jogo de JJ jogar contra o modelo de VP. O risco e desequilíbrio usual nos jogos do Benfica, resulta bem contra equipas com pouca organização defensiva. Contra equipas mais evoluídas torna-se muito complicado. JJ tenta corrigir com a presença de Gaitán no meio-campo, mas a equipa não está rotinada para um jogo com uma intensidade totalmente diferente. Nos jogos "fáceis", o Benfica não precisa da organização ofensiva. Ataca continuamente em transições porque tem sempre a bola. Nos jogos "difíceis" tem que acrescentar mais um momento ao jogo. E não domina esse momento.

Fala quem sabe. Vítor Pereira no final do jogo:
«O Porto tem um modelo de jogo bem definido. Gosta de ter posse e de dominar. Basta ver os registos. Quando perdemos a bola, somos agressivos. É a nossa matriz. A do Benfica é diferente, não digo se melhor ou pior. Tem qualidade e joga em acelerações constantes. Contra adversários que não têm qualidade para ter bola, parte o jogo e cria grandes problemas. Nós tiramos essa iniciativa e contra nós o Benfica corre muito mais atrás da bola. Procuram mais as bolas longas porque em espaços curtos têm dificuldades. Contra as outras equipas isso não sucede. Contra nós o Benfica não consegue ser o que gosta de ser.»

Manual Defensivo

O Benfica em organização e o Porto nas transições ataque-defesa foram sublimes. Se o jogo teve poucas ocasiões de golo, muito se deveu ao grande trabalho de ambos os treinadores.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Posse para criar desorganização

Muita gente critica o Barcelona dizendo que só faz posse pela posse. Sem objetivo claro. Não é verdade. Veja-se o 1º golo contra o Maiorca.


Barcelona's first goal vs Mallorca (27 passes) por allasfcb

Agora, analisando 2 momentos importantes. O primeiro, quando inicia a troca de bola em organização ofensiva:
Início da troca de bola em organização
Vemos o Maiorca organizado. 3 linhas: 4 defesas, 4 médios, 2 avançados. Pode-se criticar o controlo da largura pelo extremo esquerdo, mas possivelmente será assim que treina, logo depende da dinâmica defensiva da equipa para perceber se está correto ou não o seu posicionamento.

O segundo momento, é após alguma troca de bola e pouco antes do golo:
Momentos antes do golo
O Maiorca mantém 3 linhas, mas já bastante desorganizado: 6 defesas, 3 médios no espaço central, 1 avançado. Piqué dá a bola a Iniesta que tem tempo para rodar e enquadrar. Passa a Fabregas que recebe no espaço entre-linhas, tabela com Alexis e golo! Excelente também o pormenor de Alexis no momento em que Cesc enquadra a dar o engodo da procura da profundidade e ficar para trás para oferecer a linha de passe.

Claro que não é só bom trabalho do Barcelona. Aliás, neste golo há muitas falhas na organização defensiva do Maiorca, mas muitas delas são potenciadas pelo trabalho feito pelos jogadores do Barcelona em posse (seja o passe ou a movimentação sem bola).

sábado, 9 de março de 2013

Liga Alemã: Schalke (2) vs Dortmund (1) - Notas

Onzes Iniciais


Schalke: Hildebrand (34); Uchida (22), Höwedes (4), Matip (32), Kolasinac (35); Höger (12), Neustädter (33); Farfán (17), Draxler (31), Bastos (9); Huntelaar (25)

Dortmund: Weidenfeller (1); Piszczek (26), Subotic (4), Hummels (15), Schmelzer (29); Bender (6), Gündogan (8); Kuba (16), Götze (10), Grosskreutz (19); Lewandowski (9)

Desenhos Táticos semelhantes
Maior proximidade do "10" ao avançado no Schalke

Transição ofensiva

Dortmund procura sempre sair em posse, principalmente através do duplo pivô Bender-Gundogan. O Schalke tem uma abordagem mais directa, saindo em drible pelos extremos Farfán e Bastos ou com passe longo dos centrais para Huntelaar.

