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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Notas sobre Krasnodar

Vi o jogo Krasnodar-Sochi (está disponível no youtube) e ficam algumas notas:

Jogaram em 4-2-3-1/4-4-2
4 defesas - Petrov DD, Ramirez DE, Martynovich DCD, Spajic DCE.
Ramirez mais ofensivo que Petrov.
Centrais confortáveis com bola, mas passe longo vai para fora.
Kambolov como pivô. Dá cobertura aos defesas e junta muito fazendo linha de 3.
Vilhena box-to-box, às vezes procura ala e troca com o extremo.
Wanderson EXD aparece muito no meio perto do PL.
Namli EXE aparece mais em apoio aos MC.
Ari solto atrás do PL, baixa para participar na construção.
Ignatiev como PL.

Será de esperar Cabella e eventualmente Olsson contra o Porto. Namli o mais provável a sair, tal como Ignatiev.

Gazinskiy e Claesson lesionados são grandes baixas.

Muita referência HxH. Mobilidade dos avançados do Porto pode fazer estragos.
Muito susceptíveis a contra-ataques. Deixá-los subir e depois pressionar/recuperar para os apanhar desposicionados parece boa opção. Fraca reação à perda de bola. Normalmente acabam a defender com 3/5 (DCs, MD, e eventualmente os laterais)
Alas trocaram de lado a meio da primeira parte. Wanderson pega mais na bola e faz diagonais com bola.
Por vezes Kambolov junta-se aos centrais e faz defesa a 3, Vilhena encosta ao lado esquerdo e não fica ninguém entre centrais a trocar bola e avançados (equipa parte em 4+Petrov+5)

Canto Defensivo HxH mais 1 no primeiro poste e 1 alinhado ao primeiro poste, mas fora da pequena área.

É uma equipa pouco trabalhada coletivamente, mas com bons valores individuais. Cabella, Ari, Wanderson e Vilhena fazem muitos estragos sozinhos. Ignatiev também tem instinto de PL, posiciona-se bem na área e reage muito rápido. É preciso ter cuidado com remates de longe, porque Ignatiev chega primeiro na recarga.

domingo, 26 de maio de 2019

Porto e a (in)felicidade do fim de época

Tem ecoado em comentários nas redes sociais a felicidade pelo fim de uma época sem títulos do Porto. Duvido de tal justificação para a felicidade, pois na minha opinião, o que se avizinha não dá razões para isso.

Começando pelo onze base que terminou a época: Casillas, Militão, Felipe, Pepe, Telles, Danilo, Herrera, Brahimi, Corona, Marega e Soares.

1 - Casillas deverá terminar a carreira
2 - Militão já está vendido
3 - Fala-se na venda de Felipe
4 - Também na de Telles
5 - Herrera termina contrato
6 - Também Brahimi
7 - Também é provável a venda de Marega

Fica Pepe com 36 anos, Danilo (e a sua venda já foi falada no ano passado), Corona e Soares.

Dos suplentes, também Maxi, Hernani, Adrián e Fabiano não deverão fazer parte da equipa.

Sobra então por posição:
GR: Vaná
DD: Manafá
DE: ?
DC: Pepe, Mbemba, Diogo Leite
MD: Danilo, Loum
MC: Oliver, Bruno Costa
EX: Corona, Otávio
PL: Soares, Aboubakar, Fernando Andrade, André Pereira

Da equipa B, fora os já abordados Diogo Leite e Bruno Costa, pouco sobrará para fazer a transição. João Pedro esteve bem, mas nunca foi opção para Sérgio Conceição. Alguns poderão ser opção para o banco, mas dificilmente algum será titular. Dos júniores, a transição, à partida, será para a equipa B antes de passarem à A.

Ainda assim, acredito que Oleg Reabciuk, João Pedro, Diogo Queirós, Romário Baró, Marius e Diogo Costa deverão fazer a pré-época.

Dos empréstimos, Osorio, João Costa, Galeno, Jorge Fernandes e Sérgio Oliveira devem também fazer testes.

Resumindo tudo, a pré-época (fora compras), começaria com:

GR: Vaná, Diogo Costa, João Costa
DD: Manafá, João Pedro
DE: Oleg Reabciuk
DC: Pepe, Mbemba, Diogo Leite, Diogo Queirós, Osorio, Jorge Fernandes
MD: Danilo, Loum
MC: Oliver, Sérgio Oliveira, Bruno Costa, Romário Baró
EX: Corona, Otávio, Galeno
PL: Soares, Aboubakar, Fernando Andrade, André Pereira, Marius

Supondo um onze inicial com Vaná // Mbemba, Pepe, Osorio, Manafá // Otávio, Danilo, Oliver, Corona // Aboubakar, Soares ; é um onze não muito mais fraco do que este ano, mas cada vez mais fraco e muito mau quando comparado ao onze que AVB e Vítor Pereira tinham à disposição há não muitos anos atrás, por exemplo.

Claramente é uma equipa com necessidade de compras para o onze inicial, sobretudo para as laterais, extremos e mesmo para avançado (Fernando, André e Marius não são solução para o onze inicial, Aboubakar tem tido muitos problemas com lesões e Soares não é um jogador de qualidade indiscutível).

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Notas do futebol português

Rio Ave

Já tinha falado num texto anterior do trabalho de Nuno Espírito Santo. Tenho-o em muito boa conta. Ainda assim, no jogo contra o Sporting notaram-se algumas falhas a defender o jogo exterior (distância entre lateral e central é grande e permite 1x1 sem cobertura como foi o caso do primeiro golo) e acima de tudo alguma dificuldade no ataque: pouca preocupação em fazer a transição ofensiva pelo corredor central e muita dificuldade em organização ofensiva (também pela diferença de qualidade individual).

Sporting

Muitas dificuldades em criar problemas a uma equipa bem organizada (não querendo tirar mérito ao trabalho de Leonardo Jardim). Muito jogo exterior e quando as coisas não resultam, bola na cabeça do Slimani até entrar. Tem corrido bem.
André Martins longe da construção e muito próximo da área. Tira-lhe bola, tempo e deixa-o muito vulnerável aos confrontos físicos. Não é, de todo, a melhor posição para ele. No próximo jogo Adrien estará de fora e eu apostava em André na sua posição e Vítor a "10".


