ZERO!! relação entre jogadores da própria equipa em organização defensiva e caminho entre bola e baliza completamente desprotegido.
As falhas colectivas são anteriores a esta imagem, mas este instante é o símbolo do descalabro
Ao contrário do que foi dito na TV, o erro não foi de Vidal por não ter seguido Iniesta. Eventualmente, poderia ter compensado o erro colectivo, mas não faria com que o mesmo deixasse de existir.
Sem mexer muito no plantel, a Juventus continua a ser o maior candidato ao título em Itália. Decidi ver o jogo com a Lázio para ver como estava a equipa este ano.
1. Sistema: 3-5-2 em ataque, 5-3-2 em defesa. Igual ao ano passado, agora com Tévez no onze e neste jogo com Pogba no lugar de Marchisio.
Lichsteiner e Asamoah encarregues de todo o corredor.
Vidal é o elemento mais móvel na zona central.
2. Problemas com movimentações horizontais na segunda linha. Tradicionalmente, lateral do lado da bola sai ao extremo, interior do lado da bola sai ao lateral, Pirlo sai ao jogador na zona central. Quando a bola vem da ala para o interior, tem que existir uma dinâmica de compensações executada rapidamente. Mas mesmo que seja perfeitamente executada, há um problema: se o interior do lado oposto e o lateral estão a reduzir espaços no meio e não há extremos (nem nenhum dos avançados recua), então o lateral (ou extremo) adversário do lado oposto consegue receber a bola com muita liberdade quando é feita uma mudança de lado de jogo. Como se pode ver no lance do golo da Lazio, Pogba fica com 2 opções: ou fecha no meio e dá muito espaço a González ou fica mais próximo da lateral e dá o meio a Hernanes. Acabou por ficar a meio caminho e Hernanes rematou, no ressalto Klose marca. Também Pirlo não fica muito bem na imagem. Com cobertura a Vidal
assegurada, procurou tapar a linha de passe para Hernanes, mas chegaram dois passos atrás por parte do brasileiro para retirar Pirlo da jogada. Contra uma equipa de bons rematadores de meia distância é muito perigoso e logo a seguir ao golo, a Lazio criou 2 situações de perigo por Lulic e Radu (também no vídeo). Não sou grande fã deste sistema de jogo e resolvia esta situação trocando-o. Ainda assim, outra maneira de o resolver poderia ser com a presença do lateral do lado oposto na linha de meio-campo. Ficariam duas linhas de 4 jogadores, o que tornaria muito mais fácil cobrir todo o espaço (na horizontal).
3. Organização Ofensiva: as entradas de Vidal e a estranha adaptação da Lázio à Juventus. Tremenda a importância do chileno na criação de situações de perigo, como se pode ver no vídeo abaixo.
Estranha a tentativa de encaixe da Lazio na Juventus...
Pirlo e os centrais com muita liberdade, não é pois de estranhar que Bonucci tenha feito 2 assistências. E Hernanes a seguir Vidal é tarefa hercúlea. Também não se estranham os dois golos do chileno. Pode-se ver também no último vídeo (pausando aos 45 segundos) que a distância entre Lulic (que está na linha defensiva no segundo golo) e Radu é enorme. Se Radu não tem como obrigação estar perto de nenhum dos avançados, poderia preocupar-se mais com as entradas de Vidal, aproximando-se mais de Lulic, e também Lulic deveria procurar defender mais interior.
Ia fazer uma análise mais detalhada, mas visto que o ZM já abordou grande parte dos pontos, vou aproveitar o desenho tático que fez para abordar alguns pontos de interesse do jogo.
Onzes Iniciais e Desenhos Táticos
Fonte: Zonal Marking
3-5-2 vs 3-4-3
Apesar de ser um duelo tático pouco visto (fora de Itália, lá é relativamente comum), não teve um impacto muito positivo no jogo, pois criou desequilíbrios naturais sem necessidade de grandes dinâmicas de ambas as equipas.
Juventus
O 3-5-2 tinha a vantagem de ter um homem a mais no meio-campo, que teoricamente daria espaço a Pirlo, mas que não foi aproveitada, pois a Juventus jogou maioritariamente em contra-ataque (é difícil saber qual seria a intenção de Conte se não tivesse ficado em vantagem tão cedo). Uma movimentação habitual era a descida de Giovinco para o lugar à frente de Marchisio e Vidal, que seria para receber a bola no momento de contra-ataque, mas que nunca funcionou muito bem.
Para contraria o jogador a mais no meio-campo, Milito ou Palacio desciam para perto de Pirlo. Uma dinâmica alternativa usada em alguns momentos era a subida de Cambiasso para perto de Pirlo com um dos centrais (normalmente Juan) a comporem o meio-campo (de outra maneira ficariam Vidal e Marchisio para Gargano).
