Estava a ver o jogo Shakhtar Donetsk vs Roma e gostei muito de ver dois jogadores: Gonzalo Villar da AS Roma e Manor Solomon do Shakhtar Donetsk.
Dois estilos muito diferentes, Villar mais simples e completo; Solomon com uma facilidade tremenda no drible, capaz de desequilíbrios em cada jogada.
Villar, nascido em 1998, tem hoje 22 anos (faz em dias 23). O espanhol, chegou à Roma do Elche. Médio centro, joga num meio-campo a dois, normalmente ao lado de Veretout. Pelas suas capacidades pode jogar seja como médio mais recuado ou como mais criativo.
Solomon, nascido em 1999, hoje tem 21 anos. Isrealita, chegou ao Shakhtar vindo do Petah Tikva no início de 2019. Joga como extremo no 4-3-3 de Luís Castro. 5 golos em 15 jogos na Liga Ucraniana não é muito, mas certamente que tem qualidade para aumentar a produção.
Como agora tenho andado de volta das estatísticas, peguei nos dados do FBREF dos 500 jogadores com mais minutos das 5 ligas analisadas (Inglesa, Alemã, Espanhola, Italiana e Francesa) e fui explorar que tipo de ações tinham os jogadores durante o jogo:
Dividi em 3 partes: ações ofensivas, ações defensivas e ações de transição.
Ações Ofensivas: contei os remates tentados, passes tentados, dribles tentados e "carries" (número de vezes que um jogador controla a bola)
Ações Defensivas: desarmes, pressões, bloqueios, intercepções e alívios
Ações de Transição: Recuperação de bolas "soltas", duelos aéreos ganhos e perdidos
Olhando ao geral temos em média: 83 ações ofensivas, 16 defensivas e 11 de transição, com um total de 110 ações.
Dividindo por posições (aqui só selecionei os jogadores que a base de dados define claramente como guarda-redes, defesas, médios ou avançados)
GR: mínimo de 87% de ações ofensivas e máximo de 94%, só as transições têm alguma impacto variando entre 6% e 13%
Nos jogadores de campo, as variações são bem maiores, com diferenças percentuais entre mínimos e máximos entre os 29% e 34% para ações ofensivas, 22 a 25% para ações defensivas e 16 e 17% para ações de transição.
Em média temos:
DF: 75-15-10 (média de 128 ações)
MF: 72-18-10 (média de 131 ações)
FW: 70-18-12 (média de 86 ações)
Relevância disto: grande parte das ações no jogo são executadas com bola. Entre 25 e 30% das ações são sem bola.
Seguindo a análise estatística já iniciada no post anterior, fui agora procurar jogadores em destaque que não tivessem um valor muito alto de mercado (abaixo de 10M € no transfermarkt) e dentro dos sub23.
Dentro das 5 ligas abordadas no fbref.com, e tendo em conta as divisões feitas no site, chamaram-me a atençao os jogadores:
- Ibrahima Niane, Metz, nascido em 1999, avançado. 6 jogos, 6 golos. Acima de 3 remates por 90 minutos, 1,50 remates à baliza e 0,25 golos/remate também é uma média interessante. A melhorar na secção de remate parece ser a opção de quando remata: 0,12 npxG/remate (isto é, 12% de expectativa de golo fora penáltis por remate). A provar isto a diferença entre golos esperados (xG) e golos também é bastante alta. Por norma é um bom indicador de bons finalizadores: não precisam de grandes expectativas para marcarem golos. Não participa muito na criação e a percentagem de passes completos podia ser mais alta (71%). Não é dos jogadores mais ativos na pressão, mas estes valores também estão muito condicionados pelas ideias de jogo da equipa. O jogo aéreo tem valores interessantes com 4,62 ganhos por 90 minutos e 50% de sucesso. Perdas de bola por falha no controlo são um ponto a melhorar.