Porto

Paulo Fonseca deve ter os dias contados. Os resultados não aparecem e a equipa comete imensos erros. É um treinador jovem e com uma ascensão rápida. Algum tempo fora dos bancos poderá permitir-lhe ver os erros que a equipa cometia e corrigir o modelo e os métodos. Poderá voltar (se sair, claro) a um dos grandes e ter resultados completamente diferentes em pouco tempo.
Continuando o tema, se Paulo Fonseca é problema, então quem é solução? Difícil encontrar alguém para o lugar. Carvalhal está no Al-Ahli dos E.A.U.; em Portugal, Nuno E.S. e Marco Silva devem querer acabar a época; sem equipa, só Carlos Brito que nunca apresentou resultados ou processos fora do comum e o recém despedido Jesualdo que não deixou saudades aos adeptos portistas; em casa, Luís Castro (equipa B) não fascina e pouco se viu de Capucho (júniores).
Uma bota difícil de descalçar...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Ver Quintero na B para perceber porque não resulta na A

Nem na B, diga-se. De início, Quintero não serve de muito. Parece só existir uma opção: passe em profundidade. Os passes são todos no espaço, não há um passe para o pé. Estranhei ainda mais tão pouco drible para alguém tão dotado...

Quando entra parece outro jogador. Não é. Simplesmente tem o jogo a seu gosto. Normalmente: Porto a dominar, posse de bola perto da área adversária e muitos jogadores há procura de um passe de rotura. 90 minutos disto, não dá.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Liga Portuguesa: Porto (2) vs Braga (0) - Notas

Só hoje consegui ver um pouco do jogo. Escolhi ver a segunda parte pela discussão que se gerou em torno do sistema usado.

1. Porto em 4-3-3 ou algo parecido... Paulo Fonseca terá dito no final do jogo que não alterou o sistema. Possivelmente não deu essa indicação aos jogadores, mas o que foi interpretado por eles em ataque não foi um duplo pivô, Defour mais recuado e Herrera e Carlos Eduardo à frente. Noutros jogos em que o Porto alinhe só com um pivô gostava de ver Lucho no lugar de Defour. Acredito que devidamente apoiado (Herrera-Eduardo parece funcionar bem) seria uma boa posição para ele.

2. Nunca gostei das substituições de Jesualdo e a minha opinião mantém-se. Com a alteração no meio-campo do Porto, o Braga não tinha controlo nenhum sobre o jogo e Jesualdo troca Custódio por Luíz Carlos e Hugo Vieira por Rafa. Escrevo isto antes de ver o que acontece a seguir à substituição, mas posso apostar: pouco muda. Ao contrário de Luíz Carlos, Custódio não é um jogador agressivo e de transições. O trinco português certamente que estará mais confortável numa linha mais recuada, mas faz com que a equipa baixe ainda mais o meio-campo. Com a entrada de Hugo Vieira, declara o contra-ataque como única forma de chegar ao golo. A minha solução: entrada de Custódio para o lugar de Alan e alteração para 4-4-2 losango com Rafa a "10". Possivelmente a troca de Pardo por Hugo Vieira ou Agra, porque não conheço muito bem o colombiano.

3. A alteração no Braga não foi exactamente como pensava. Alan passa para a esquerda, Hugo Vieira encosta na frente: 4-4-2 é evidente. Se achava que não era a melhor opção manter o número de jogadores no meio-campo (e em corredor central), diminuir então...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O que pode Ghilas dar ao Porto?

Foram só 45 minutos de jogo e poucos treinos antes do jogo, mas Ghilas já mostrou as suas qualidades: explosão em desmarcações curtas, força e golos. Vai dar trabalho a Jackson.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Porto e Benfica: Gastos no Plantel - Parte 2

Partindo do comentário do Roberto Baggio no texto anterior, decidi escrever um texto para o complementar com uma visão mais subjetiva da situação.
Então concordas que com um maior investimento na defesa, o Benfica seria candidato a champions? Tal como se fosse o Porto a fazer uma maior investimento no ataque?

Champions

Olhando aos plantéis e modelos de jogo dos participantes na CL, há 4 equipas que me parecem com clara capacidade de lutar pelo título no próximo ano como principais candidatos: Bayern de Guardiola, Dortmund de Klopp, Man City de Pellegrini e Chelsea de Mourinho. Numa segunda linha, devido às manifestas fragilidades defensivas: Barcelona de Villanova e o Real Madrid de Ancelotti. Outras equipas também poderão ser candidatas dependendo da evolução do mercado e do modelo de jogo como a Juventus de Conte (com Tevez e Llorente, melhoram muito o ataque).
Principais candidatos: Bayern, Dortmund, City e Chelsea.
Barcelona e Real como 2a linha de candidatos.
Juventus pode intrometer-se.

Investimento: acrescentado ou mudado?

Quando se fala em maior investimento na defesa por parte do Benfica e no ataque pelo Porto, fala-se de acrescentar investimento ou retirar de um lado e meter noutro? O Porto ainda consegue fazer esse acréscimo de investimento por ter vendido James e Moutinho, Benfica é difícil... Ainda não fez nenhuma venda significativa. Gaitán está a tornar-se a "eterna venda milionária", Cardozo e Garay também podem sair, mas ainda não saíram... Só depois das vendas é que o Benfica deve conseguir comprar mais alguém. E não será fácil depois do que já investiu. Mudar o investimento de setor, é correr o risco de perder o "extra" de qualidade que um setor tem.

Benfica

No Benfica, o modelo de jogo já é conhecido e muitas vezes criticado pelo excessivo risco. O investimento na defesa (principalmente laterais), apesar de importante e, arrisco, muito influente, não é tão importante como a revisão do modelo de jogo.
No geral, com mais investimento na defesa e mesmo tirando algum do ataque (se precisa de 4 extremos de topo mais Gaitán, Djuricic e Enzo que podem fazer essa posição, com equipa B e alguns dos melhores júniores de Portugal, é porque alguma coisa está a ser mal feita) ficava muito forte. Além disso, precisavam de mais um bom médio (centro/defensivo). Acredito que com essas alterações, mesmo sem alterar o modelo de jogo, poderia tornar-se muito competitivo na CL.
Irá Jorge Jesus rever o modelo de jogo?
A contratação de laterais de topo e 1 médio centro/defensivo
pode tornar o Benfica muito forte, até competitivo na CL.


Porto

No caso do Porto, é mais fácil de perceber o que faltou na época passada olhando para a eliminatória com o Málaga. Muito domínio, poucas oportunidades. Faltou criatividade e faltou mais um jogador a dar profundidade, logo o investimento no ataque poderia ser visto como o caminho certo para uma probabilidade maior de sucesso. Por outro lado, esta época o treinador é outro e falta saber o que vai mudar no modelo de jogo.

