quarta-feira, 15 de junho de 2022

Novo Man Utd - O meio-campo

Muito se tem questionado sobre a qualidade dos jogadores que compõem o plantel do Manchester United. Será que existe razão para tanta crítica? Fui dar uma vista de olhos às estatísticas do meio-campo do Man Utd e comparei com o City.


Primeiro os jogadores. (Dados retirados hoje do scout report do FBREF)

Percentis referentes a todos os médios centros das 5 ligas


Bruno destaca-se com bola, Fred e McTominay complementam-se sem bola. Donny van de Beek (DVB) parece ser mais opção a Bruno Fernandes do que aos outros dois, ainda que a época não lhe tenha corrido bem.


Comparando Bruno + Fred + McTominay a De Bruyne + Bernardo + Rodri (sabendo que a soma das estatísticas individuais não são necessariamente igual às estatísticas coletivas)


Olhando para as estatísticas com bola: passes tentados e percentagem de passes completos são expectáveis que subam com Ten Hag e podem aproximar-se dos valores do City. Mas será que no restante também haverá aproximação? Passes progressivos, penso que sim com Bruno a participar mais recuado no jogo e com mais envolvimento da equipa, Fred e McTominay também poderão subir esses valores. Nos "carries", a diferença é muito grande, mas dominando a posse de bola, haverá espaços para os médios progredirem mais. Toques na área é outro problema e aqui, sim, estará muito associado à melhoria do processo coletivo. Quando a equipa estiver confortável a chegar à outra área com bola, os médios aparecerão lá. DVB e Bruno mais naturalmente, Fred também poderá crescer nesse sentido. Poderá fazer sentido pensar em McTominay como 8 e Fred como 6. A altura e jogo aéreo do escocês podem ser um plano B e Fred a desbloquear a partir de posições mais recuadas.


No plano sem bola será natural um decréscimo das ações. Aumentando o tempo com bola, vão ser reduzidos os "tackles", as interceções e pressões. Ainda assim, valores interessantes do Man Utd, sobretudo para Fred.

Resumindo, a considerar alguma adição, pensaria em alguém que acrescentasse progressão com bola. Frenkie de Jong seria uma oportunidade a não desperdiçar, Guendouzi (Marselha) também seria interessante; Cheick Doucouré (Lens) e Maxime Lopez (Sassuolo) com mais risco, mas também acredito que seriam soluções.

domingo, 21 de novembro de 2021

A rever - Centrais

Olhando aos dados estatísticos, vemos uma tendência nas equipas de top em que os centrais têm por base 3 valores em que se destacam.


1. Percentagem de passes completos. Na ordem dos 90% de todos os passes, acima de 90% em passes curtos e médios, acima de 70% nos longos

2. Ultrapassado em drible. São os 1v1 defensivo, normalmente a defender contra-ataques ou situações em que são o último homem. Abaixo de 1 vez ultrapassado a cada dois jogos é um bom indicador

3. Conduções de bola. Mais de 50 conduções de bola por jogo e 4 em progressão


Fui pesquisar alguns jogadores e surgiram os nomes:

Axel Disasi, Mónaco, Francês, 23 anos. Pode melhorar passe longo; muito forte no 1v1 defensivo e também bastante competente na condução.

Warmed Omari, Rennes, Francês, 21 anos. Passe longo acima de 90%, assim como nas outras distâncias; pode melhorar no 1v1 defensivo; precisa de melhorar as conduções. Mais número e mais progressão.

Igor, Fiorentina, Brasileiro, 23 anos. Também acima dos 90% em todas as distâncias de passe; é ultrapassado muitas vezes; muita condução, mas deve aumentar progressão com bola.



domingo, 4 de julho de 2021

Meias Finais do Euro - Antevisão

 Numa altura em que a diversidade de formações é tão elevada, quis ver que equipas chegam às meias-finais do Euro.


1. Espanha

Tipicamente em 4-3-3. Inicialmente com Morata como avançado centro, depois com Ferrán Torres e Moreno a jogar da ala para dentro e Koke mais aberto.



2. Itália

Tal como a Espanha, também em 4-3-3, e também com o lateral direito mais defensivo e o esquerdo mais ofensivo. Neste caso com dois jogadores a pegar na bola mais recuados (Jorginho e Locatelli) e Barella a fazer a ligação ao ataque.



3. Dinamarca


Única das 4 equipas a chegar às meias finais com 3 defesas. Depois linha de 4 e 3 jogadores na frente, 2 mais móveis e um mais fixo. Mais perto do final do jogo trocou os números entre linha média e ataque, passando a 3 médios centros e 2 avançados.



4. Inglaterra

Em 4-2-3-1 durante boa parte do tempo, mas por vezes com aproximação de Mount a Kane para passar a 4-4-2. Laterais bem profundos, com cobertura no meio por Rice. Mantém-se a dúvida sobre quem jogará nas alas: Sterling parece garantido, do outro lado poderá passar por Grealish que se mostrou em muito boa forma; Sancho que esteve bem em alguns momentos, mas não foi tão decisivo quanto seria de esperar; Saka ou Foden também serão opções a considerar para as meias-finais.



domingo, 20 de junho de 2021

Alemanha contra Portugal

 Falar deste jogo é falar sobretudo da gravíssima falha de preparação, mas também de reação durante o jogo ao problema do 4x5 da linha defensiva portuguesa contra o ataque alemão. Mas para além do assunto já abordado por todos, quero falar sobre o posicionamento de Ginter e a falsa linha de 3.


Da UEFA:

Posições Médias na Primeira Parte. Portugal do lado esquerdo, Alemanha do lado direito

Já por aqui se nota a posição de Ginter (número 4) por fora da linha lateral da área e mais à frente de Rudiger (número 2).

No golo anulado é ele que faz o cruzamento para o remate de Gosens.