Organização Defensiva e Transição Ofensiva do Dortmund

Jogam ambas em sistemas muito parecidos e com ideologias também similares. Muita preocupação com a largura com um dos trincos a ocupar o espaço entre o lateral e o central quando a bola está em zona lateral e o outro trinco a ocupar o espaço central em frente à baliza e à linha defensiva.
Na primeira fase de organização defensiva, notava-se preocupação do Schalke em não deixar a bola passar dos defesas para o duplo pivô do Dortmund através das posições de Huntelaar e Draxler (em linha, nesta fase, com a equipa a aproximar-se mais de um 4-4-2). Enquanto isso, Höger e Neustadter marcavam Götze para não permitirem o passe mais directo.
E esta situação acabou por ser a mais interessante tacticamente do jogo. Como Gündogan e Bender não baixavam para a linha dos centrais para criar superioridade numérica, o Schalke conseguia sempre parar o estilo de jogo do Dortmund.

Draxler: muito importante em todas as fases do jogo.
19 anos e já é um dos grandes talentos da Bundesliga.

Segunda Parte

Acabou a primeira parte com um resultado de 2-0 para a equipa da casa. Logo no início da segunda parte, entraram Sahin e Reus para os lugares de Hummels e Grosskreutz. A equipa manteve o desenho táctico, mas alterou as peças: Bender desceu para defesa central, Gotze encostou na esquerda, Reus entrou para o lugar de segundo-avançado/"10" e Sahin para o duplo pivô.
A arriscar mais no ataque (principalmente Piszczek atacava mais) notavam-se algumas dificuldades defensivas do Dortmund a defender com pouca gente.

Voltando ao problema da transição ofensiva do Dortmund

Com a entrada de Sahin, esse problema praticamente acabou. Muito inteligente no posicionamento, Sahin abria sempre ao lado dos centrais (principalmente do lado esquerdo) e a equipa conseguia jogar à volta da dupla Draxler-Huntelaar, saindo depois pelos laterais ou no apoio frontal dado pelos extremos Kuba e Götze. É um jogador de um nível diferente de Gundogan e só perde o lugar por questões físicas (suponho). Estranho que não tenha vingado no Real Madrid (apesar de ser difícil para o seu estilo de jogo conforme se pode ver pelas dificuldades que também Modric está a sentir), mas principalmente no Liverpool onde a ideologia de jogo de Brendan Rodgers se aproxima muito do Dortmund. Talvez tenha sido um misto de questões físicas e estatuto (é um ícone no Dortmund, mas no Liverpool e no campeonato inglês ainda tinha muito a provar). Importante agora é que consiga voltar ao topo e a saída do Real Madrid a título definitivo no final da época é quase uma certeza, restando saber onde jogará na próxima época (Arsenal, Dortmund e Chelsea são talvez as melhores opções).

O Dortmund melhorou com a entrada de Sahin,
mas não chegou para a reviravolta

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Malaga - Parte 2 - Estatísticas

Continuando o olhar sobre a equipa que o Porto irá defrontar na LC, dou uma perspectiva geral das estatísticas mais importantes da equipa e individuais

Equipa

Posse de bola, passe curto, ataque pelas alas e equipa dividida em 2 grupos
são talvez os aspectos mais importantes a destacar da visão estatística
- Ataca em percentagem de igual modo pelas 2 alas mas remata muito mais pela esquerda (Joaquin remata mais quando faz a diagonal direita-esquerda)
- Remata principalmente na grande área. Poucos remates de longe.
- Joga no meio-campo adversário
- Golos maioritariamente em ataque organizado. Poucos em contra-ataque. Alguns de bola parada.
- Passe maioritariamente curto
- Muitas recuperações de bola (intercepções e desarmes).
- 55% de posse de bola (5º valor da liga)
- 80.7% de passes certos (3º melhor da liga)
- remates feitos: 13.9/jogo ; remates concedidos: 11.1/jogo
- 84% de desarmes, intercepções e remates bloqueados pelos 6 jogadores mais recuados (Gamez, Demichelis, Weligton, Monreal, Toulalan e Camacho)
- 66% de remates, passes perigosos e dribles dos 4 da frente (Eliseu, Joaquin, Isco e Saviola)

