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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Abordagens ao mercado - AS Monaco e as possibilidades

Com fundos quase infindáveis, o AS Monaco quer tornar-se rapidamente uma potência a nível mundial. No entanto, joga numa liga que não tem o mediatismo de outras ligas (inglesa e espanhola, principalmente) e este ano a equipa não participa na Liga dos Campeões. Para já, a abordagem ao mercado tem sido no sentido de conseguir jogadores de Top seja a que custo for. Falcao, James Rodríguez, Moutinho e Carvalho já estão garantidos e mais virão.
O que proponho neste texto é mostrar que havia outras hipóteses com custos mais baixos que tornariam a equipa competitiva no mercado interno e só a necessitar de alguns ajustes para mais tarde (num prazo de 2/3 anos) ser capaz de discutir fases avançadas das competições europeias.

Começando pela equipa que findou a época

Mónaco contra o Tours (último jogo da época)
Algumas alterações face ao 11 base, mas sistema mantém-se

Joga em 4-4-2 (4-4-1-1), com extremos criativo (Nabil Dirar, Ferreira-Carrasco), duplo pivô constituído por um jogar mais posicional/defensivo (Mendy) e um jogador de organização/transição (Obbadi) e na frente um PL fixo (Touré) e um segundo-avançado móvel (Germain).

Passando às abordagens ao mercado, vou enumerar 3. Não refletem todas as possibilidades naturalmente, mas opções que os diretores desportivos em conjunto com os treinadores podem tomar.

1. Mercado Interno

Tem um lado desportivo interessante pois todos os jogadores conhecem o campeonato e os treinadores têm um maior tempo de observação. Por outro lado, tem a vertente estratégica: anula a competição. A ideia passa por retirar os melhores jogadores às equipas concorrentes. Poderia passar por:

Jogadores da Ligue 1, maioritariamente franceses.
Entre eles contam-se 57 golos (G) e 62 assistências (A) só em jogos da Liga.

2. Descidas

Havendo muito talento, é natural que alguns jogadores de grande nível acabem por estar incluídos em equipas que descem de divisão. Com o objetivo de reduzir custos com pessoal e não ter profissionais desmotivados, é natural estas equipas venderem os seus jogadores a preços relativamente baixos. Olhando apenas às descidas das ligas alemã, italiana, inglesa e espanhola, temos:

Aproveitamento das descidas.
Naturalmente, que estatisticamente é uma equipa pior, não se
traduzindo diretamente numa menor qualidade dos jogadores:
23G, 26A.

3. Mercados Baratos

Ainda dentro do mercado europeu e de topo, há 2 mercados interessantes que têm preços relativamente baixos e têm sido inclusive aproveitados por outras ligas (inglesa e ucraniana, principalmente). Falo da Liga Holandesa e da Espanhola (fora as equipas da CL). Talento não falta, uma seleção possível é:

Ligas Espanhola e Holandesa. Muito talento a preço razoável.
68G, 61A. Impressionante estatisticamente, principalmente os 4 da frente (59G, 46A).

Nota: Não fiz um trabalho muito grande de pesquisa e observação. Obviamente que quanto maior o tempo despendido nestas 2 tarefas maiores seriam as probabilidades de descobrir talento a preços ainda mais baixos. Outra coisa que importa esclarecer é que este texto cinge-se ao mercado europeu, havendo muitos jogadores capazes e que representariam um bom investimento noutros mercados, nomeadamente o sul e centro americano. Por último, em cada abordagem ao mercado foram escolhidos apenas 11 jogadores. Naturalmente, muitos ficaram de fora e podiam muito bem fazer parte. Não é por não estarem nestas propostas que acho que não teriam qualidade para estarem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"É muito melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço justo, que uma empresa normal a um preço maravilhoso"

Contextualização

A frase é dita por Warren Buffet e é uma das suas regras de gestão de empresas. Este texto parte dessa frase (revelada num artigo do jornal i) para analisar as várias perspectivas de mercado dos clubes de futebol.

Durante muito tempo, as equipas portuguesas compravam muitos jogadores a preço baixo na esperança de uma grande valorização que seria transformada em retorno financeiro. Ainda agora, muitos negócios se fazem nessa base, mas será a melhor opção?

Jogadores baratos vs Jogadores caros

Proponho a análise de alguns casos de jogadores "caros" (custo superior a 5M€) e "baratos" e o seu rendimento de Porto e Benfica. Procurei só os pontas-de-lança por ser mais fácil a sua análise através das participações em golos.

Porto
Jackson Martínez - 8.5M€ - Titular, 10 jogos, 9 golos, 2 assistências (na liga)
Kléber - 3.5M€ - Suplente, 25 jogos, 9 golos, 2 assistências
Janko - 2M€ - Vendido por 2.5M€, 10 jogos, 4 golos
Walter - 6M€ - Emprestado ao Goiás, 19 jogos, 7 golos, 1 assistência

Benfica
Lima - 4M€ - Titular, 6 jogos, 6 golos, 1 assistência
Franco Jara - 5,5M€ - Emprestado ao San Lorenzo, 27 jogos, 6 golos, 4 assistências
Rodrigo -  6M€ - Suplente (em rotação com os titulares), 30 jogos, 13 golos, 5 assistências
Rodrigo Mora - csuto zero - Emprestado ao River Plate, 1 jogo

Participações directas em golos aumentam com o custo de um jogador?

Relação entre Participações em Golos por jogo (PGJ) e Custo dos jogadores
(linha a vermelho - média de PGJ; verde - média custo)

Antes de mais, é de notar que a amostra é pequena, logo não é representativa da realidade e, como tal, a fiabilidade desta leitura é questionável. Ainda assim, e apesar de não haver uma relação linear com uma linha de tendência representativa, é de notar que há uma tendência positiva nesta relação. Se retirar o elemento mais afastado da linha de tendência (Lima), o coeficiente de determinaação (R2) sobe para 0.75.

A mesma relação, sem Lima

Conclusão

Podemos então concluir, que há alguma relação entre o que se paga e o rendimento de um jogador, mas que há excepções que comprometem a ideia. Isto é, pagar um preço justo por algo que sabemos que é bom é uma boa filosofia, mas não é não é impeditivo de uma boa compra ser feita a um preço baixo (como foi o caso de Lima, por exemplo).
Faltava analisar em termos de preço de venda, visto que as equipas portuguesas além de rendimento desportivo, procuram mais valias financeiras que não estão necessariamente relacionadas. Isso ficará para outro texto.