Lance antes do primeiro golo alemão. Atrai William, Jota tinha ido a Kimmich.




No primeiro golo alemão, na linha dos médios.



No segundo golo alemão, depois a jogada desenvolve-se pelo lado esquerdo, mas aqui já atraiu Jota e puxou o meio-campo para o lado da bola.


No terceiro golo alemão, depois a jogada desenvolve-se em combinações da direita para o centro e depois com o passe para Gosens. De notar aqui que apesar da troca de Bernardo por Renato, os posicionamentos defensivos de Portugal mantêm-se, e naturalmente a bola volta a entrar em Gosens (que de tão aberto que está não aparece na imagem) completamente sozinho.



No quarto golo alemão, antes da bola entrar em Kimmich que centra para Gosens.


Numa típica linha de 3 centrais, Ginter não teria estes posicionamentos tão abertos e avançados. Uma vez que Portugal defendia com 10 atrás da bola, só sobrando Ronaldo na frente, Rudiger e Hummels encarregavam-se de ficar mais recuados e Ginter subia e encostava na linha para chamar Diogo Jota. Chamando Jota, William era obrigado a aproximar para dar cobertura e fazia encostar toda a equipa a esse lado. Foi mais uma ajuda para Gosens.


sábado, 19 de junho de 2021

Inglaterra e a dificuldade de criar oportunidades

Difícil perceber as escolhas de Southgate. Com imensa dificuldade em criar oportunidades de golo ou até de ter a bola na área, entra Grealish bem tarde e fica Sancho no banco.


Olhando para as estatísticas:

1. Passe


Grealish, Mount e Sancho dominam em progressão, passes para área, passes para último terço e passes para remate.


2. Criação de Remate e Golo


Grealish, Sancho e Mount à frente na criação de remate. Foden mais forte que Mount na criação de golo.


3. Posse



Nos dribles, Sancho com muitos dribles e muitos jogadores ultrapassados, Grealish com uma percentagem altíssima de sucesso e ambos com progressão, entrada no último terço, entradas na grande área. Do lado negativo, muitas perdas de Sterling.


4. Defesa



Mesmo na parte defensiva, Grealish, Mount e Sancho a terem os valores mais elevados de sucesso na pressão. Aqui muito bem Foden com bastante pressão, principalmente no último terço.






sábado, 20 de março de 2021

A rever - Villar (Roma) e Solomon (Shakhtar Donetsk)

Estava a ver o jogo Shakhtar Donetsk vs Roma e gostei muito de ver dois jogadores: Gonzalo Villar da AS Roma e Manor Solomon do Shakhtar Donetsk.


Dois estilos muito diferentes, Villar mais simples e completo; Solomon com uma facilidade tremenda no drible, capaz de desequilíbrios em cada jogada.


Villar, nascido em 1998, tem hoje 22 anos (faz em dias 23). O espanhol, chegou à Roma do Elche. Médio centro, joga num meio-campo a dois, normalmente ao lado de Veretout. Pelas suas capacidades pode jogar seja como médio mais recuado ou como mais criativo.


Solomon, nascido em 1999, hoje tem 21 anos. Isrealita, chegou ao Shakhtar vindo do Petah Tikva no início de 2019. Joga como extremo no 4-3-3 de Luís Castro. 5 golos em 15 jogos na Liga Ucraniana não é muito, mas certamente que tem qualidade para aumentar a produção.



domingo, 7 de fevereiro de 2021

Ações no futebol - O que fazem os jogadores em campo - Parte 1

Como agora tenho andado de volta das estatísticas, peguei nos dados do FBREF dos 500 jogadores com mais minutos das 5 ligas analisadas (Inglesa, Alemã, Espanhola, Italiana e Francesa) e fui explorar que tipo de ações tinham os jogadores durante o jogo:

Dividi em 3 partes: ações ofensivas, ações defensivas e ações de transição.

Ações Ofensivas: contei os remates tentados, passes tentados, dribles tentados e "carries" (número de vezes que um jogador controla a bola)

Ações Defensivas: desarmes, pressões, bloqueios, intercepções e alívios

Ações de Transição: Recuperação de bolas "soltas", duelos aéreos ganhos e perdidos

Olhando ao geral temos em média: 83 ações ofensivas, 16 defensivas e 11 de transição, com um total de 110 ações.

Dividindo por posições (aqui só selecionei os jogadores que a base de dados define claramente como guarda-redes, defesas, médios ou avançados)

GR: mínimo de 87% de ações ofensivas e máximo de 94%, só as transições têm alguma impacto variando entre 6% e 13%

Nos jogadores de campo, as variações são bem maiores, com diferenças percentuais entre mínimos e máximos entre os 29% e 34% para ações ofensivas, 22 a 25% para ações defensivas e 16 e 17% para ações de transição.

Em média temos:

DF: 75-15-10 (média de 128 ações)

MF: 72-18-10 (média de 131 ações)

FW: 70-18-12 (média de 86 ações)

Relevância disto: grande parte das ações no jogo são executadas com bola. Entre 25 e 30% das ações são sem bola.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Scouting com estatísticas

Seguindo a análise estatística já iniciada no post anterior, fui agora procurar jogadores em destaque que não tivessem um valor muito alto de mercado (abaixo de 10M € no transfermarkt) e dentro dos sub23.

Dentro das 5 ligas abordadas no fbref.com, e tendo em conta as divisões feitas no site, chamaram-me a atençao os jogadores:

- Ibrahima Niane, Metz, nascido em 1999, avançado. 6 jogos, 6 golos. Acima de 3 remates por 90 minutos, 1,50 remates à baliza e 0,25 golos/remate também é uma média interessante. A melhorar na secção de remate parece ser a opção de quando remata: 0,12 npxG/remate (isto é, 12% de expectativa de golo fora penáltis por remate). A provar isto a diferença entre golos esperados (xG) e golos também é bastante alta. Por norma é um bom indicador de bons finalizadores: não precisam de grandes expectativas para marcarem golos. Não participa muito na criação e a percentagem de passes completos podia ser mais alta (71%). Não é dos jogadores mais ativos na pressão, mas estes valores também estão muito condicionados pelas ideias de jogo da equipa. O jogo aéreo tem valores interessantes com 4,62 ganhos por 90 minutos e 50% de sucesso. Perdas de bola por falha no controlo são um ponto a melhorar.