Individual

Os líderes das estatísticas: Camacho nas acções defensivas e Joaquin nas ofensivas
- Desarmes: Toulalan e Camacho juntos: 7.6/jogo
- Camacho: 10º na liga e Toulalan: 16º
- Intercepções: Camacho (3.4/jogo; 4º na liga) e Weligton (3.3/jogo; 5º na liga)
- Remates: Isco (16º na liga com 2.4/jogo); Toulalan, Saviola e Joaquin com 1.6/jogo
- Passes Perigosos: Joaquin líder da liga com 3.1/jogo
- Dribles: Joaquin 1.5/jogo, 12º na liga; Isco com 1.2/jogo
- Golos: Repartidos: Saviola e Santa Cruz - 5; Joaquin e Isco - 4
- Assistências: Joaquin com 4 (2 no jogo com o Real); Portillo, Eliseu e Buonanotte com 3

Fonte: whoscored

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Malaga - Parte 1 - Visão Geral

Procuro neste texto dar a conhecer um pouco do adversário do Porto na Liga dos Campeões. Será dividido em 2 partes: uma visão geral sobre a equipa e a estrela da equipa e a segunda parte é uma análise estatística da equipa. Seguir-se-á um texto igual referente ao Leverkusen, adversário do Benfica na Liga Europa.

Equipa mais usada na Liga

4-2-3-1: Com trocas posicionais entre o trio que joga atrás do avançado e com um avançado muito móvel como é conhecido dos portugueses. Muitas vezes é Eliseu que joga na direita e Joaquin na esquerda. A situação apresentada permite jogar mais na horizontal. A troca dos alas, faz com que a equipa seja mais vertical e aposte nas diagonais desses jogadores, principalmente de Joaquin. Isco será abordado mais à frente, mas importa referir que é ponto central da equipa em situações ofensivas. Apesar de ser uma equipa que aposta na posse de bola, há uma divisão na equipa entre tarefas ofensivas e defensivas, cabendo aos 4 da frente a maioria das tarefas no processo ofensivo e aos 6 (7 se contar com o GR) as tarefas defensivas. As transições são normalmente asseguradas pelos 2 trincos em ataque-defesa e por Isco em defesa-ataque.

Onze e desenho táctico mais utilizado na Liga Espanhola

Variação na segunda parte do jogo com o Real Madrid

4-4-2: Não é muito diferente da situação inicial, mas Joaquin joga mais próximo do atacante e o meio-campo passa a uma linha de 4 jogadores. Sempre que joga Santa Cruz, existe a necessidade de ter um jogador mais próximo devido à menor mobilidade em relação a Saviola. Ganha ao argentino na capacidade de segurar a bola e na disponibilidade que oferece à equipa de uma out-ball (opção de passe fora das zonas de pressão do adversário). No jogo com o Real Madrid jogaram Portillo (de início) e Iturra, mas em situações normais jogaria Toulalan. Este desenho táctico (e correspondente dinâmica) é usado em situações de vantagem no marcador ou para manutenção do resultado (no caso da Liga pode não ser tão interessante, mas na Liga dos Campeões tem um significado mais importante). No caso, Santa Cruz entrou quando estava 1-0 para o Málaga, mas teve o azar de sofrer o golo no minuto seguinte. Ainda assim, o paraguaio estava num bom dia e marcou os 2 golos que deram a vitória à equipa da casa.

