domingo, 23 de agosto de 2020

Final 8 da Champions League: Algumas notas - Parte 1

Atalanta vs PSG

3-4-1-2 do Atalanta contra o 4-3-3 do PSG. Atalanta com Pasalic a fazer de Ilicic, mas a ser corpo estranho. PSG sem Verratti, Mbappé, Di Maria e Paredes. Meio-campo com Marquinhos, Gana Gueye e Ander Herrera; na frente Neymar mais solto com Sarabia e Icardi mais abertos.

Atalanta com a habitual marcação Homem a Homem no campo todo. PSG sem movimento encaixou na perfeição na marcação, apenas Neymar criava dificuldades com movimentação e com bola.

Quanto Papu sai, Atalanta praticamente desaparece porque não tem grandes opções para o substituir (principalmente sem Ilicic disponível) e já estava fisicamente muito desgastada. Do outro lado entrou Mbappé a procurar espaços em apoio e sobretudo na profundidade. Aí, a marcação HxH caiu e o jogo tornou-se fácil para o PSG.

Atalanta de Gasperini com 57.Sportiello; 2. Toloi; 3. Caldara; 19. Djimsiti; 33. Hateboer; 8. Gosens; 15. De Roon; 11. Freuler; 10. Papu; 88. Pasalic. 91. Zapata. PSG de Tuchel com 1. Navas; 2. Thiago Silva; 3. Kimpembe; 4. Kehrer; 14. Bernat; 5. Marquinho; 21. Ander Herrera; 27. Gana Gueye; 18. Icardi; 10. Neymar; 19. Sarabia. Fonte: WhoScored




Leipzig vs Atlético de Madrid

Leipzig com muita mobilidade a "saltar" entre 4-4-2 e 3-4-3. Na defesa sobretudo em 4-4-2 com Angelino na esquerda e Klostermann na direita; Sabitzer na direita e Laimer ao lado de Kampl no meio-campo; Poulsen e Dani Olmo na frente. Estranhamente, Sabitzer e Laimer trocavam em ataque organizado. Levou a uma conversa perto do intervalo com o treinador e a partir daí, Sabitzer sempre interior e Laimer na ala. Em ataque, Angelino com a ala esquerda toda, Nkunku juntava-se a Poulsen e Olmo. Atlético sem grandes novidades. Koke na direita, Saul e Herrera no meio, Llorente na frente junto a Diego Costa, também um corpo estranho neste jogo (o Llorente).

Estranho verificar que mesmo com Saul e Herrera para sair a jogar, muitas vezes era Koke a baixar para junto dos centrais para iniciar construção e com Llorente a encostar na direita.

No Leipzig dinâmica de 2 avançados a defender: um em contenção na bola, outro em cobertura/marcação ao "6".

A causar muitas dificuldades ao Leipzig o jogo de costas para a baliza de Diego Costa. Sempre que baixava para receber, Upamecano seguia e libertava espaço para a entrada de um jogador nas costas. Há 2 lances de perigo com Carrasco a aparecer nesse espaço e depois surge o penálti sobre João Félix também no seguimento do mesmo tipo de jogada.


Leipzig de Nagelsmann com 1. Gulacsi; 16. Klostermann; 5. Upamecano; 23. Halstenberg; 27. Laimer; 7. Sabitzer; 44. Kampl; 3. Angeliño; 25. Olmo; 9. Poulsen. Atlético de Simeone com 13. Oblak; 15. Savic; 2. Gimenez; 23. Trippier; 12. Renan Lodi; 6. Koke; 16. Herrera; 8. Saul; 21. Carrasco; 14. Llorente; 19. Diego Costa. Fonte: WhoScored



sábado, 20 de junho de 2020

Erros Individuais Defensivos - Maguire vs Bergwijn

Maguire foi muito criticado pelo lance do golo do Tottenham. Muita gente critica sem apontar falhas. Vou fazer a minha leitura do lance e dos erros individuais do jogador.

Início do lance - Bergwijn recebe a bola orientado para a baliza do Utd
Início do lance: Bergwijn recebe a bola orientado para a baliza do Utd, descaído para a direita. Situação de 3x3 à frente da bola (centrais e lateral direito do Utd vs extremos e avançado dos Spurs), 2x2 na zona (centrais vs Bergwijn e Kane); médio e lateral esquerdo do Utd são os mais próximos seguidos de Lamela.