Valor no Transfermarkt: 9.00M €


- Romain Faivre, Brest, nascido 1998, extremo. 19 jogos, 4 golos, 3 assistências. 9º de todos os jogadores em passes para remates, expetativa de assistências acima do número efetivo de assistências, o que indica que está a criar mas não está a ser ajudado pelos finalizadores dos seus passes. 4º das 5 ligas em ações criadoras de remate, que mais uma vez não tem conversão para ações criadoras de golo. Muito desta criação vem de bola parada. 4 ações defensivas no último terço podem ser aumentadas, mas tal como com o Niane, podem estar relacionadas com a estratégia da equipa. 10º em progressão em drible de todos os jogadores e mais de 3 dribles por 90 minutos. Na bola aérea não é mau, mas não é expectável que marque a diferença neste ponto. 78% de passes certos, é relativamente bom para extremo, mas ainda assim contribui para 10 perdas de bola por jogo. 8 recuperações por 90 minutos ajudam a compensar.


Valor no Transfermarkt: 8.00M €


- Nicolas Dominguez, Bologna, nascido em 1998, médio centro. Muitos passes para o último terço, muita progressão, mas ainda pouca criação (ainda não teve nenhuma ação criadora de golo). O que realmente chama a atenção em Dominguez é o trabalho defensivo. Quase 10 ações por 90 minutos entre bloqueios, desarmes e interceções. 6,80 só em desarmes e interceções (para comparação, Kanté tem 5.83). Perto de 86% de passes completos é um número bastance apreciável. Acerto alto nos dribles (também nos 86%) ainda que em pouco mais de 1 por 90 minutos, com 1 jogador ultrapassado por drible bem sucedido. No jogo aéreo, 2 duelos ganhos por 90 minutos com 63% de sucesso. Em relação ao balanço entre ganhos e perdas de bola, o saldo é positivo, muito ajudado pelas mais de 12 recuperações por 90 minutos. 


Valor no Transfermarkt: 10.00M €


- Loic Bade, Lens, nascido em 2000, defesa central. O jogador que mais me impressionou. 87% de acerto no passe, que são reduzidos por algum excesso de passes longos (27% dos passes que faz são longos, com 76% de acerto). No passe de média distância tem 92% de acerto. Naturalmente a criação não é o forte do seu jogo quando comparado aos restantes, mas com valores de progressão de passe bem altos (ainda que precise de melhorar para chegar aos níveis dos jogadores de top - a redução de passes longos deverá ajudar). A parte defensiva é naturalmente o seu forte: 55% de sucesso nos desarmes contra drible, 3 desarmes por 90 minutos, 43% de pressões bem sucedidas e acima de 7 ações de bloqueio, desarme e interceções por 90 minutos. Menos de 1 drible por jogo, mas com 100% de sucesso e com 1 jogador ultrapassado por drible. No jogo aéreo, também é impressionante com 72% de sucesso em 4,50 ganhos por 90 minutos. 8,73 perdas de bola por 90 minutos (em que 8,07 se referem aos passes já abordados) é muito bom, com 13,40 recuperações por 90 minutos dá um saldo positivo.


Valor no Transfermarkt: 6.00M €



segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Mais parecido com Messi - Análise Estatística

A partir de um post numa rede social onde se perguntava quem era o jogador mais similar a Messi, iniciei uma busca pelas estatísticas.

O processo foi bastante simples :
1. A partir dos dados do fbref.com, retirei os valores de posse (/drible), passe e criação de golo e remate de todos os jogadores das ligas inglesa, alemã, espanhola, italiana e francesa da época 19/20.
2. Dentro da liga espanhola, procurei em que estatísticas Messi estava no top 15 da Liga. Todas normalizadas por cada 90 minutos jogados.
3. Calculei o quadrado das diferenças de todos os jogadores dessas ligas em relação ao Messi para estas mesmas estatísticas.

Antes de apresentar o resultado final, mostro só as estatísticas em que Messi se evidencia:


Apenas os "megs" (bolas pelo meio das pernas do adversário) não estão por 90 minutos, mas em total por época.

De notar que também não atribuí pesos (/importância).

Resultados:
1. Neymar (60.99%)
2. Angel Di Maria (125.17%)
3. Jadon Sancho (141.53%)
4. Papu Gomez (173.04%)
5. Josip Ilicic (186.83%)

Comentários:
A aproximação de Neymar é impressionante. São muitas estatísticas similares e muito distanciado do segundo mais parecido.
Di Maria, Papu e Ilicic já com mais de 30 anos, mas com excelentes épocas.
Jadon Sancho, do outro lado da balança, com apenas 19 anos e após uma época fantástica com 17 golos e 16 assistências na Liga Alemã, a mostrar que é já um dos melhores do mundo.



Alguns nomes a ter em conta:
Paulinho, Leverkusen - A conta com uma rotura de ligamentos, pode prejudicar a carreira, mas como é novo, ainda tem tempo para recuperar.



Emi Buendia, Norwich - Desceu com o Norwich ao Championship, mas prevê-se que voltem a subir. Ainda assim, haverá projetos interessantes, certamente.

Angelo Fulgini, Angers - Ainda no Angers, apresenta valores interessantes no drible. Joga habitualmente no meio-campo.