Variação no jogo com o Real Madrid, a ganhar 1-0
Pode ser usado para manter o resultado
(apesar de isso não ter acontecido)

Estrela da Equipa: Isco



Apesar de muitos jogadores do Málaga estarem a jogar bem, é evidente que um se distancia dos demais pelo inegável talento que possui. Esse jogador é Isco. Já foi aqui falado nomeadamente pela sua visão de jogo, capacidade de drible e qualidade de passe. No Málaga, começa como "10", mas joga a toda a largura do campo trocando de posição com os alas. Após a recuperação de bola, o primeiro passe é feito para ele quando a equipa sai em organização ofensiva. Como defeito poder-se-á apontar o facto de arriscar poucas vezes o último passe (pode-se ver até pelas poucas assistências que tem nesta época).
Se na equipa o estatuto é evidente, mais difícil está a situação na selecção. Com Xavi, Iniesta, Thiago, Cesc, Santi Cazorla, Beñat e Borja Valero (entre outros) a discutirem com ele um lugar no meio-campo da La Roja, no futuro recente será difícil ganhar um lugar no onze. No entanto, acredito que a médio-longo prazo pode ser a principal aposta para o lugar de Xavi (apesar de jogar a "10" no Málaga é um jogador capaz de jogar mais recuado).

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Liga dos Campeões: Udinese (1) vs Braga (1) - Análise à dinâmica da Udinese

Udinese
3-4-1-2: Brkic (1), Benatia (17), Danilo (5), Domizzi (11), Basta (8), Pinzi (66), Willians (88), Armero (27), Pereyra (37), Fabbrini (31) e Di Natale (10)

Braga
4-2-3-1: Beto (33), Salino (25), Douglão (44), Paulo Vinícius (26), Ismaily (21), Custódio (27), Hugo Viana (45), Alan (30), Mossoró (8), Rúben Amorim (5) e Lima (18)

Desenhos Táticos iniciais e algumas movimentações
3-4-1-2 vs 4-2-3-1
Como se pode perceber na imagem acima, um confronto entre estes 2 desenhos táticos não proporciona um "encaixe" natural entre as 2 equipas. No entanto, podemos observar esse encaixe durante quase todo o jogo devido à dinâmica da equipa da Udinese e dos movimentos dos laterais do Braga. Falo só nos laterais do Braga, pois numa luta entre estes dois desenhos, é natural que haja um sobrecarregamento dos jogadores laterais da equipa que joga numa defesa a 3 (por exemplo: na ala direita da Udinese estão Basta vs Amorim+Ismaily) que é provocado pela subida dos laterais contrários. A imagem seguinte mostra como a dinâmica da Udinese "resolveu" o assunto.
Braga em fase atacante e resposta dinâmica da Udinese
(as setas azuis indicam as referências individuais de cada jogador - os confrontos)

Assim, podemos ver que no caso de Salino e Ismaily terem dado largura aquando da fase atacante em vez de jogarem mais interiores, teriam obrigado Pinzi e Willians a saírem mais das suas posições e abriam espaços maiores entre a linha de 5 defesas e a linha de 4 médios, que podia ter sido aproveitada por Mossoró ou algum jogador que entrasse de uma posição mais recuada (possivelmente Hugo Viana).

Na perspectiva contrária, e porque a Udinese praticamente só atacou em contra-ataque, vemos que mal Basta e/ou Armero passem por Amorim e/ou Alan, respetivamente, podem criar uma situação de perigo. Se do lado esquerdo do ataque do Braga não houve grandes problemas (porque Amorim não é um extremo típico, Basta não fez um grande jogo e também porque Pinzi não saía tanto para o contra-ataque como Willians, libertando Ismaily para a marcação a Basta), já do outro lado, Armero criou imensos problemas, estando inclusive nos 2 lances de maior perigo da equipa italiana: o golo e o lance em que surge isolado, mas remata no chão. Isto ilustra que, o que teoricamente seria uma vantagem para o Braga, tornou-se uma vantagem para a Udinese.

