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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Real Madrid e a substituição de Cristiano Ronaldo

Muito se tem falado sobre a falta de substituição de Ronaldo como a causa da má época do Real Madrid. Não concordo. Sim, a época do Real Madrid falhou redondamente e sim, não houve uma compra "direta" para o lugar de Cristiano Ronaldo.

Mas vejamos as alterações no ataque do plantel do Real Madrid da época anterior para esta:

Saídas: Cristiano Ronaldo (117M) e Borja Mayoral (Empréstimo). Total: 117M €

Entradas: Vinícius Júnior (45M), Mariano Diaz (21,5M); em Janeiro Brahim Diaz (17M) e já ficou acertado a entrada de Rodrygo para a próxima época (45M). Total: 128.5M €

(Nota: Valores retirados do site transfermarkt.)

Os valores não andam muito longe um do outro. Foi uma clara estratégia do Real, eventualmente do seu treinador no momento, presidente ou algum director. Uma estratégia de médio/longo prazo pelos jogadores contratados, mas que seria colmatada a curto prazo com subidas de rendimento dos jogadores que faziam parte do plantel, nomeadamente a suposta nova frente de ataque: Asensio, Benzema e Bale. Aqui, sim foi onde tudo falhou. Dos três, apenas Benzema teve uma clara subida de rendimento.

Ficam os dados do WhoScored para os jogadores envolvidos:


Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Benzema 2017/2018 25 (7) 5 10 7,00
2018/2019 32 (1) 21 5 7,47

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Bale 2017/2018 20 (6) 16 2 7,49
2018/2019 19 (8) 8 3 6,89

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Asensio 2017/2018 19 (13) 6 6 7,02
2018/2019 18 (8) 1 4 6,90

Como se pode ver, também os números refletem essa ideia. Benzema com menos assistências e mais golos, aproveitou espaço vago do protagonista anterior para. Bale com metade dos golos e as mesmas assistências em praticamente o mesmo número de jogos e Asensio com muito menos golos e menos assistências, com quase o mesmo número de jogos a titular (ainda que tenha entrado em campo menos vezes).

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Ronaldo 2017/2018 27 26 5 7,94
Mayoral 3 (11) 3 1 6,52
Total
30 (11) 29 6

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Vinícius Jr 2018/2019 8 (7) 2 0 6,79
Mariano 1 (10) 1 0 6,23
Brahim 1 (3) 0 1 6,41
Total
10 (20) 3 1

Depois, a comparação entre os 2 que saíram e os 3 que já entraram. Naturalmente, nenhum chega perto das estatísticas de Ronaldo, mas o mais interessante é que a contribuição para golos dos 3 novos jogadores é igual à contribuição de Mayoral na época passada, com uma grande diferença em tempo de jogo (10 a titular + 20 entradas dos novos contra 3 + 11).

E não acrescentei à lista dois jogadores que também baixaram muito de rendimento e têm muita contribuição ofensiva: Isco e Lucas Vázquez.

Resumidamente, foi uma estratégia que a curto prazo claramente falhou, não só pelos jogadores, mas também pelas opções tomadas a nível de staff técnico.

Para a próxima época, fica um plantel naturalmente sem um jogador do calibre de Ronaldo, mas nem por isso de baixa qualidade e não esquecendo que De Tomás (29 jogos, 14 golos no actual último classificado da Liga Espanhola) e James Rodriguez têm os seus empréstimos a finalizar e quem sabe poderão ser boas adições a custo zero.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

É sempre bom ler o que Valdano escreve, mas...

Correm na Internet algumas declarações de Valdano aquando da apresentação do seu novo livro (OJOGO, Goal.com,...). Entre outras coisas, cita-se:

"[Lionel Messi] É Maradona todos os dias. No outro dia dizia a um jornalista que há cinco anos que ele vive em junho de 1986. Desde há cinco anos que ele é o Maradona do Mundial do México"

"No le echemos la culpa a Messi de vivir en otro momento histórico. Es extraordinario como pocas veces hemos visto"

Cristiano Ronaldo é o "maior exemplo que existe no mundo de profissionalismo, sentido de perfeição e ambição"

"Perante esse exemplo [que Cristiano Ronaldo dá] temos de tirar o chapéu, e perante o seu futebol então nem falar", disse Valdano, para quem "um jogador que marca 70 golos por ano no Real de Madrid apenas teria como rival Alfredo di Stefano... ou Raul, como símbolo".