Claramente falta um extremo. O Paulo Fonseca disse que apostava no jogo interior... Tenho algum receio disso. Se mete dois "10" a jogar nas alas, os laterais vão ter que jogar muito subidos e muito exteriores para que a equipa tenha largura (e Danilo já provou que não se dá muito bem com isso). Se se confirmar o Bernard, falta perceber melhor os movimentos dele. Ele já jogou como "10" e do que vi dele não é extremo de jogo exterior ou de profundidade... Se se confirmar, não se corrigem os erros do passado e ficam alguns jogadores tapados pelo excesso de jogadores com o mesmo tipo de movimentos. Com a contratação certa e supondo que não há muita alteração no modelo de jogo (pelas declarações de PF é isso que se entende), Porto também pode ser uma força a considerar na CL.

Sem mudar demasiado o modelo de jogo implementado por Vítor Pereira
e com a contratação certa, o Porto de Paulo Fonseca poderá ser
um dos mais fortes outsiders da CL.

Já agora, em relação ao Porto há uma situação que não considerei. O Reyes é DC, mas também pode jogar como Médio Defensivo (principalmente se o Fernando sair). A acontecer isto, já aumenta consideravelmente o peso do meio-campo (27%, baixa a defesa para 52%). Retirar mais do que isso à defesa, é retirar um dos titulares... Ainda que se Mangala ou Otamendi saírem e ficarem Maicon e Rolando, o Porto não fica de todo mal servido (ainda com a hipótese de jogar o Reyes nessa posição).

Qualidade vs Investimento

Para terminar, não acho que haja relação direta entre investimento num setor e qualidade do mesmo. Olhando ao Barcelona, o meio-campo tem praticamente custo zero (Cesc foi muito caro, mas podia estar lá a zero). Sim, eu sei que é um caso muito particular, mas está tudo relacionado com a qualidade do trabalho na formação que torna o investimento na compra de jogadores num método para corrigir problemas e não no método de "criação" do plantel.
Outro exemplo é o Porto que ganhou a CL que é falado no posse de bola. Custos mínimos e equipa de topo. Ainda sobra o exemplo dos centrais do Benfica: Luisão e Garay não foram nada caros (comparados aos atacantes) e são jogadores de enorme qualidade.

domingo, 7 de julho de 2013

Porto e Benfica: Gastos no plantel

Muito se fala dos elevados gastos do Benfica em jogadores atacantes. Partindo desta ideia, resolvi tentar perceber se isso seria assim tão verdade e comparar à situação do Porto.
Nota: os valores foram retirados do site transfermarkt.

Benfica

O plantel considerado foi:
G: Artur e Paulo Lopes
D: Maxi, André Almeida, Melgarejo, Luisinho, Luisão, Mitrovic, Jardel, Garay e Steven Vitória
M: Matic, Enzo, Carlos Martins e André Gomes
EX: Salvio, Sulejmani, Markovic e Ola John
MO: Gaitán e Djuricic
PL: Rodrigo, Lima e Cardozo

Dividindo por setores (Defesa: G+D ; Meio-campo: M ; Ataque: EX+MO+PL) temos:
Defesa: 13,8 M€ (15%)
Meio-Campo: 9,8 M€ (11%)
Ataque: 66,1 M€ (74%)

À esquerda: gastos percentuais por posição
À direita: gastos percentuais por setor

Torna-se evidente a diferença de gastos entre os setor mais avançado e o mais recuado. Ainda que a possível venda de Cardozo e a compra de Lisandro Lopez (não foi considerado porque não conheço o valor da transferência) altere ligeiramente a situação, continua a ser uma diferença muito grande.
Importa agora olhar ao caso do Porto para comparação.

Porto

Plantel considerado
G: Hélton e Fabiano
D: Danilo, Fucile, Alex Sandro, Quiñó, Maicon, Mangala, Otamendi, Reyes, Rolando e Abdoulaye
M: Fernando, Defour, Castro, Tiago Rodrigues, Herrera, Lucho, Carlos Eduardo e Josué
EX: Varela, Izmailov, Kelvin, Iturbe, Licá e Ricardo
PL: Jackson

Por setores (Defesa: G+D ; Meio-Campo: M ; Ataque: EX+PL):
Defesa: 52,25 M€ (60%)
Meio-Campo: 16,50 M€ (19%)
Ataque: 18,05 M€ (21%)

À esquerda: gastos percentuais por posição
À direita: gastos percentuais por setor

Totalmente diferente. Principal foco é o setor defensivo com 3 dos 5 jogadores mais caros do plantel (Danilo, Alex Sandro e Otamendi). As presumíveis saídas de Abdoulaye e Rolando não afetam muito o resultado, tal como a entrada de um avançado (a ser Ghilas é quase certo inferior a 4 M€). Só uma grande contratação de um extremo pode ter alguma influência, mas essa entrada poderá levar ao empréstimo de Iturbe e Kelvin, por exemplo, o que faria a compensação.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Porto e Benfica - Parte 2 - Deficiências nos Plantéis

Os plantéis não eram assim tão diferentes. Muitas e boas opções em certas posições, poucas e de qualidade questionável noutras. Importa agora identificar os problemas e corrigi-los.

Porto

Danilo e Alex Sandro fizeram a época toda. Quando Alex Sandro teve de ficar de fora, Mangala aproveitou e foi ganhando espaço no onze do Porto. Quiño, nunca foi opção. É jovem e terá o seu tempo, tal como Alex Sandro quando Alvaro Pereira estava no plantel. Se na próxima época, for solução, é menos um problema. Senão, tem que ser resolvido. Já no caso de Danilo, poderia ser Maicon a fazer o seu lugar. Fez na época passada (ou há duas?!) o lugar de lateral direito, ainda que não tenha feito grandes exibições. Este problema tem mesmo que ser resolvido. Na equipa B há David Bruno. Tem 21 anos. Ou serve para a equipa A agora ou dificilmente alguma vez irá servir. É altura de tomar decisões.

Na frente, mais 2 problemas. Os 2 colombianos: James e Jackson. James era o único elemento criativo no plantel. Principalmente numa liga que se domina, é mau estar dependente de um jogador para inventar soluções (porque os adversários baixam muito as linhas). Na equipa B cresce Tozé, mas não teve oportunidades na equipa principal (sem ser o jogo com o Sporting). Agora chegam Tiago Rodrigues e Carlos Eduardo, mas James já saiu. Pelo menos 3 jogadores seria importante. Sejam estes ou outros entretanto comprados. Jackson foi durante grande parte da época, o único ponta-de-lança (Kléber e Lièdson quase nunca contaram). Outra época assim para o colombiano é muito penosa. Dellatorre foi o mais utilizado na equipa B, mas não brilhou muito; Vion parece estar com dificuldades na transição júnior-sénior; Sebá só tem sido opção como extremo e Caballero apesar de chegar rotulado de craque também não se conseguiu impor (tem tempo para isso, diga-se). Nos júniores há ainda Gonçalo Paciência, mais forte fisicamente que as outras opções e André Silva muito móvel e também capaz de jogar nas alas. O futuro destes 2 deve passar pela equipa B, mas se não for contratado ninguém, não seriam soluções a descartar.