Udinese em contra-ataque: Willians (88) arrasta Salino (25) e Armero (27) fica com a ala livre

domingo, 17 de junho de 2012

Euro2012: Portugal (2) vs Holanda (1) - Análise

Onzes Iniciais e Desenhos Táticos



Portugal: Patrício (12), João Pereira (21), Pepe (3), Bruno Alves (2), Coentrão (5), Miguel Veloso (4), Moutinho (8), Meireles (16), Nani (17), Ronaldo (7) e Postiga (23)
Nada de novo no desenho tático, nem no onze inicial em relação aos outros jogos. No início, a selecção portuguesa parecia meia adormecida e sem saber o que fazer face ao ataque rival. No entanto, parece ter acordado depois do golo sofrido. Para este acordar, muita importância teve Miguel Veloso. Soube baixar o ritmo de jogo e tentou dar mais posse de bola a Portugal. Por outro lado, os centrais (principalmente Bruno Alves) procuravam os lançamentos longos que não resultavam em nada mais do que oferecer a bola aos adversários. Meireles teve mais um jogo mau, Nani e Coentrão mais um de alto nível. Ronaldo esteve em grande a fazer o que deve fazer: finalizar quando outros criam e criar para outros finalizarem. Ser o elemento criativo e finalizador é demasiado. Moutinho também este muito bem.

Holanda: Stekelenburg (1), Wiel (2), Vlaar (13), Mathijsen (4), Willems (15), De Jong (8), Vaart (23), Robben (11), Sneijder (10), Van Persie (16) e Huntelaar (9)
A selecção "laranja" entrou como jogou na 2a parte do jogo com a Alemanha: 5 elementos só preocupados com ataque, 2 com a defesa e 3 em situação "normal". Obviamente que isto partiu completamente a equipa e tal como não tinha criado muito contra a Alemanha, também não criou contra Portugal. Hoje ainda se notou mais a ineficácia desta tática porque Sneijder fez um jogou muito abaixo do seu nível.

Jogadores "só" de ataque
No futebol moderno, é um conceito que não devia existir. No entanto, Ronaldo e Postiga praticamente só tinham(/executavam) tarefas ofensivas e na selecção holandesa eram 5 os jogadores: Vaart, Sneijder, Robben, RVP e Huntelaar! Ganhou a equipa que tinha menos jogadores deste estilo, isto é, ganhou quem jogou mais como equipa em todos os momentos do jogo.

Paulo Bento
Decidiu manter o onze e aceita-se, apesar de Meireles já ter estado abaixo do seu nível nos outros jogos. Não era um jogo difícil. O talento individual é indiscutível, mas como conjunto os holandeses não são mais fortes que a Dinamarca. Então, acho que uma abordagem de posse de bola teria resultado muito melhor. Com a equipa partida, Portugal facilmente caía em situações ofensivas de 6/7-vs-5 no meio-campo holandês (um pouco como na jogada que deu o 1o golo). Mesmo em contra-ataque, a bola podia ter entrado mais vezes em Nani. Está em boa forma e a oposição (no 1-vs-1) não era de nível muito elevado. Quanto às substituições, não concordo com a entrada de Nélson Oliveira. Naquele momento do jogo, talvez tivesse apostado em Varela para fechar a lateral e dava o meio a Ronaldo. Varela é mais culto a nível defensivo e também é muito perigoso em transições rápidas (apesar de não concordar com esta abordagem, partindo do mesmo princípio do treinador, acho que Varela era melhor opção). Custódio também podia ter entrado mais cedo.

Bert van Marwijk
Não consigo perceber o que tentou fazer... Foi parecido com o que Jorge Jesus fez algumas vezes com o Benfica sem bons resultados (por exemplo, no jogo contra o Rio Ave que o Benfica empatou 2-2 após ter recuperado da desvantagem). Esta ideia de partir a equipa só funciona contra equipas muito mais fracas e com ritmo de jogo muito alto. Neste caso, nem o ritmo era muito elevado, nem o adversário era mais fraco. Mesmo sem criar muitas situações, quase não mexeu na equipa (medo da crítica no caso de tirar um elemento mais ofensivo por um mais defensivo) e quando mexeu foi para desequilibrar ainda mais a equipa (Afellay por Willems), ficando com 4 jogadores defensivos e 6 atacantes.