Sub21 na lista (diferença inferior a 500%) ainda não falados: Callum Hudson-Odoi, Mbappé, Giovanni Reyna, Odegaard, Havertz, Kulusevski, Riqui Puig, Moussa Diaby e Yacine Adli.


domingo, 18 de outubro de 2020

Influência do erro individual na organização coletiva

 Partindo do jogo Man City vs Arsenal de 17/10/2020, segue o lance do primeiro golo do City

1. Começando pelo posicionamento das equipas:

Man City em organização ofensiva: 4-4-2/3-1-4-2: Ederson; Walker DD, Rodri entre MD e DC, Rúben Dias DC, Aké DE, Cancelo e Bernardo como "8", Mahrez e Foden nas alas, Sterling e Aguero na frente.

Man City em organização defensiva 4-4-2: Cancelo baixa para lateral, Rodri a par de Bernardo, Walker como central.

Arsenal em organização ofensiva 4-3-3/4-4-2: Leno, Bellerin DD, Tierney DE, Gabriel e David Luiz DC, Ceballos MD, Xhaka MCD, Saka entre MCE e EXE, Pepe EXD, Aubameyang entre EXE e PL, William mais solto na frente entre 10 e PL

Arsenal em organização defensiva 5-2-3: Tierney recua para 3º central, Saka fecha a ala, Ceballos e Xhaka no meio.


2. Sobre o lance do golo: Xhaka sai no Rodri, Ceballos fica como pivô, centrais do Arsenal tinham indicação para seguir movimentos de apoio de Sterling e Aguero, por isso, Gabriel seguiu Aguero. Rúben Dias descobre Mahrez na ala, ultrapassando logo os 3 da frente e os 3 do meio-campo (Gabriel em vez de Ceballos).

Imagem 1
Imagem 2

Arsenal repõe a linha defensiva com Ceballos, mas muita distância entre linhas. E atente-se a Xhaka na Imagem 1 e Imagem 2. Dias sem pressão, vai fazer o passe para uma zona nas costas dele e a orientação corporal e dos apoios ainda é em relação a Rodri.
Imagem 3

Na imagem 3 dá para ver a distância entre linhas e também a distância de Xhaka à zona de ação do jogo.

Imagem 4

Ceballos vai saltar no Aguero e falha a interceção, deixando o argentino em 3x3 com Foden à esquerda e Sterling à direita, Gabriel, David Luiz e Bellerin à frente dele. Aguero progride, fixa o David Luiz e quando Bellerin fecha para dar cobertura a David Luiz, Aguero passa a Foden; Foden desequilibra no 1x1 com Bellerin, consegue o remate; Leno defende para a frente e Sterling marca na recarga.

Da imagem 1 em que Gabriel e Xhaka estão quase em linha, até ao final da jogada em que Gabriel recuperou até à última linha e Xhaka recuperou a passo e ficou à entrada da área, para além do erro na orientação corporal, a displicência na recuperação. A este nível são este tipo de pormenores que decidem jogos. A rever por Arteta.


quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Final 8 da Champions League: Algumas notas - Parte 3

Conclusões

Atalanta interessante, mas sem grandes alternativas ao onze inicial. Será difícil manter o onze inicial por muito tempo, pois já são jogadores com 28+ anos: Toloi (29), Palomino (30), De Roon (29), Freuler (28), Papu (32), Ilicic (32) e Zapata (29). Não serão vendas de grande valor que permitam repor com jogadores mais jovens. A questão da marcação HxH funciona internamente, mas tem grandes dificuldades com oposição de maior qualidade, que consiga resolver facilmente 1x1.

PSG muito dependente da qualidade individual, sobretudo os 3 da frente: Di Maria, Neymar e Mbappe. Tuchel vem conseguindo juntar alguns jogadores, para equilibrar a equipa, mas ainda é um plantel muito deficiente de alternativas.

Leipzig com boas ideias, mas individualmente ainda não é top europeu. Estão em crescimento contínuo e com toda a estrutura RB certamente vão ser um clube de topo nos próximos anos.

Atlético Madrid com dificuldade a sair do seu modelo de agressividade e reação, para um modelo que controle mais todos os momentos do jogo. Com tempo e contratações certas, Simeone poderá transformar a equipa. Já tem bastante qualidade no plantel para construir algo mais.

Bayern soberbo, com um plantel fantástico. Constrói a partir da primeira linha, com jogadores com passe longo preciso. Depois da bola entrar nos jogadores da frente, partem todos para a baliza. Reação à perda de bola conjunta, com a preocupação em manter uma linha de 4 mais recuada. Vão perder (à partida) Thiago, mas já acrescentaram Nubel e Sane.

Barcelona destruído, sem líder. Mas com muita qualidade individual no plantel, emprestados e na academia. Com necessidade de se reinventar, começando por uma decisão clara sobre o treinador e o seu papel.

Man City estranhamente cauteloso, mas na mesma com as dificuldades em defender longe da baliza. Espera-se melhor época internamente assim como na LC.

Lyon com muitas dificuldades internas a bater-se com o PSG, mas apesar de uma má época, será de esperar que lute pelo 2o lugar no campeonato, relembrando que não haverá competições europeias para o Lyon.

Globalmente foram ganhando equipas com coletivos mais fortes, com ideias/objetivos comuns como o Bayern e o Lyon; a explorar espaços mais que jogar com um esquema tático rígido como o Leipzig e também o Bayern; equipas com jogadores a decidir no 1x1, com bola no pé e na profundidade como o PSG e (mais uma vez...) também o Bayern.


Minha Equipa dos Quartos de Final

Os que cumpriram mais com o princípio de jogar o espaço.



segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Final 8 da Champions League: Algumas notas - Parte 2

Bayern vs Barcelona

Gnabry solto atrás de Lewa com Muller mais encostado na direita. Sempre com muita mobilidade.

Bayern mais equipa em tudo. Soberbos no apoio em todas as tarefas.