Benfica

Tal como o Porto, um dos problemas são as laterais. Maxi Pereira tem muitos erros e por vezes, André Almeida é solução de recurso (como suplente é muito bom, até pela polivalência, mas para titular do Benfica pede-se melhor) e Melgarejo tem algumas dificuldades defensivas (natural para quem só jogou neste posição esta época). Pelo menos um titular para a lateral direita e um suplente para a esquerda deviam ser considerados. Na equipa B jogam João Cancelo e Lionel Carole. Podiam ser suplentes, mas é difícil vê-los a curto prazo como titulares do Benfica. Principalmente para lateral direito faria sentido pensar numa contratação.

O outro grande problema do Benfica são os médios. Matic e Enzo fizeram a época toda. No banco, Martins e Aimar lutavam contra lesões e permanentes condições físicas inadequadas. Em Janeiro saiu Bruno César que podia ser opção para o lugar de Enzo, deixando ainda mais descurada essa posição. André Gomes está em crescimento, mas ainda não é opção para a equipa principal. André Almeida pode ser considerado para o lugar de Matic, mas está longe de ter a qualidade ofensiva de Matic (ou mesmo a capacidade física de Javi Garcia). Na B, há Leandro Pimenta e Diogo Rosado. Leandro já tem alguns anos de sénior, mas ainda não teve grande afirmação. Diogo Rosado seria uma opção a experimentar na pré-época. Também Miguel Rosa poderia jogar no meio-campo, apesar ter jogado quase sempre como extremo na B. Djuricic já está contratado, mas deverá jogar mais à frente. Ainda assim, será uma boa opção para os jogos mais difíceis (em que o Benfica precisa de se aproximar de um 4-3-3, como no jogo com o Porto). Para trinco, acho aconselhável o recurso ao mercado.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Carlos Eduardo no Porto

02.10.2011 - Chamou-me à atenção quando vi Manoel na altura no Penafiel, agora no Braga B.

19.01.2012 - Voltou a despertar o interesse quando o Estoril jogou com o Porto para a Taça da Liga.

17.08.2013 - Pedia a titularidade dele no lugar de João Coimbra.

Segundo consta, chega hoje ao Porto. É um grande salto e nem todos são capazes. Veremos como reage.


PS: De maneira alguma este é um texto para me auto-congratular. É só para mostrar que é um jogador que já vem chamando a atenção e que não apareceu do nada.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Porto e Benfica - Parte 1 - Notas do Jogo

Onzes Iniciais

Porto: Helton (1); Danilo (2), Alex Sandro (26), Otamendi (30), Mangala (22); Fernando (25), Moutinho (8), Lucho (3); James (10), Varela (17) e Jackson (9)
Benfica: Artur (1); Maxi (14), A. Almeida (34), Luisão (4), Garay (24); Matic (21), Salvio (18), Enzo (35), Gaitán (20), Ola John (15); Lima (11)
FCP: 4-3-3, com James muito central, Porto fica com 4 médios
SLB: 4-1-4-1, Gaitán na linha de Perez em O.D. e na linha de Lima em transição
ataque-defesa (que não aconteceu muitas vezes)

André Almeida livre e Matic vs James

Quando o Porto estava em organização ofensiva, James procurava o meio, zona de Matic e André Almeida ficava livre (Ola John ocupava-se das subidas de Danilo e houve pouca presença nessas zonas de Moutinho e Lucho). James pouco inspirado e nas proximidades do (possivelmente) jogador do ano da Liga, não resultou bem para o Porto. Por vezes, o colombiano procurou espaços mais recuados, mas não é solução para o Porto tirar o jogador mais criativo (o único criativo?) da proximidade da área.

Fernando sozinho

Com o 3-vs-4 no meio-campo (conto com James como médio), sobrava espaço para Fernando e o brasileiro aproveitou em alguns momentos. Não resultou em golo, mas criou perigo. Se no lugar de Fernando estivesse alguém com a qualidade ofensiva de Matic, não sei se não podia ter dado em goleada.

Momentos Finais

FCP: 4-1-3-2, provoca o 1-vs-1 no ataque
SLB: Mantém a disposição inicial

Porto em 4-1-3-2, Benfica ganha superioridade no meio-campo mas fica em 1vs1 na defesa. Logo a seguir à entrada de Liedson, James tem a melhor oportunidade do jogo (ainda que tenha partido em fora-de-jogo). Além de já não ter superioridade numérica na defesa, no Benfica já estava Roderick como pivô. Na minha opinião, era aconselhável descer Roderick para junto de Garay e Luisão e recuar Matic para pivô à frente da defesa. Afinal, não era intenção do Benfica dominar o meio-campo. Tinha como problema entregar muito espaço do campo a Aimar em organização defensiva, mas isso podia ser resolvido com os extremos a jogarem mais interiores ou mesmo com Aimar numa ala (afinal só tinha que segurar a bola em situação ofensiva e ter um posicionamento correto defensivamente).

Almeida com Varela; Luisão com Jackson; Garay seguiu Liedson; Maxi com Kelvin e Roderick com James
1-vs-1 arriscado

Estratégia de Jorge Jesus

É fácil criticar Jorge Jesus por ter jogado para o empate, seria ainda mais fácil criticá-lo se tivesse jogado para ganhar o jogo e tivesse perdido. Principalmente porque seria o resultado mais natural. É muito difícil o modelo de jogo de JJ jogar contra o modelo de VP. O risco e desequilíbrio usual nos jogos do Benfica, resulta bem contra equipas com pouca organização defensiva. Contra equipas mais evoluídas torna-se muito complicado. JJ tenta corrigir com a presença de Gaitán no meio-campo, mas a equipa não está rotinada para um jogo com uma intensidade totalmente diferente. Nos jogos "fáceis", o Benfica não precisa da organização ofensiva. Ataca continuamente em transições porque tem sempre a bola. Nos jogos "difíceis" tem que acrescentar mais um momento ao jogo. E não domina esse momento.