Momento 1 - Maguire vira os apoios para a linha lateral
Momento 1: Maguire orienta os apoios para a linha lateral, na tentativa de defender a corrida pelo exterior do portador da bola. Erro porque não fechou as outras possibilidades antes. Como está muito afastado de Bergwijn, permite a condução por dentro (mais perigosa, ainda por cima). Não ajuda a distância do outro central ser tão grande e daí também não ter cobertura. Aqui também erro de Maguire por não ter conhecimento do que se passa em seu redor.


Momento 2 - Maguire roda pela frente
Momento 2: Depois de perceber que Bergwijn não conduziu por fora, Maguire precisa de recuperar a posição para perseguir o atacante. Erro porque rodou pela frente, para depois ter que continuar a rotação para a sua baliza. Neste tipo de situações, a rotação pelo lado da baliza garante sempre menor tempo de rotação. Neste caso ficou completamente fora do lance, não quer dizer que a rotação correta o tivesse colocado numa posição para impedir o golo, mas certamente que estaria mais próximo.

De notar que é o primeiro jogo em 3 meses, logo não acho que o jogador deva ser analisado por este lance. Fisicamente e mentalmente será questionável se os jogadores já se apresentam a 100%.

Fica o vídeo também.

domingo, 15 de março de 2020

Atacantes na Área vs Remates na Área

Tenho um grande interesse em estatísticas. Não que lhes dou uma importância maior do que têm. São números e quando descontextualizadas podem levar a leituras erradas da realidade.

Esta semana deparei-me com um quadro interessante:
Fonte: Euan Dewar (Twitter)

Relaciona o número de atacantes dentro da área quando um remate é feito (descontando o rematador) com o número de remates feitos dentro da área em jogo corrido por jogo.

A partir dos 7 remates por jogo: Dortmund, Real Madrid, Leverkusen, Gladbach, Barcelona, Inter, Leipzig, Nápoles, Chelsea, Juventus, Lazio, Liverpool, PSG, Atalanta, Man City e Bayern. Rapidamente percebemos que filtra as equipas que melhor estão a jogar este ano (as melhores posicionadas nos seus campeonatos - top 5 alemão; 3 do top 4 inglês (falta Leicester); top 2 espanhol; 5 do top 6 italiano (falta a Roma que também está quase nos 7 remates por jogo); e o PSG). Saliente-se a proposta mais ofensiva do campeonato italiano ao contrário do que era comum. Fim do catenaccio?

Em relação ao outro eixo, pode este sim dar azo a algumas leituras que carecem de alguma análise mais detalhada:
- O que se tem passado com o City esta época? Com tanto remate e tanta gente na área seriam de esperar melhores resultados. Demasiada gente a entrar na área está a desproteger a equipa nas transições?
- PSG e Juventus apesar de serem tão dominantes não têm muitos jogadores dentro da área. Do 11 que mais tem jogado, do meio-campo temos: Bentancur, Matuidi, Pjanic. Matuidi muitas vezes a jogar como ala, Bentacur também do meio para a direita e Pjanic como médio centro único. Aqui faltará a entrada dos médios, também de algum dos laterais, eventualmente. Mas também como no PSG, há uma clara dificuldade dos treinadores de encontrarem um onze-base. Seja por lesões de alguns jogadores ou outras questões.
- Impressionante a Atalanta. Não é só "hype", há muito trabalho feito. Muito remate, com muita gente a chegar. Quase tanta gente como o Liverpool. Levanta duas questões: com jogadores de nível mais alto, o que poderia fazer a Atalanta? Com o aumento de reputação, normalmente há uma alteração de comportamentos defensivos dos adversários. Conseguirá a Atalanta produzir o mesmo com equipas fechadas atrás?
- Em termos de Ligas: Espanha a chegar com muita gente à área, mas poucos remates na área. Na liga Francesa, também com poucos remates, mas é claramente a equipa que menos jogadores põe na área adversária?
- Também de notar a questão da análise estatística: enquanto no número de remates vemos uma variação grande entre 3 e 11 remates por jogo; na quantidade de jogadores a variação é muito baixa: entre 2.5 e 4.5, com grande parte das equipas entre os 3.25 e os 4.25, isto é, diferença de 1 jogador entre os dois limites.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Barcelona de Quique Sétien - Primeiras Impressões

Ao fim da primeira parte do Barcelona - Granada, já dá para ter uma ideia do que procura Quique Sétien para o seu Barcelona.