Conclusão
Jogo teoricamente fácil para a equipa das quinas, mas dificultado por uma má estratégia de jogo. Ainda assim, Portugal construiu muitas jogadas de perigo e o resultado podia ter sido mais volumoso. A Holanda estava muito desequilibrada e nunca conseguiu ser dominante como seria suposto olhando ao onze inicial. Portugal joga agora os quartos-de-final contra a República Checa e a Holanda volta para casa, certamente desapontada. O treinador holandês dificilmente continuará à frente da selecção.

domingo, 10 de junho de 2012

Euro2012: Espanha (1) vs Itália (1) - Análise

Onzes Iniciais e Desenhos Táticos

Setas com fim indicam algumas dinâmicas
Setas com início e fim indicam troca de posições
Espanha
Iniciou o jogo no que se pode descrever como um 4-3-3, mas difícil de integrá-lo na conotação típica devido à falta de extremos e ponta-de-lança fixo. Del Bosque procurou aproximar-se do Barcelona com David Silva a fazer de Messi. A grande dúvida era como a Espanha ia combater a falta de largura inerente aos jogadores que estavam em campo. A espaços foi resolvida pelas subidas de Jordi Alba, mas o treinador devia ter mexido mais na equipa (mais à frente volto a este assunto). De notar, também, a movimentação do meio-campo: era suposto Xavi jogar mais ao lado direito, mas como procura sempre organizar o jogo, percorreu mais zonas centrais e Busquets procurava ocupar a posição incial de Xavi. Xabi Alonso recuava para médio mais recuado e Iniesta aproximava-se de Xavi. Na frente, Cesc e Silva trocavam muitas vezes de posição.
Destaque individual da Espanha:
Iniesta
Itália
Prandelli optou por encher o miolo do terreno, usando 3 centrais e 3 médios num 3-5-2. O elemento "surpresa" foi De Rossi no trio defensivo, o que não é assim tão surpresa tendo em conta as declarações do jogador na conferência de imprensa de antevisão do jogo. A tática pareceu resultar muito bem para anular o jogo pouco largo dos espanhóis, mas ao nível atacante não teve muito efeito (pode-se discutir os méritos individuais da dupla atacante). É de esperar que Di Natale e Giovinco iniciem os próximos jogos nos lugares de Cassano e Balotelli. Na selecção italiana, também havia o problema da largura, pois só tinham 1 elemento em cada ala: Maggio na direita e Giaccherini na esquerda. Quando Marchisio saía a jogar nas transições oferecia procurava as alas e acabava por oferecer linha de passe nessa zona, mas do outro lado Thiago Motta era mais vertical.
Destaque individual da Itália:
Pirlo
Excesso de jogo pelo centro
Como se nota no desenho tático há um claro excesso de jogadores no centro do terreno. Quando a Espanha estava em posse, podiam-se contar 12 (!) jogadores nessa zona (entre o meio-campo e a área italiana): Busquets, Alonso, Xavi, Iniesta, Cesc, Silva, Pirlo, Marchisio, Thiago Motta, Chiellini, Bonucci e De Rossi.

Arbeloa
Podia ter sido uma das chaves do jogo para a Espanha. Atacou pouco e notava-se a falta de largura, principalmente do lado direito. Tendo em conta que Alonso e Busquets jogavam à frente dos 2 centrais, ambos os laterais podiam subir.

Maggio
Tal como Arbeloa, podia ter sido a chave para o sucesso da equipa italiana. Quando os ataques foram lançados pelo seu lado, foi muito perigoso, mas foi uma opção poucas vezes tomada.