Fala quem sabe. Vítor Pereira no final do jogo:
«O Porto tem um modelo de jogo bem definido. Gosta de ter posse e de dominar. Basta ver os registos. Quando perdemos a bola, somos agressivos. É a nossa matriz. A do Benfica é diferente, não digo se melhor ou pior. Tem qualidade e joga em acelerações constantes. Contra adversários que não têm qualidade para ter bola, parte o jogo e cria grandes problemas. Nós tiramos essa iniciativa e contra nós o Benfica corre muito mais atrás da bola. Procuram mais as bolas longas porque em espaços curtos têm dificuldades. Contra as outras equipas isso não sucede. Contra nós o Benfica não consegue ser o que gosta de ser.»

Manual Defensivo

O Benfica em organização e o Porto nas transições ataque-defesa foram sublimes. Se o jogo teve poucas ocasiões de golo, muito se deveu ao grande trabalho de ambos os treinadores.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Júniores: Porto (2) vs Benfica (1) - Notas

Onzes Iniciais


Porto (4-1-3-2) : Kadú; Marcelo, André Ribeiro, Tomás Podstawski, Rafa; Vítor Andrade, Francisco Ramos, Leandro, Ivo; André Silva e Gonçalo Paciência

Benfica (4-2-1-3) : José Costa; Alexandre Alfaiate, Rudinilson, Fábio Cardoso, Pedro Rebocho; Raphael Guzzo, João Teixeira, Bernardo Silva; Eusébio Bancessi, Hélder Costa e Sancidino Silva

Porto

Mais procura da posse de bola e pressão alta.
Como jogava em 4-1-3-2 muito interior, avançados abriam à vez na ala por onde a equipa iniciava o ataque.
Muitas trocas posicionais no meio-campo do Porto. Bem trabalhado é uma ideia interessante, pois facilita a pressão alta, mas deu origem a muitos erros.
Tomás Podstawski saía muito da sua zona para fazer pressão. É sem dúvida um jogador de grande potencial, mas tem que jogar no meio-campo e não na defesa. Podia ter corrido muito mal.
Avançados saíam aos centrais na primeira fase de pressão. Quando havia tempo para organizar, um deles saía ao lateral do lado da bola. Do outro lado, o médio interior mantinha-se bastante "fechado", não havendo transição para um meio-campo a 4 em largura. Muitas dificuldades em defender quando o Benfica trocava a bola rapidamente de lado (normalmente o lateral conseguia prosseguir com bola até perto da zona do trinco).
André Silva tem imenso potencial. Características físicas e técnicas já desenvolvidas, tem algumas problemas na tomada de decisão. Como é júnior de 1º ano, tem tempo para melhorar. Muita entrega ao jogo.
André Silva: jogo de muita luta, premiado com um golo

Benfica

Jogou sobretudo em transições rápidas.
Menos pressionante que o Porto (para deixar a equipa adversária subir e ter espaço nas costas, provavelmente).
Raphael Guzzo e Bernardo Silva têm muito potencial. A capacidade de ambos para fazer passes em profundidade resultou em jogadas muito perigosas (incluindo o golo do Benfica). Em relação a Bernardo Silva tenho curiosidade em vê-lo a jogar mais recuado. Na primeira parte, o Porto deu-lhe pouco espaço e quase não teve bola. Na segunda, com o Porto a arriscar mais nos posicionamentos, teve mais espaço e apareceu mais.
Eusébio Bancessi é um jogador interessante. Não esteve muito em jogo em fase atacante, mas esteve muito bem a defender Rafa (lateral muito ofensivo). Não percebi porque trocou para o lado esquerdo a meio da segunda parte. Rafa passou a ter mais liberdade, porque ninguém o acompanhava e criou perigo (está no lance do golo que dá a vitória ao Porto). Além das preocupações defensivas, tem como ponto forte a velocidade de passada.
Bernardo Silva: muito talento tem este "10"


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Dilema para Vítor Pereira - Quem joga nas alas?

É difícil argumentar que James Rodriguez e Izmailov não são os melhores extremos do Porto. Ainda assim, tenho alguma dificuldade em vê-los juntos em campo jogando os 2 como extremos. E é fácil de explicar o porquê: são ambos jogadores de corredor central. Quando o Porto estiver em organização ofensiva, será muito provável ver os 2 jogadores a procurarem os mesmos espaços e só os laterais a oferecerem largura e profundidade (possivelmente obrigaria 1 interior a sair do centro).
Boa notícia para Vítor Pereira a recuperação de James

Se fosse eu a escolher, jogava com 1 deles (James em condições normais) e ficava com a certeza de que tinha um excelente suplente não só para quem joga, mas para outras posições (Izmailov pode entrar para o lugar de Moutinho/Lucho e James poderá jogar nas costas do PL). Puder contar com um jogador da qualidade de James ou Izmailov fresco aos 60 minutos (altura normal das primeiras substituições) poderá ser um arma tão forte como tê-los desde o início. Na outra ala, Atsu (que hoje até jogou mais interior do que é normal para ele) ou Varela.
Com a boa forma do russo, levanta-se uma questão: quem joga nas alas?




Outros casos

No Barcelona, quando joga Iniesta na ala esquerda, Pedro joga na direita. Pedro é mais vertical e o sistema de jogo catalão também permite laterais com posicionamento mais adiantado.
No Real Madrid, joga Ronaldo na esquerda e com a tendência para procurar o corredor central, é Di Maria que dá largura e profundidade na direita. Neste caso, raramente Di Maria é ajudado pelo lateral e os apoios são interiores, dados por Ozil, Khedira ou o avançado (Higuain/Benzema). Do outro lado é o lateral que dá profundidade ou Ozil quando sai do seu habitat.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Malaga - Parte 2 - Estatísticas

Continuando o olhar sobre a equipa que o Porto irá defrontar na LC, dou uma perspectiva geral das estatísticas mais importantes da equipa e individuais

Equipa

Posse de bola, passe curto, ataque pelas alas e equipa dividida em 2 grupos
são talvez os aspectos mais importantes a destacar da visão estatística
- Ataca em percentagem de igual modo pelas 2 alas mas remata muito mais pela esquerda (Joaquin remata mais quando faz a diagonal direita-esquerda)
- Remata principalmente na grande área. Poucos remates de longe.
- Joga no meio-campo adversário
- Golos maioritariamente em ataque organizado. Poucos em contra-ataque. Alguns de bola parada.
- Passe maioritariamente curto
- Muitas recuperações de bola (intercepções e desarmes).
- 55% de posse de bola (5º valor da liga)
- 80.7% de passes certos (3º melhor da liga)
- remates feitos: 13.9/jogo ; remates concedidos: 11.1/jogo
- 84% de desarmes, intercepções e remates bloqueados pelos 6 jogadores mais recuados (Gamez, Demichelis, Weligton, Monreal, Toulalan e Camacho)
- 66% de remates, passes perigosos e dribles dos 4 da frente (Eliseu, Joaquin, Isco e Saviola)