Valor no Transfermarkt: 9.00M €
- Romain Faivre, Brest, nascido 1998, extremo. 19 jogos, 4 golos, 3 assistências. 9º de todos os jogadores em passes para remates, expetativa de assistências acima do número efetivo de assistências, o que indica que está a criar mas não está a ser ajudado pelos finalizadores dos seus passes. 4º das 5 ligas em ações criadoras de remate, que mais uma vez não tem conversão para ações criadoras de golo. Muito desta criação vem de bola parada. 4 ações defensivas no último terço podem ser aumentadas, mas tal como com o Niane, podem estar relacionadas com a estratégia da equipa. 10º em progressão em drible de todos os jogadores e mais de 3 dribles por 90 minutos. Na bola aérea não é mau, mas não é expectável que marque a diferença neste ponto. 78% de passes certos, é relativamente bom para extremo, mas ainda assim contribui para 10 perdas de bola por jogo. 8 recuperações por 90 minutos ajudam a compensar.
Valor no Transfermarkt: 8.00M €
- Nicolas Dominguez, Bologna, nascido em 1998, médio centro. Muitos passes para o último terço, muita progressão, mas ainda pouca criação (ainda não teve nenhuma ação criadora de golo). O que realmente chama a atenção em Dominguez é o trabalho defensivo. Quase 10 ações por 90 minutos entre bloqueios, desarmes e interceções. 6,80 só em desarmes e interceções (para comparação, Kanté tem 5.83). Perto de 86% de passes completos é um número bastance apreciável. Acerto alto nos dribles (também nos 86%) ainda que em pouco mais de 1 por 90 minutos, com 1 jogador ultrapassado por drible bem sucedido. No jogo aéreo, 2 duelos ganhos por 90 minutos com 63% de sucesso. Em relação ao balanço entre ganhos e perdas de bola, o saldo é positivo, muito ajudado pelas mais de 12 recuperações por 90 minutos.
Valor no Transfermarkt: 10.00M €
- Loic Bade, Lens, nascido em 2000, defesa central. O jogador que mais me impressionou. 87% de acerto no passe, que são reduzidos por algum excesso de passes longos (27% dos passes que faz são longos, com 76% de acerto). No passe de média distância tem 92% de acerto. Naturalmente a criação não é o forte do seu jogo quando comparado aos restantes, mas com valores de progressão de passe bem altos (ainda que precise de melhorar para chegar aos níveis dos jogadores de top - a redução de passes longos deverá ajudar). A parte defensiva é naturalmente o seu forte: 55% de sucesso nos desarmes contra drible, 3 desarmes por 90 minutos, 43% de pressões bem sucedidas e acima de 7 ações de bloqueio, desarme e interceções por 90 minutos. Menos de 1 drible por jogo, mas com 100% de sucesso e com 1 jogador ultrapassado por drible. No jogo aéreo, também é impressionante com 72% de sucesso em 4,50 ganhos por 90 minutos. 8,73 perdas de bola por 90 minutos (em que 8,07 se referem aos passes já abordados) é muito bom, com 13,40 recuperações por 90 minutos dá um saldo positivo.
A partir de um post numa rede social onde se perguntava quem era o jogador mais similar a Messi, iniciei uma busca pelas estatísticas.
O processo foi bastante simples :
1. A partir dos dados do fbref.com, retirei os valores de posse (/drible), passe e criação de golo e remate de todos os jogadores das ligas inglesa, alemã, espanhola, italiana e francesa da época 19/20.
2. Dentro da liga espanhola, procurei em que estatísticas Messi estava no top 15 da Liga. Todas normalizadas por cada 90 minutos jogados.
3. Calculei o quadrado das diferenças de todos os jogadores dessas ligas em relação ao Messi para estas mesmas estatísticas.
Antes de apresentar o resultado final, mostro só as estatísticas em que Messi se evidencia:
Apenas os "megs" (bolas pelo meio das pernas do adversário) não estão por 90 minutos, mas em total por época.
De notar que também não atribuí pesos (/importância).