Mas... faz uma declaração com a qual não concordo inteiramente:
"Messi deve muito mais ao seu pai e à sua mãe do que deve Cristiano Ronaldo aos seus pais, mas o Cristiano é melhor a cada ano que passa porque se propõe ser melhor e trabalha para ser melhor".

Sinceramente, não acredito em talento inato. Admito que exista alguma predisposição, mas talento a este nível não é fruto disso. Messi joga como joga porque treinou e jogou muitas vezes, porque foi levado ao limite muitas vezes, no fundo, porque teve que se superar muitas vezes. Já agora, Messi tem 2 irmãos mais novos, e segundo consta em algumas publicações, era "picado" (para não usar outros termos) sempre que perdia. E também por essa competição em casa Messi tornou-se melhor. Tal como Michael Jordan disse sobre os irmãos no discurso de entrada no "Hall of Fame".
Acredito que a maior diferença nos "tipos de talento" (se é que se pode usar esta designação) prende-se com o tempo em que decorreu a evolução. Messi evoluiu muito cedo todos os aspectos técnicos e morfologicamente pouco se alterou. Já Ronaldo, teve uma evolução enorme num curto espaço de tempo e alterou muito a sua morfologia. Não o faz pior, mas faz com que pareça um talento "treinado" enquanto Messi parece ter nascido com o dom.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Seleção Portuguesa: Alguns problemas

Chega ver o golo sofrido com cuidado para se perceber quais são os maiores problemas da nossa seleção.

Problema 1: Controlo do espaço "6". Falta controlo sobre o espaço à frente da defesa. Nem Veloso, nem Amorim conseguiram resolver isso. Facilmente se pode ver isso pela clareira à frente dos 4 defesas. Mais estranho é o jogador mais próximo ser Cristiano Ronaldo que não é de todo conhecido pelo apoio à defesa (que veremos a seguir). Robben aproveitou diversas vezes este problema para aparecer sozinho no meio.

Problema 2: Controlo de largura. Veja-se a posição de João Pereira (JP) no início do lance e a consequente distância entre jogadores. Quando a bola entra no meio, JP é obrigado a sprintar para não ficar fora do lance.

Espaço "6" desocupado e pouco controlo de largura
Problemas 3 e 4: Leitura de situações de jogo e agressividade. Este caso volta a estar ligado com o problema 1. Compare-se a posição de Veloso nas imagens seguintes. Primeiro à entrada da área, à frente da defesa. Tal como defendo que deve fazer. Depois, quase na linha de Pepe e JP. Não faria cobertura a Neto no caso de ser ultrapassado no 1vs1, não retira nenhuma linha de passe, nem protege o espaço à frente da defesa (das duas, uma: ou fecha o espaço entre Neto e Pepe e outro jogador ocupa a posição à frente da defesa ou então deixa-se ficar nesse espaço). Repare-se também em Coentrão. Com a bola na posse do adversário mais perto da baliza do que ele, recupera a posição em jogging... Mais, a bola passa entre ele e Veloso para chegar ao marcador do golo! Pelo meio tem tempo para olhar para o árbitro auxiliar para ver se ele marca fora-de-jogo... Por fim, Cristiano. Repare-se na imagem acima e agora na primeira imagem abaixo. Era o jogador mais próximo da linha de 4 defesas, mas permaneceu imóvel. Limitou-se a observar o decorrer da jogada.
Ronaldo ainda no mesmo sítio e Coentrão a passo

Veloso não faz cobertura a Neto, nem retira linha de passe.
Coentrão continua a passo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Porque é que as seleções se sujeitam a isto?

Não percebo como Portugal e Argentina aceitam jogar no Gabão e na Arábia Saudita a meio da temporada. Não me convence que 1M€ (pelo menos para Portugal rondou esse valor) pague uma viagem longa, situações desconfortáveis fora do campo (como a cena vivida por Messi), maus relvados, climas totalmente diferentes e, falando de futebol, desafios pouco interessantes. Tudo isto a meio da temporada. E estamos a falar das 2 seleções com maiores motivos de interesse do mundo (Ronaldo e Messi, naturalmente).

Messi na Arábia. E se Ronaldo tivesse ido ao Gabão?