Individual

Os líderes das estatísticas: Camacho nas acções defensivas e Joaquin nas ofensivas
- Desarmes: Toulalan e Camacho juntos: 7.6/jogo
- Camacho: 10º na liga e Toulalan: 16º
- Intercepções: Camacho (3.4/jogo; 4º na liga) e Weligton (3.3/jogo; 5º na liga)
- Remates: Isco (16º na liga com 2.4/jogo); Toulalan, Saviola e Joaquin com 1.6/jogo
- Passes Perigosos: Joaquin líder da liga com 3.1/jogo
- Dribles: Joaquin 1.5/jogo, 12º na liga; Isco com 1.2/jogo
- Golos: Repartidos: Saviola e Santa Cruz - 5; Joaquin e Isco - 4
- Assistências: Joaquin com 4 (2 no jogo com o Real); Portillo, Eliseu e Buonanotte com 3

Fonte: whoscored

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Malaga - Parte 1 - Visão Geral

Procuro neste texto dar a conhecer um pouco do adversário do Porto na Liga dos Campeões. Será dividido em 2 partes: uma visão geral sobre a equipa e a estrela da equipa e a segunda parte é uma análise estatística da equipa. Seguir-se-á um texto igual referente ao Leverkusen, adversário do Benfica na Liga Europa.

Equipa mais usada na Liga

4-2-3-1: Com trocas posicionais entre o trio que joga atrás do avançado e com um avançado muito móvel como é conhecido dos portugueses. Muitas vezes é Eliseu que joga na direita e Joaquin na esquerda. A situação apresentada permite jogar mais na horizontal. A troca dos alas, faz com que a equipa seja mais vertical e aposte nas diagonais desses jogadores, principalmente de Joaquin. Isco será abordado mais à frente, mas importa referir que é ponto central da equipa em situações ofensivas. Apesar de ser uma equipa que aposta na posse de bola, há uma divisão na equipa entre tarefas ofensivas e defensivas, cabendo aos 4 da frente a maioria das tarefas no processo ofensivo e aos 6 (7 se contar com o GR) as tarefas defensivas. As transições são normalmente asseguradas pelos 2 trincos em ataque-defesa e por Isco em defesa-ataque.

Onze e desenho táctico mais utilizado na Liga Espanhola

Variação na segunda parte do jogo com o Real Madrid

4-4-2: Não é muito diferente da situação inicial, mas Joaquin joga mais próximo do atacante e o meio-campo passa a uma linha de 4 jogadores. Sempre que joga Santa Cruz, existe a necessidade de ter um jogador mais próximo devido à menor mobilidade em relação a Saviola. Ganha ao argentino na capacidade de segurar a bola e na disponibilidade que oferece à equipa de uma out-ball (opção de passe fora das zonas de pressão do adversário). No jogo com o Real Madrid jogaram Portillo (de início) e Iturra, mas em situações normais jogaria Toulalan. Este desenho táctico (e correspondente dinâmica) é usado em situações de vantagem no marcador ou para manutenção do resultado (no caso da Liga pode não ser tão interessante, mas na Liga dos Campeões tem um significado mais importante). No caso, Santa Cruz entrou quando estava 1-0 para o Málaga, mas teve o azar de sofrer o golo no minuto seguinte. Ainda assim, o paraguaio estava num bom dia e marcou os 2 golos que deram a vitória à equipa da casa.

Variação no jogo com o Real Madrid, a ganhar 1-0
Pode ser usado para manter o resultado
(apesar de isso não ter acontecido)

Estrela da Equipa: Isco



Apesar de muitos jogadores do Málaga estarem a jogar bem, é evidente que um se distancia dos demais pelo inegável talento que possui. Esse jogador é Isco. Já foi aqui falado nomeadamente pela sua visão de jogo, capacidade de drible e qualidade de passe. No Málaga, começa como "10", mas joga a toda a largura do campo trocando de posição com os alas. Após a recuperação de bola, o primeiro passe é feito para ele quando a equipa sai em organização ofensiva. Como defeito poder-se-á apontar o facto de arriscar poucas vezes o último passe (pode-se ver até pelas poucas assistências que tem nesta época).
Se na equipa o estatuto é evidente, mais difícil está a situação na selecção. Com Xavi, Iniesta, Thiago, Cesc, Santi Cazorla, Beñat e Borja Valero (entre outros) a discutirem com ele um lugar no meio-campo da La Roja, no futuro recente será difícil ganhar um lugar no onze. No entanto, acredito que a médio-longo prazo pode ser a principal aposta para o lugar de Xavi (apesar de jogar a "10" no Málaga é um jogador capaz de jogar mais recuado).

domingo, 16 de dezembro de 2012

Apanhado das últimas semanas: Euro 2020, Sporting, Centurión e Reyes

Com pouca possibilidade de escrever neste espaço, vou procurar agora fazer um apanhado de alguns temos de que queria falar.

Euro 2020 em vários países

É uma ideia que tem que ser mais desenvolvida para se perceber como funcionará exactamente. Por agora, parece uma forma de envolver mais países e espalhar a competição. Pode ser bom se for em países próximos, não faz sentido se houver jogos numa semana em Portugal e noutra na Rússia (por exemplo).
Já agora, diga-se que os critérios da FIFA e da UEFA para "dimensionamento" dos estádios também não está adaptado à lotação média de grande parte dos clubes europeus (veja-se, por exemplo, o caso de Portugal) e esta medida pode ser benéfica nesse sentido, isto é, se o Euro 2004 tivesse sido feito deste modo, Portugal só tinha construído 2/3 estádios novos (pensando que o Euro podia ser repartido por 4 países e 2/3 estádios em cada um).
EURO 2020 em vários países pode ser boa ideia ou um desastre

Sporting

Trocam-se dirigentes, treinadores e onze e o mal continua. Acima de tudo porque se troca mal e sem grande critério. Primeiro há que perceber que o mal do Sporting tem sido a defesa e não o ataque. Logo, há que contratar algum treinador que possa resolver esse problema (pensando que Vercauteren não consegue). Para uma solução a curto-prazo, há que mudar o onze e a ideia base da tática. Proposta: Patrício, Cédric, Dier, Pedro Mendes, Insúa, Rinaudo, Gelson/Adrien/João Mário, André Martins, Jeffren/Esgaio/Bruma, Carrillo, RVW - na tentativa de defender com muita gente (até estar treinada uma forma melhor de defender) e explorar o contra-ataque ao estilo do Marítimo (principalmente da época passada) ou do Estoril (desenho tático: 4-3-3).
Caminha no sentido errado, mas há tempo para mudar e
há muita "matéria-prima" para explorar