Inter
Se a Juventus ganhava no centro do terreno, o Inter ganhava nas alas. Tipicamente, num duelo entre estes 2 sistemas táticos é o que acontece. O 3-5-2 só permite 1 jogador em cada ala, enquanto que o 3-4-3 permite 2 (um no meio-campo, outro na frente). Assim, mantendo Cassano e Palacio abertos, Nagatomo e Zanetti podiam subir livremente. Isto poderia ter sido resolvido se os centrais da Juventus tivessem liberdade para saírem do centro (estranho que Chiellini tenha desfeito a defesa a 3 para pressionar/seguir Palacio/Milito na vertical, mas nunca o tenha feito na horizontal) ou então com uma dinâmica colectiva que transformasse o desenho tático (por exemplo, com a ida de Vidal ou Marchisio para as alas e descida de Lichtsteiner para lateral, passando a uma formação mais próxima do 4-4-2). Esta situação foi particularmente favorável do lado esquerdo do ataque do Inter, onde Cassano se manteve muito encostado à linha e Nagatomo entrava pelo meio sem oposição (Lichtsteiner preocupava-se muito com Cassano e deixava o japonês livre).
Zanetti
Faltam palavras para o descrever. Tem 39 anos e tinha à sua frente um jogador 16 anos mais novo e conhecido pela sua energia. Raras foram as vezes que foi ultrapassado. Para ele, a idade é somente um número. Irradia classe e conhecimento. Para o bem do futebol, gostava que fosse eterno.
Mais que as alterações de jogadores, nota-se claramente uma mudança de atitude, principalmente na pressão que é exercida sobre a bola. Nota-se um bom trabalho de Domingos também na circulação de bola (Sporting acabou a primeira parte com 65% de posse).
Rinaudo
Que monstro! Já tinha visto um pouco dele e pareceu-me que era uma grande contratação para o Sporting, ainda assim, fiquei impressionado com a exibição. Muito forte no corte e excelente a encher o meio-campo. Além disso, tem um bom passe longo o que permite que a equipa saia a jogar através dele. De defeito, só lhe vejo a altura (1,76m) que o impossibilita de ser forte no jogo aéreo e de ajudar mais os centrais.
Schaars
Esteve muito bem na condução de bola, na organização de jogo e a gerir o equilíbrio da equipa (principalmente nas transições defensivas). Será o patrão do meio-campo. No caso de Matías Fernandez ser titular, veremos como jogam juntos, mas acho que são compatíveis.
O que correu mal no Sporting
Pereirinha, apesar de dar uma ajuda no centro e proteger as subidas de João Pereira, parece não ser o jogador ideal para aquela posição. Precisa de mais agressividade na bola e quando ataca. Onyewu é muito forte no jogo aéreo, mas a movimentação (aceleração, posicionamento e antecipação) deixa muito a desejar e isso pode deixá-lo fora desses lances em que é forte. João Pereira continua a perder muito tempo a discutir com os árbitros e os cruzamentos são muito mal direccionados.
Fora do 11
Alberto Rodriguez, Marat Izmailov, Luís Aguiar, Diego Capel, Matías Fernandez, Valeri Bojinov e André Santos não começaram o jogo, alguns ainda entraram, outros nem estavam com a equipa, mas podem ser todos alternativas viáveis aos 11 que o começaram (nalguns casos até podem ser titulares). Rodriguez poderá render Onyewu, apesar de retirar centímetros à defesa, o que pode ser perigoso, visto que João Pereira, Carriço, Rinaudo e Evaldo não são muito altos. Izmailov poderá (/deverá, no caso de estar disponível) jogar no lugar de Pereirinha. Luís Aguiar será suplente de Schaars, mas é uma alternativa viável ao holandês, principalmente quando o calendário se adensar. Capel deverá lutar pelo lugar na ala esquerda com Djaló. Tendo em conta a inconsistência de Djaló, Capel poderá ganhar a "corrida" e Djaló ficará como jogador que entra quando é preciso velocidade e desequilíbrios (até poderá entrar para outra posição, como ala direito ou avançado). Matías Fernandez, poderá entrar para o lugar de Hélder Postiga, tendo como missão a ligação entre o meio-campo e o ataque e poderá assim, jogar na posição de enganche. Vou esperar para ver se Domingos prefere um esquema mais próximo do 4-4-2 (com Postiga) ou do 4-2-3-1 (com Matías). Valeri Bojinov é uma das alternativas para o centro do ataque ou para as alas. A equipa ainda precisa de se adaptar a Ricky van Wolfswinkel e Bojinov poderá ganhar com isso (apesar de Rubio se ter mostrado uma alternativa viável e Postiga poder fazer essa posição quando Matías voltar). Também poderá servir como "arma escondida" (entrando, tal como Djaló, para criar desequilíbrios).
Quanto a André Santos, o caso é mais complicado. Pode ser suplente de Schaars, Rinaudo e mesmo de Izmailov (tudo aponta para a sua titularidade), mas é uma pena que não possa ser titular, o que pode ser um obstáculo ao seu desenvolvimento, ainda por cima, quando começava a ser chamado à selecção. Veremos o que o futuro lhe reserva.
Juventus
Uma sombra do que já foi. Faltam ideias (organização) e só Krasic desequilibra. Precisa de fazer o que o Sporting fez, uma revolução.
Classe
O segundo golo de Djaló foi muito bom, mas a classe de Del Piero é de outro nível (apesar de me parecer que parte em fora-de-jogo e de Ilori não ter pressionado muito).