Barcelona completamente desfeito. Não há linhas de passe, não há organização defensiva, não há pressão coletiva... Sobra Messi, Alba e De Jong. É notória a falta de um líder que não é Messi, nem Piqué, nem Busquets.

Barcelona de Setien com 1. Ter Stegen; 3. Piqué; 15. Lenglet; 2. Semedo; 18. Alba; 5. Busquets; 21. De Jong; 20. Roberto; 22. Vidal; 10. Messi; 9. Suarez. Bayern de Flick com 1. Neuer; 17. Boateng; 27. Alaba; 32. Kimmich; 19. Davies; 6. Thiago; 18. Goretzka; 22. Gnabry; 25. Muller; 14. Perisic; 9. Lewandowski. Fonte: WhoScored.


City vs Lyon

City a começar em 5-3-2, depois a rodar para 5-2-1-2 com de Bruyne solto entre Rodri-Gundogan e Sterling-Jesus. Lyon em 5-3-2 também, mas com uma ideia bastante diferente. Só o City procurou a bola, mas contrariamente ao habitual com poucos jogadores à frente da linha da bola e com uma enorme dependência de Kevin de Bruyne.

Lyon sempre à espera de lançar o contra-ataque, nomeadamente a profundidade de Depay e Ekambi. Aouar com uma posição interessante, mas muito difícil. Sempre entre a ocupação do meio-campo e o apoio aos 2 da frente.

De estranhar a ausência de Bernardo, Foden e David Silva (entra aos 84 minutos) deste jogo.

City de Guardiola com 31. Ederson; 25. Fernandinho; 50. Garcia; 14. Laporte; 2. Walker. 27. Cancelo; 16. Rodri; 8. Gundogan; 17. de Bruyne; 9. Jesus; 7. Sterling. Lyon de Rudy Garcia com 1. Lopes; 5. Denayer; 6. Marcelo; 20. Marçal; 14. Dubois; 27. Cornet; 25. Caqueret; 39. Guimarães; 8. Aouar; 11. Depay; 21. Ekambi.

domingo, 23 de agosto de 2020

Final 8 da Champions League: Algumas notas - Parte 1

Atalanta vs PSG

3-4-1-2 do Atalanta contra o 4-3-3 do PSG. Atalanta com Pasalic a fazer de Ilicic, mas a ser corpo estranho. PSG sem Verratti, Mbappé, Di Maria e Paredes. Meio-campo com Marquinhos, Gana Gueye e Ander Herrera; na frente Neymar mais solto com Sarabia e Icardi mais abertos.

Atalanta com a habitual marcação Homem a Homem no campo todo. PSG sem movimento encaixou na perfeição na marcação, apenas Neymar criava dificuldades com movimentação e com bola.

Quanto Papu sai, Atalanta praticamente desaparece porque não tem grandes opções para o substituir (principalmente sem Ilicic disponível) e já estava fisicamente muito desgastada. Do outro lado entrou Mbappé a procurar espaços em apoio e sobretudo na profundidade. Aí, a marcação HxH caiu e o jogo tornou-se fácil para o PSG.

Atalanta de Gasperini com 57.Sportiello; 2. Toloi; 3. Caldara; 19. Djimsiti; 33. Hateboer; 8. Gosens; 15. De Roon; 11. Freuler; 10. Papu; 88. Pasalic. 91. Zapata. PSG de Tuchel com 1. Navas; 2. Thiago Silva; 3. Kimpembe; 4. Kehrer; 14. Bernat; 5. Marquinho; 21. Ander Herrera; 27. Gana Gueye; 18. Icardi; 10. Neymar; 19. Sarabia. Fonte: WhoScored




Leipzig vs Atlético de Madrid

Leipzig com muita mobilidade a "saltar" entre 4-4-2 e 3-4-3. Na defesa sobretudo em 4-4-2 com Angelino na esquerda e Klostermann na direita; Sabitzer na direita e Laimer ao lado de Kampl no meio-campo; Poulsen e Dani Olmo na frente. Estranhamente, Sabitzer e Laimer trocavam em ataque organizado. Levou a uma conversa perto do intervalo com o treinador e a partir daí, Sabitzer sempre interior e Laimer na ala. Em ataque, Angelino com a ala esquerda toda, Nkunku juntava-se a Poulsen e Olmo. Atlético sem grandes novidades. Koke na direita, Saul e Herrera no meio, Llorente na frente junto a Diego Costa, também um corpo estranho neste jogo (o Llorente).

Estranho verificar que mesmo com Saul e Herrera para sair a jogar, muitas vezes era Koke a baixar para junto dos centrais para iniciar construção e com Llorente a encostar na direita.

No Leipzig dinâmica de 2 avançados a defender: um em contenção na bola, outro em cobertura/marcação ao "6".

A causar muitas dificuldades ao Leipzig o jogo de costas para a baliza de Diego Costa. Sempre que baixava para receber, Upamecano seguia e libertava espaço para a entrada de um jogador nas costas. Há 2 lances de perigo com Carrasco a aparecer nesse espaço e depois surge o penálti sobre João Félix também no seguimento do mesmo tipo de jogada.


Leipzig de Nagelsmann com 1. Gulacsi; 16. Klostermann; 5. Upamecano; 23. Halstenberg; 27. Laimer; 7. Sabitzer; 44. Kampl; 3. Angeliño; 25. Olmo; 9. Poulsen. Atlético de Simeone com 13. Oblak; 15. Savic; 2. Gimenez; 23. Trippier; 12. Renan Lodi; 6. Koke; 16. Herrera; 8. Saul; 21. Carrasco; 14. Llorente; 19. Diego Costa. Fonte: WhoScored



sábado, 20 de junho de 2020

Erros Individuais Defensivos - Maguire vs Bergwijn

Maguire foi muito criticado pelo lance do golo do Tottenham. Muita gente critica sem apontar falhas. Vou fazer a minha leitura do lance e dos erros individuais do jogador.