Adrián Centurión e Diego Reyes

São os dois grandes jogadores. Um deles já foi falado aqui (Reyes), o outro estava em lista para ser. Fala-se em 6M€ para Reyes e 10M€ para Centurión. São somas avultadas, possivelmente possibilitadas pela venda de parte do passe a fundos. São excelente compras e com potencial de valorização tremendo, mas discordo do método. De qualquer modo, Porto e Benfica ficam bem servidos (supondo Centurión no Porto e Reyes no Benfica percebo a necessidade de substituir James e Garay, respectivamente; ao contrário, parece mais complicado. Talvez Centurión para jogar no meio-campo e Reyes para jogar como trinco, visto a abundância de soluções tanto para as alas no Benfica como para o centro da defesa no Porto).

Adrián Centurión (Racing Avellaneda)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"É muito melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço justo, que uma empresa normal a um preço maravilhoso"

Contextualização

A frase é dita por Warren Buffet e é uma das suas regras de gestão de empresas. Este texto parte dessa frase (revelada num artigo do jornal i) para analisar as várias perspectivas de mercado dos clubes de futebol.

Durante muito tempo, as equipas portuguesas compravam muitos jogadores a preço baixo na esperança de uma grande valorização que seria transformada em retorno financeiro. Ainda agora, muitos negócios se fazem nessa base, mas será a melhor opção?

Jogadores baratos vs Jogadores caros

Proponho a análise de alguns casos de jogadores "caros" (custo superior a 5M€) e "baratos" e o seu rendimento de Porto e Benfica. Procurei só os pontas-de-lança por ser mais fácil a sua análise através das participações em golos.

Porto
Jackson Martínez - 8.5M€ - Titular, 10 jogos, 9 golos, 2 assistências (na liga)
Kléber - 3.5M€ - Suplente, 25 jogos, 9 golos, 2 assistências
Janko - 2M€ - Vendido por 2.5M€, 10 jogos, 4 golos
Walter - 6M€ - Emprestado ao Goiás, 19 jogos, 7 golos, 1 assistência

Benfica
Lima - 4M€ - Titular, 6 jogos, 6 golos, 1 assistência
Franco Jara - 5,5M€ - Emprestado ao San Lorenzo, 27 jogos, 6 golos, 4 assistências
Rodrigo -  6M€ - Suplente (em rotação com os titulares), 30 jogos, 13 golos, 5 assistências
Rodrigo Mora - csuto zero - Emprestado ao River Plate, 1 jogo

Participações directas em golos aumentam com o custo de um jogador?

Relação entre Participações em Golos por jogo (PGJ) e Custo dos jogadores
(linha a vermelho - média de PGJ; verde - média custo)

Antes de mais, é de notar que a amostra é pequena, logo não é representativa da realidade e, como tal, a fiabilidade desta leitura é questionável. Ainda assim, e apesar de não haver uma relação linear com uma linha de tendência representativa, é de notar que há uma tendência positiva nesta relação. Se retirar o elemento mais afastado da linha de tendência (Lima), o coeficiente de determinaação (R2) sobe para 0.75.

A mesma relação, sem Lima

Conclusão

Podemos então concluir, que há alguma relação entre o que se paga e o rendimento de um jogador, mas que há excepções que comprometem a ideia. Isto é, pagar um preço justo por algo que sabemos que é bom é uma boa filosofia, mas não é não é impeditivo de uma boa compra ser feita a um preço baixo (como foi o caso de Lima, por exemplo).
Faltava analisar em termos de preço de venda, visto que as equipas portuguesas além de rendimento desportivo, procuram mais valias financeiras que não estão necessariamente relacionadas. Isso ficará para outro texto.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Porto vs Dínamo de Kiev - 4-4-2 será reutilizado?

Defour entra, Moutinho sai

Ao minuto 75, Vítor Pereira trocou Moutinho por Defour. Esta troca não traria nada de novo, não fosse o belga encostar-se à ala, jogando James Rodriguez no meio e mais próximo de Jackson. Observando a posição média dos jogadores do Porto entre o minuto 75 e 90 (figura em baixo), percebe-se essa intenção.

Posição média entre o minuto 75 e 90 dos jogadores do Porto no encontro com o Dínamo de Kiev
Pode ter sido somente uma reacção à situação em que se encontrava o jogo, mas também pode ser do interesse de Vítor Pereira repescar este desenho tático noutros jogos.

Vantagem

A principal vantagem é a melhor dispersão dos médios pelo campo, isto é, tem James no seu melhor lugar em campo e jogadores de transição em posições laterais que permitem construir jogo sem o afunilar demasiado cedo (normalmente com James a divagar entre a ala e o centro, o lado direito fica manco e obriga a "fechar" muito o jogo).
Poderia funcionar um pouco ao estilo do 4-4-2 com que Jesus foi campeão: Defour/Danilo a fazerem de Ramires (maiores preocupações de organização) e Atsu/Alex Sandro a fazerem de Di Maria (maiores preocupações na criação de desequilíbrios).

Desvantagem

É difícil incluir Lucho e Moutinho neste desenho tático. Têm sido peças fulcrais do clube, mas não vejo como seria possível escolher ambos os jogadores para o onze inicial neste desenho. Para a posição que ocupam só há uma possibilidade (a que no diagrama é ocupada por Lucho, número 3), visto que nenhum deles se destaca na ala ou como pivô defensivo.


Veremos o que Vítor Pereira faz, mas para jogos mais complicados (LC, Benfica, Braga, Sporting) podia ser uma boa solução. Mesmo que não o seja nos 90 minutos, pode ser utilizado em certas situações, tal como neste jogo.

domingo, 30 de setembro de 2012

Porto B - Qual é o propósito?

Hoje o Porto B alinhou com:
Fabiano Freitas, David Bruno, Mangala, Abdoulaye Ba, Quiño, Mikel Agu, Pedro Moreira, Tozé, Kelvin, Iturbe e Dellatorre
São 6 jogadores da equipa A (Fabiano, Quiño, Mangala, Ba, Kelvin e Iturbe) e 8 estrangeiros.

Onde está o jogador português?
E quantos farão parte do 11 base do plantel principal do Porto no futuro?

Transição A-B em vez de B-A?