Resultados:
1. Neymar (60.99%)
2. Angel Di Maria (125.17%)
3. Jadon Sancho (141.53%)
4. Papu Gomez (173.04%)
5. Josip Ilicic (186.83%)
Comentários:
A aproximação de Neymar é impressionante. São muitas estatísticas similares e muito distanciado do segundo mais parecido.
Di Maria, Papu e Ilicic já com mais de 30 anos, mas com excelentes épocas.
Jadon Sancho, do outro lado da balança, com apenas 19 anos e após uma época fantástica com 17 golos e 16 assistências na Liga Alemã, a mostrar que é já um dos melhores do mundo.
Alguns nomes a ter em conta:
Paulinho, Leverkusen - A conta com uma rotura de ligamentos, pode prejudicar a carreira, mas como é novo, ainda tem tempo para recuperar.
Emi Buendia, Norwich - Desceu com o Norwich ao Championship, mas prevê-se que voltem a subir. Ainda assim, haverá projetos interessantes, certamente.
Angelo Fulgini, Angers - Ainda no Angers, apresenta valores interessantes no drible. Joga habitualmente no meio-campo.
Sub21 na lista (diferença inferior a 500%) ainda não falados: Callum Hudson-Odoi, Mbappé, Giovanni Reyna, Odegaard, Havertz, Kulusevski, Riqui Puig, Moussa Diaby e Yacine Adli.
Partindo do jogo Man City vs Arsenal de 17/10/2020, segue o lance do primeiro golo do City
1. Começando pelo posicionamento das equipas:
Man City em organização ofensiva: 4-4-2/3-1-4-2: Ederson; Walker DD, Rodri entre MD e DC, Rúben Dias DC, Aké DE, Cancelo e Bernardo como "8", Mahrez e Foden nas alas, Sterling e Aguero na frente.
Man City em organização defensiva 4-4-2: Cancelo baixa para lateral, Rodri a par de Bernardo, Walker como central.
Arsenal em organização ofensiva 4-3-3/4-4-2: Leno, Bellerin DD, Tierney DE, Gabriel e David Luiz DC, Ceballos MD, Xhaka MCD, Saka entre MCE e EXE, Pepe EXD, Aubameyang entre EXE e PL, William mais solto na frente entre 10 e PL
Arsenal em organização defensiva 5-2-3: Tierney recua para 3º central, Saka fecha a ala, Ceballos e Xhaka no meio.
2. Sobre o lance do golo: Xhaka sai no Rodri, Ceballos fica como pivô, centrais do Arsenal tinham indicação para seguir movimentos de apoio de Sterling e Aguero, por isso, Gabriel seguiu Aguero. Rúben Dias descobre Mahrez na ala, ultrapassando logo os 3 da frente e os 3 do meio-campo (Gabriel em vez de Ceballos).
Imagem 1
Imagem 2
Arsenal repõe a linha defensiva com Ceballos, mas muita distância entre linhas. E atente-se a Xhaka na Imagem 1 e Imagem 2. Dias sem pressão, vai fazer o passe para uma zona nas costas dele e a orientação corporal e dos apoios ainda é em relação a Rodri.
Imagem 3
Na imagem 3 dá para ver a distância entre linhas e também a distância de Xhaka à zona de ação do jogo.
Imagem 4
Ceballos vai saltar no Aguero e falha a interceção, deixando o argentino em 3x3 com Foden à esquerda e Sterling à direita, Gabriel, David Luiz e Bellerin à frente dele. Aguero progride, fixa o David Luiz e quando Bellerin fecha para dar cobertura a David Luiz, Aguero passa a Foden; Foden desequilibra no 1x1 com Bellerin, consegue o remate; Leno defende para a frente e Sterling marca na recarga.
Da imagem 1 em que Gabriel e Xhaka estão quase em linha, até ao final da jogada em que Gabriel recuperou até à última linha e Xhaka recuperou a passo e ficou à entrada da área, para além do erro na orientação corporal, a displicência na recuperação. A este nível são este tipo de pormenores que decidem jogos. A rever por Arteta.