Início do lance - Bergwijn recebe a bola orientado para a baliza do Utd
Início do lance: Bergwijn recebe a bola orientado para a baliza do Utd, descaído para a direita. Situação de 3x3 à frente da bola (centrais e lateral direito do Utd vs extremos e avançado dos Spurs), 2x2 na zona (centrais vs Bergwijn e Kane); médio e lateral esquerdo do Utd são os mais próximos seguidos de Lamela.

Momento 1 - Maguire vira os apoios para a linha lateral
Momento 1: Maguire orienta os apoios para a linha lateral, na tentativa de defender a corrida pelo exterior do portador da bola. Erro porque não fechou as outras possibilidades antes. Como está muito afastado de Bergwijn, permite a condução por dentro (mais perigosa, ainda por cima). Não ajuda a distância do outro central ser tão grande e daí também não ter cobertura. Aqui também erro de Maguire por não ter conhecimento do que se passa em seu redor.


Momento 2 - Maguire roda pela frente
Momento 2: Depois de perceber que Bergwijn não conduziu por fora, Maguire precisa de recuperar a posição para perseguir o atacante. Erro porque rodou pela frente, para depois ter que continuar a rotação para a sua baliza. Neste tipo de situações, a rotação pelo lado da baliza garante sempre menor tempo de rotação. Neste caso ficou completamente fora do lance, não quer dizer que a rotação correta o tivesse colocado numa posição para impedir o golo, mas certamente que estaria mais próximo.

De notar que é o primeiro jogo em 3 meses, logo não acho que o jogador deva ser analisado por este lance. Fisicamente e mentalmente será questionável se os jogadores já se apresentam a 100%.

Fica o vídeo também.

domingo, 15 de março de 2020

Atacantes na Área vs Remates na Área

Tenho um grande interesse em estatísticas. Não que lhes dou uma importância maior do que têm. São números e quando descontextualizadas podem levar a leituras erradas da realidade.

Esta semana deparei-me com um quadro interessante:
Fonte: Euan Dewar (Twitter)

Relaciona o número de atacantes dentro da área quando um remate é feito (descontando o rematador) com o número de remates feitos dentro da área em jogo corrido por jogo.

A partir dos 7 remates por jogo: Dortmund, Real Madrid, Leverkusen, Gladbach, Barcelona, Inter, Leipzig, Nápoles, Chelsea, Juventus, Lazio, Liverpool, PSG, Atalanta, Man City e Bayern. Rapidamente percebemos que filtra as equipas que melhor estão a jogar este ano (as melhores posicionadas nos seus campeonatos - top 5 alemão; 3 do top 4 inglês (falta Leicester); top 2 espanhol; 5 do top 6 italiano (falta a Roma que também está quase nos 7 remates por jogo); e o PSG). Saliente-se a proposta mais ofensiva do campeonato italiano ao contrário do que era comum. Fim do catenaccio?

Em relação ao outro eixo, pode este sim dar azo a algumas leituras que carecem de alguma análise mais detalhada:
- O que se tem passado com o City esta época? Com tanto remate e tanta gente na área seriam de esperar melhores resultados. Demasiada gente a entrar na área está a desproteger a equipa nas transições?
- PSG e Juventus apesar de serem tão dominantes não têm muitos jogadores dentro da área. Do 11 que mais tem jogado, do meio-campo temos: Bentancur, Matuidi, Pjanic. Matuidi muitas vezes a jogar como ala, Bentacur também do meio para a direita e Pjanic como médio centro único. Aqui faltará a entrada dos médios, também de algum dos laterais, eventualmente. Mas também como no PSG, há uma clara dificuldade dos treinadores de encontrarem um onze-base. Seja por lesões de alguns jogadores ou outras questões.
- Impressionante a Atalanta. Não é só "hype", há muito trabalho feito. Muito remate, com muita gente a chegar. Quase tanta gente como o Liverpool. Levanta duas questões: com jogadores de nível mais alto, o que poderia fazer a Atalanta? Com o aumento de reputação, normalmente há uma alteração de comportamentos defensivos dos adversários. Conseguirá a Atalanta produzir o mesmo com equipas fechadas atrás?
- Em termos de Ligas: Espanha a chegar com muita gente à área, mas poucos remates na área. Na liga Francesa, também com poucos remates, mas é claramente a equipa que menos jogadores põe na área adversária?
- Também de notar a questão da análise estatística: enquanto no número de remates vemos uma variação grande entre 3 e 11 remates por jogo; na quantidade de jogadores a variação é muito baixa: entre 2.5 e 4.5, com grande parte das equipas entre os 3.25 e os 4.25, isto é, diferença de 1 jogador entre os dois limites.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Barcelona de Quique Sétien - Primeiras Impressões

Ao fim da primeira parte do Barcelona - Granada, já dá para ter uma ideia do que procura Quique Sétien para o seu Barcelona.

A defender o 4-4-2 herdado de Valverde. 2 linhas de 4, Messi e Griezmann soltos, sem grandes responsabilidades. Dá ideia de haver um indicador para iniciar a pressão com passe atrasado. Normalmente algum jogador salta na pressão atrás da bola, outros jogadores ajustam em marcação HxH.

Organização defensiva vs Granada
Com bola, Alba e Fati soltos nas alas, bem profundos; Roberto fica atrás junto de Piqué e Umtiti; Vidal mais próximo da área e Rakitic mais próximo de Busquets; Messi com total liberdade e Griezmann também livre, mas mais junto da área. Primeira fase de construção muito paciente, muita troca de bola, essencialmente até bola entrar em Messi.