A defender o 4-4-2 herdado de Valverde. 2 linhas de 4, Messi e Griezmann soltos, sem grandes responsabilidades. Dá ideia de haver um indicador para iniciar a pressão com passe atrasado. Normalmente algum jogador salta na pressão atrás da bola, outros jogadores ajustam em marcação HxH.

Organização defensiva vs Granada
Com bola, Alba e Fati soltos nas alas, bem profundos; Roberto fica atrás junto de Piqué e Umtiti; Vidal mais próximo da área e Rakitic mais próximo de Busquets; Messi com total liberdade e Griezmann também livre, mas mais junto da área. Primeira fase de construção muito paciente, muita troca de bola, essencialmente até bola entrar em Messi.

Organização Ofensiva vs Granada

Ficam algumas dúvidas:
- Onde encaixa de Jong? Como central por troca com Umtiti? No lugar de Roberto? Desce Busquets para central? Por troca com Vidal ou Rakitic? E Arthur?
- Quem mais cria oportunidades? Para já, só Messi entra na área adversária (seja em passe ou drible). Noutros tempos tinha ajuda de Xavi, Iniesta e Dani Alves. Pede-se mais criatividade, principalmente aos 2 interiores que jogam nas costas dele e mais golo aos extremos.
- Como é que a equipa adapta ao deambular de Messi? Por vezes, Messi procura a ala direita e Fati desviou para o meio, mas quando equipa perde a bola, fica o lado direito desfalcado.

domingo, 17 de novembro de 2019

Liverpool 3 - Man City 1 - 10/11/2019: Algumas notas

Algumas considerações sobre o jogo:

1. Ponto de partida do desenho tático das duas equipas:

Liverpool partia do seu habitual 4-3-3 com Fabinho, Wijnaldum e Henderson no meio-campo; Man City em 4-4-2 com de Bruyne na frente junto a Agüero, meio-campo com Rodrigo e Gündogan no centro.

2. Primeira fase de construção do Man City:

Quadrado no centro com os 2 centrais e dois médios para contornar os 3 avançados do Liverpool, laterais pouco profundos, 4 na frente. Da parte do Liverpool, os 4 da defesa encostavam nos 4 atacantes do Man City, Henderson e Fabinho a pressionar Gündogan e Rodrigo, sobrava Wijnaldum descaído para o lado de Walker e Bernardo Silva. Do lado do City ficava solto Angelino (Lateral Esquerdo) e daí uma grande percentagem dos ataques do City ter sido pelo lado esquerdo (43% esq; 27% meio; 30% dir)

3. Organização Ofensiva do City:

Não difere muito da primeira fase de construção. 2 centrais, 2 médios à frente deles, laterais atrás dos extremos, 2 avançados encostados aos centrais (objetivo era fixar Van Dijk e Lovren?). Curioso que ao contrário do que seria esperado, Rodrigo e Gündogan aproximaram-se sempre muito da área através do corredor lateral, isto é com proximidade aos laterais e extremos maior do que aos dois avançados. Se o objetivo do posicionamento dos dois avançados era fixar os centrais, seria de esperar maior presença dos médios a aparecerem nessas zonas. Por outro lado, talvez se deva a uma tentativa de fechar a saída por Mané e Salah.

Do lado do Liverpool, defesa em 4-4-1-1. 4 defesas, Henderson encosta na direita, Mané baixa na esquerda, Firmino sempre presente (às vezes a fechar a ala ou no meio dos médios) e Salah pronto para atacar a transição entre o meio e a direita.

4. Construção do Liverpool

Man City tentou dificultar a saída do Liverpool com a subida de Rodrigo e Gündogan para apertar Fabinho e Wijnaldum, extremos nos laterais e avançados nos centrais. 4 da defesa a criar superioridade em relação aos 3 avançados do Liverpool. Henderson era o homem livre do Liverpool. Por vezes como médio, outras como extremo, jogando Salah mais por dentro.

Para fugir a esta pressão, além da procura de Henderson, o Liverpool procurava muito trocar o lado da bola com passes longos (DD ou DCD para DE), também a aproveitar pouca largura do City.

5. Geral

City com muita distância entre as várias linhas. Nomeadamente da defesa para o resto da equipa (medo da velocidade?)
Liverpool com dificuldade em jogar pelo centro do campo, mas muito forte nas saídas pelos corredores, sobretudo com Robertson e muito bem a explorar o lado "morto" (lado oposto ao da bola) nos cruzamentos.