Vicente del Bosque
Podia ter arriscado um pouco mais nas substituições sem perder o controlo do meio-campo e sem desequilibrar a equipa. Xabi Alonso por Pedro ou Santi Cazorla com Iniesta no meio podia ter feito a diferença.

Cesare Prandelli
Com a entrada de Torres e Navas na equipa espanhola, podia ter avançado De Rossi para o meio-campo e ter apostado numa tática próxima de um 4-4-2. Não era necessário tanto jogador na última linha defensiva e De Rossi podia dar uma ajuda a controlar e organizar o jogo a meio-campo.

Espanha vs 3-5-2
Será que esta tática vai passar a ser utilizada para anular o jogo interior espanhol? À partida parece uma boa solução. A forma de anular esta tática passa por tirar a bola do meio, dar muita largura ao jogo e criar situações 2-para-1 nas laterais (lateral e extremo vs lateral, por exemplo). Estas ideias são contrárias ao estilo de jogo praticado pela Espanha e sendo uma selecção idealista, é pouco provável que altere o seu estilo. Neste jogo, Del Bosque devia ter feito essa leitura e escolhido jogadores como Pedro e/ou Navas e um dos pontas-de-lança que tem disponíveis para fazerem parte do 11 inicial ou, pelo menos, deviam ter entrado mais cedo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Swansea - O Barcelona dos pequenos

A comparação foi feita pelo site whoscored. Não concordo totalmente, mas em termos de princípios de jogo quando tem a bola, percebe-se a semelhança.

11 Tipo


Bases
Posse de bola, certeza no passe por parte dos centro-campistas (o trio do meio-campo acaba muitas vezes o jogo com média de passes certos superior a 90% !), passes longos de Ashley Williams, integração no ataque dos laterais, Sinclair (/Routledge) ataca mais a baliza, Dyer mais na linha (não sei se por imposição tática ou pelo estilo de jogo dos próprios jogadores); o guarda-redes (Vorm) participa no jogo ofensivo (não chuta logo para a frente quando tem a bola, opta quase sempre pelo passe curto) e em organização defensiva, Britton junta-se aos centrais formando um trio.

Principais problemas
Falta de agressividade/pressão em zonas afastadas da baliza, obriga a equipa a fazer faltas em zonas perigosas; qualidade dos defesas não é muito alta (Williams é muito importante na manobra ofensiva, mas falha na defesa; Monk não tem muita qualidade e Britton, apesar de ajudar a fechar a zona também é mais forte em situação ofensiva do que em situação defensiva); poucos passes e movimentos de ruptura (Graham parece demasiado estático para esta ideia de jogo) e a posse de bola é normalmente feita longe das zonas de decisão (principalmente entre os 2 centrais e o médio mais defensivo). Numa nota mais pessoal, acrescento que não sou grande fã de Dyer.

Soluções
Um bom central para o lugar de Monk seria interessante: Coates (Liverpool) por empréstimo ou Ryan Donk (Club Brugge) a título definitivo, podiam ser soluções a pensar. Steven Caulker que está no plantel por empréstimo do Tottenham também podia ser aposta mais frequente.
Com um central de maior qualidade, talvez não fosse necessário um médio defensivo mais forte a nível defensivo, mas Diamé (Wigan) podia ser pensado.
A entrada de Routledge por Dyer pode fazer com que a equipa consiga criar mais perigo (Routledge faz mais passes "a rasgar" e faz mais diagonais linha-área do que Dyer).
Para a frente de ataque, podia ser interessante pensar num jogador de escola holandesa ou espanhola (maior cultura de movimentos), por exemplo: Soriano (Barcelona B) ou jogar com Dyer ou Sinclair numa posição central para aproveitar a velocidade.
Os problemas de falta de pressão e passes/movimentos de ruptura parecem-me mais questões de treino do que de falta de jogadores capazes e não quero extender a análise a esse nível.