Organização Ofensiva vs Granada

Ficam algumas dúvidas:
- Onde encaixa de Jong? Como central por troca com Umtiti? No lugar de Roberto? Desce Busquets para central? Por troca com Vidal ou Rakitic? E Arthur?
- Quem mais cria oportunidades? Para já, só Messi entra na área adversária (seja em passe ou drible). Noutros tempos tinha ajuda de Xavi, Iniesta e Dani Alves. Pede-se mais criatividade, principalmente aos 2 interiores que jogam nas costas dele e mais golo aos extremos.
- Como é que a equipa adapta ao deambular de Messi? Por vezes, Messi procura a ala direita e Fati desviou para o meio, mas quando equipa perde a bola, fica o lado direito desfalcado.

domingo, 17 de novembro de 2019

Liverpool 3 - Man City 1 - 10/11/2019: Algumas notas

Algumas considerações sobre o jogo:

1. Ponto de partida do desenho tático das duas equipas:

Liverpool partia do seu habitual 4-3-3 com Fabinho, Wijnaldum e Henderson no meio-campo; Man City em 4-4-2 com de Bruyne na frente junto a Agüero, meio-campo com Rodrigo e Gündogan no centro.

2. Primeira fase de construção do Man City:

Quadrado no centro com os 2 centrais e dois médios para contornar os 3 avançados do Liverpool, laterais pouco profundos, 4 na frente. Da parte do Liverpool, os 4 da defesa encostavam nos 4 atacantes do Man City, Henderson e Fabinho a pressionar Gündogan e Rodrigo, sobrava Wijnaldum descaído para o lado de Walker e Bernardo Silva. Do lado do City ficava solto Angelino (Lateral Esquerdo) e daí uma grande percentagem dos ataques do City ter sido pelo lado esquerdo (43% esq; 27% meio; 30% dir)

3. Organização Ofensiva do City:

Não difere muito da primeira fase de construção. 2 centrais, 2 médios à frente deles, laterais atrás dos extremos, 2 avançados encostados aos centrais (objetivo era fixar Van Dijk e Lovren?). Curioso que ao contrário do que seria esperado, Rodrigo e Gündogan aproximaram-se sempre muito da área através do corredor lateral, isto é com proximidade aos laterais e extremos maior do que aos dois avançados. Se o objetivo do posicionamento dos dois avançados era fixar os centrais, seria de esperar maior presença dos médios a aparecerem nessas zonas. Por outro lado, talvez se deva a uma tentativa de fechar a saída por Mané e Salah.

Do lado do Liverpool, defesa em 4-4-1-1. 4 defesas, Henderson encosta na direita, Mané baixa na esquerda, Firmino sempre presente (às vezes a fechar a ala ou no meio dos médios) e Salah pronto para atacar a transição entre o meio e a direita.

4. Construção do Liverpool

Man City tentou dificultar a saída do Liverpool com a subida de Rodrigo e Gündogan para apertar Fabinho e Wijnaldum, extremos nos laterais e avançados nos centrais. 4 da defesa a criar superioridade em relação aos 3 avançados do Liverpool. Henderson era o homem livre do Liverpool. Por vezes como médio, outras como extremo, jogando Salah mais por dentro.

Para fugir a esta pressão, além da procura de Henderson, o Liverpool procurava muito trocar o lado da bola com passes longos (DD ou DCD para DE), também a aproveitar pouca largura do City.

5. Geral

City com muita distância entre as várias linhas. Nomeadamente da defesa para o resto da equipa (medo da velocidade?)
Liverpool com dificuldade em jogar pelo centro do campo, mas muito forte nas saídas pelos corredores, sobretudo com Robertson e muito bem a explorar o lado "morto" (lado oposto ao da bola) nos cruzamentos.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Notas sobre Krasnodar

Vi o jogo Krasnodar-Sochi (está disponível no youtube) e ficam algumas notas:

Jogaram em 4-2-3-1/4-4-2
4 defesas - Petrov DD, Ramirez DE, Martynovich DCD, Spajic DCE.
Ramirez mais ofensivo que Petrov.
Centrais confortáveis com bola, mas passe longo vai para fora.
Kambolov como pivô. Dá cobertura aos defesas e junta muito fazendo linha de 3.
Vilhena box-to-box, às vezes procura ala e troca com o extremo.
Wanderson EXD aparece muito no meio perto do PL.
Namli EXE aparece mais em apoio aos MC.
Ari solto atrás do PL, baixa para participar na construção.
Ignatiev como PL.

Será de esperar Cabella e eventualmente Olsson contra o Porto. Namli o mais provável a sair, tal como Ignatiev.

Gazinskiy e Claesson lesionados são grandes baixas.

Muita referência HxH. Mobilidade dos avançados do Porto pode fazer estragos.
Muito susceptíveis a contra-ataques. Deixá-los subir e depois pressionar/recuperar para os apanhar desposicionados parece boa opção. Fraca reação à perda de bola. Normalmente acabam a defender com 3/5 (DCs, MD, e eventualmente os laterais)
Alas trocaram de lado a meio da primeira parte. Wanderson pega mais na bola e faz diagonais com bola.
Por vezes Kambolov junta-se aos centrais e faz defesa a 3, Vilhena encosta ao lado esquerdo e não fica ninguém entre centrais a trocar bola e avançados (equipa parte em 4+Petrov+5)

Canto Defensivo HxH mais 1 no primeiro poste e 1 alinhado ao primeiro poste, mas fora da pequena área.

É uma equipa pouco trabalhada coletivamente, mas com bons valores individuais. Cabella, Ari, Wanderson e Vilhena fazem muitos estragos sozinhos. Ignatiev também tem instinto de PL, posiciona-se bem na área e reage muito rápido. É preciso ter cuidado com remates de longe, porque Ignatiev chega primeiro na recarga.

domingo, 2 de junho de 2019

Final da Liga dos Campeões - Tottenham Org.Of. vs Liverpool Org.Def.

Quero abordar sobretudo a Organização Ofensiva do Tottenham contra a Organização Defensiva do Liverpool, pois muito do jogo foi jogado nesta situação específica.