Olhando aos exemplos máximos de aproveitamento da equipa B, Barcelona e Marítimo, esta equipa serve principalmente para fazer a inclusão de jogadores jovens na equipa principal. Maioritariamente jogadores que passaram a idade de júnior ou estão nela ou apostas em jogadores jovens de campeonatos "secundários" (principalmente no caso do Marítimo). O Porto subverte esta ideia e apresenta jogadores que se incluem no plantel principal nesta equipa. Qual é o passo seguinte? Permitir aos que estão em idade júnior darem outro passo atrás? Podem dizer que é uma falsa questão porque grande parte destes jogadores ainda não jogaram pela equipa A. Mas então porque não integram definitivamente o plantel da B?

Liga Orangina

Como é que as outras equipas do segundo escalão podem competir com jogadores das principais equipas do escalão superior? Hoje o Penafiel até conseguiu o empate, mas em vez de ser um jogo aberto como é normal nesta Liga, foi um jogo de sentido único em que a "outra" equipa só procurava transições rápidas ofensivas. Que melhoria é que isto traz ao futebol nacional?

Jogadores Portugueses

E quanto à dita promoção do jogador nacional que foi usada como objectivo desta medida? São 8 os não-portugueses em campo! Como é que isto promove o jogador português? Fábio Martins, Tiago Ferreira, Edú e Sérgio Oliveira, Frédéric Maciel e Eloi Silva em comum têm o facto de serem portugueses e terem cedido os seus lugares a jogadores não-portugueses.

Conclusão

Acima de tudo, espero que este ano sirva de experiência e que se aproveite melhor a oportunidade de ter uma equipa B no próximo ano. Já agora, era bom que Tozé conseguisse lutar por um lugar na equipa principal. Qualidade não lhe falta.

PS: Do outro lado estava o Penafiel que no ano passado vendeu Michel (Braga) ao Paços de Ferreira, este ano vendeu Manoel ao Braga e conta no plantel com jovens que pode potenciar e vender: Mbala (Avançado, 19 anos), Diogo Viana (Extremo, 22 anos), Aldair (Extremo, 20 anos) e Robson (Médio Centro/Ofensivo, 24 anos). Podem não ter equipa para subir, mas têm um plantel que garante sustentabilidade.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Proposta de Plantel: Porto 2012/2013

Plantel que acabou a época
GR: Hélton, Bracalli e Kadú
Defesas: Danilo, Sapunaru, Maicon, Otamendi, Rolando, Mangala, Álvaro Pereira e Alex Sandro
Médios: Fernando, Defour, Moutinho, Lucho e James
Avançados: Hulk, Djalma, Varela, Cristian Rodriguez, Iturbe, Kléber e Janko
Portugueses: 4
Total de jogadores: 24

Onze Base da Última Época
4-3-3: Hélton, Sapunaru, Álvaro Pereira, Maicon, Otamendi, Fernando, Moutinho, Lucho, James, Hulk e Janko

Entradas propostas: Fabiano (GR, Olhanense, 1.2M€), Miguel Lopes (DD, fim de empréstimo), Bruno Teles (DE, Guimarães, 4M€), Tiago Ferreira (DC, júnior), Mikel (MD, júnior), Casemiro (MD/MC, São Paulo, 8M€), Castro (MC, fim de empréstimo), Atsu (EX, fim de empréstimo), Danilo Dias (EX/MO, Marítimo, 4M€) e Jackson Martínez (PL, Jaguares, 9M€)
Saídas propostas: Beto (GR, custo zero), Bracalli (GR, 0.5M€), Sapunaru (DD, 2M€), Álvaro Pereira (DE, 12M€), E. Rafael (DE, custo zero), Rolando (DC, 8M€), Sereno (DC, 1M€), Fernando (MD, 15M€), Belluschi (MO/MC, 5M€) e Hulk (EX, 40M€)
Diferença: (83,5) - (26.2) = 57.3M€

Plantel Proposto
GR: Hélton, Fabiano Freitas e Kadú
Defesas: Miguel Lopes, Danilo, Otamendi, Maicon, Mangala, Tiago Ferreira, Alex Sandro e Bruno Teles
Médios: Mikel, Casemiro, Castro, Lucho, Moutinho, Defour e James
Avançados: Atsu, Varela, Djalma, Danilo Dias, Janko, Kléber e Jackson Martínez
Portugueses: 5
Total de jogadores: 25

Onze Proposto


Onze Alternativo
Este sistema teria como base a posse de bola e aproveitaria a energia dos 2 jogadores de meio-campo (Danilo e Moutinho) para fazer as transições e desequilíbrios. Talvez Kléber pudesse ser uma boa opção para a frente de ataque junto a Jackson, jogando James numa das alas.
4-4-2: Hélton, M. Lopes, Alex Sandro, Maicon, Otamendi, Danilo, Moutinho, Danilo Dias, Atsu, James e Jackson Martínez

Conclusão
É um plantel com muitas mudanças. Muitos jogadores já queriam sair no ano passado e acabaram por ficar no plantel algo desconfortáveis. Assim, para evitar o "marasmo" do início de época, devia ser feito um encaixe com esses jogadores (Rolando, Álvaro Pereira e Fernando, principalmente). Há ainda o caso Hulk. O brasileiro é demasiado valioso e dificilmente chegará uma proposta que contente o presidente do clube. Ainda assim, acredito que possa surgir uma grande proposta (Tottenham/Man City, Real Madrid se estiver bem no J.O.?). No caso de não sair, é provável que James Rodriguez possa ser o escolhido para realização de um encaixe mais avultado (na ordem dos 25M talvez). Quanto às entradas, a escolha vai para "prata da casa" (emprestados, júniores e jogadores do nosso campeonato). Acredito no potencial de Tiago Ferreira, Atsu e Mikel (faz-me lembrar Fernando quando chegou ao Porto), acho Bruno Teles um jogador de top (e que poderia ser aproveitada à fraca situação financeira do seu clube) e Danilo Dias já mostrou ser um grande jogador. Além destes, Jackson e Fabiano já estão garantidos, Miguel Lopes seria um bom suplente de baixo custo (melhor que Sapunaru, na minha opinião) e Castro seria uma aposta para se afirmar na equipa e se tornar um capitão do clube num futuro próximo (1/2 anos). A minha "wild card" seria Casemiro. Poderá não ser o muro que é Fernando, mas é melhor em posse que o actual jogador do Porto. Fica a faltar a aposta em jogadores portugueses, mas isso deverá fazer parte dos planos a médio prazo. A "recuperação" de Paulo Machado e Vieirinha (por exemplo) e a aposta em jogadores das camadas jovens como Tozé e Fábio Martins poderia ser equacionada para a época seguinte.