Em baixo a imagem mostra o posicionamento "normal" neste momento do jogo. Tottenham em azul e Liverpool a vermelho.



Do lado do Tottenham até à primeira substituição: Alderweireld e Vertonghen a centrais, Trippier e Rose nas alas, Winks e Sissoko na primeira linha do meio-campo, Kane junto dos centrais do Liverpool e Eriksen, Alli e Son nas costas de Kane, mas bastante projetados na profundidade (ainda que a jogarem bastante por dentro, principalmente Eriksen que seria o extremo direito).

Do lado do Liverpool: Alexander-Arnold e Robertson nas laterais, Van Dijk e Matip a centrais, Fabinho, Henderson e Wijnaldum no meio-campo e o típico trio de ataque: Salah na direita, Mané na esquerda e Firmino no meio.

Rapidamente é perceptível que a subida do trio de ataque do Liverpool para pressionar os dois centrais liberta os laterais do Tottenham. Principalmente com os laterais do Liverpool a defenderem muito dentro pela presença interior dos extremos do Tottenham. Pelo interior, tornava-se muito difícil o Tottenham evoluir. Os dois médios de apoio estavam controlados por 6 jogadores do meio-campo e ataque e o passe direto dos centrais para os 4 da frente era quase impossível, ainda que tivesse sido tentado várias vezes, principalmente a tentar a bola nas costas da defesa do Liverpool (movimento muito procurado, sobretudo por Son). O passe para os dois médios  de suporte entrou algumas vezes, mas nem Winks nem Sissoko conseguiram dar grande seguimento ao lance, normalmente voltando a bola aos centrais.

Falhou o Tottenham em perceber e aproveitar esta situação de jogo. Fazer algo ao estilo do que fez Paulo Fonseca contra o Man City. Chamar o Liverpool, obrigando a esticar na profundidade; subir os laterais; prender os laterais do Liverpool com os extremos por dentro e depois chegar ao meio-campo adversário através dos laterais. E reparando na imagem acima, facilmente se percebe que aí, o Tottenham iria ter situações em 6x4/5 (dependendo da profundidade de Fabinho).

A partir dos 66 minutos, o Tottenham melhorou bastante. A troca de Lucas Moura por Winks, levou Eriksen para médio centro (melhorando muito a qualidade na saída de bola) e Lucas a jogar no meio procurou mais vezes dar a linha de passe do que os seus colegas.

Sobra dizer que não entendo a lógica de Pochettino. Se procurava a bola nas costas da defesa do Liverpool, para aproveitar a linha alta, deixar Lucas no banco e jogar com Eriksen na frente é muito discutível. E no final, a precisar de criatividade e de um golo, lançar Dier em vez de Lamela, não me pareceu ideal.

domingo, 26 de maio de 2019

Porto e a (in)felicidade do fim de época

Tem ecoado em comentários nas redes sociais a felicidade pelo fim de uma época sem títulos do Porto. Duvido de tal justificação para a felicidade, pois na minha opinião, o que se avizinha não dá razões para isso.

Começando pelo onze base que terminou a época: Casillas, Militão, Felipe, Pepe, Telles, Danilo, Herrera, Brahimi, Corona, Marega e Soares.

1 - Casillas deverá terminar a carreira
2 - Militão já está vendido
3 - Fala-se na venda de Felipe
4 - Também na de Telles
5 - Herrera termina contrato
6 - Também Brahimi
7 - Também é provável a venda de Marega

Fica Pepe com 36 anos, Danilo (e a sua venda já foi falada no ano passado), Corona e Soares.

Dos suplentes, também Maxi, Hernani, Adrián e Fabiano não deverão fazer parte da equipa.

Sobra então por posição:
GR: Vaná
DD: Manafá
DE: ?
DC: Pepe, Mbemba, Diogo Leite
MD: Danilo, Loum
MC: Oliver, Bruno Costa
EX: Corona, Otávio
PL: Soares, Aboubakar, Fernando Andrade, André Pereira

Da equipa B, fora os já abordados Diogo Leite e Bruno Costa, pouco sobrará para fazer a transição. João Pedro esteve bem, mas nunca foi opção para Sérgio Conceição. Alguns poderão ser opção para o banco, mas dificilmente algum será titular. Dos júniores, a transição, à partida, será para a equipa B antes de passarem à A.

Ainda assim, acredito que Oleg Reabciuk, João Pedro, Diogo Queirós, Romário Baró, Marius e Diogo Costa deverão fazer a pré-época.

Dos empréstimos, Osorio, João Costa, Galeno, Jorge Fernandes e Sérgio Oliveira devem também fazer testes.

Resumindo tudo, a pré-época (fora compras), começaria com:

GR: Vaná, Diogo Costa, João Costa
DD: Manafá, João Pedro
DE: Oleg Reabciuk
DC: Pepe, Mbemba, Diogo Leite, Diogo Queirós, Osorio, Jorge Fernandes
MD: Danilo, Loum
MC: Oliver, Sérgio Oliveira, Bruno Costa, Romário Baró
EX: Corona, Otávio, Galeno
PL: Soares, Aboubakar, Fernando Andrade, André Pereira, Marius

Supondo um onze inicial com Vaná // Mbemba, Pepe, Osorio, Manafá // Otávio, Danilo, Oliver, Corona // Aboubakar, Soares ; é um onze não muito mais fraco do que este ano, mas cada vez mais fraco e muito mau quando comparado ao onze que AVB e Vítor Pereira tinham à disposição há não muitos anos atrás, por exemplo.

Claramente é uma equipa com necessidade de compras para o onze inicial, sobretudo para as laterais, extremos e mesmo para avançado (Fernando, André e Marius não são solução para o onze inicial, Aboubakar tem tido muitos problemas com lesões e Soares não é um jogador de qualidade indiscutível).