terça-feira, 6 de agosto de 2019

Notas sobre Krasnodar

Vi o jogo Krasnodar-Sochi (está disponível no youtube) e ficam algumas notas:

Jogaram em 4-2-3-1/4-4-2
4 defesas - Petrov DD, Ramirez DE, Martynovich DCD, Spajic DCE.
Ramirez mais ofensivo que Petrov.
Centrais confortáveis com bola, mas passe longo vai para fora.
Kambolov como pivô. Dá cobertura aos defesas e junta muito fazendo linha de 3.
Vilhena box-to-box, às vezes procura ala e troca com o extremo.
Wanderson EXD aparece muito no meio perto do PL.
Namli EXE aparece mais em apoio aos MC.
Ari solto atrás do PL, baixa para participar na construção.
Ignatiev como PL.

Será de esperar Cabella e eventualmente Olsson contra o Porto. Namli o mais provável a sair, tal como Ignatiev.

Gazinskiy e Claesson lesionados são grandes baixas.

Muita referência HxH. Mobilidade dos avançados do Porto pode fazer estragos.
Muito susceptíveis a contra-ataques. Deixá-los subir e depois pressionar/recuperar para os apanhar desposicionados parece boa opção. Fraca reação à perda de bola. Normalmente acabam a defender com 3/5 (DCs, MD, e eventualmente os laterais)
Alas trocaram de lado a meio da primeira parte. Wanderson pega mais na bola e faz diagonais com bola.
Por vezes Kambolov junta-se aos centrais e faz defesa a 3, Vilhena encosta ao lado esquerdo e não fica ninguém entre centrais a trocar bola e avançados (equipa parte em 4+Petrov+5)

Canto Defensivo HxH mais 1 no primeiro poste e 1 alinhado ao primeiro poste, mas fora da pequena área.

É uma equipa pouco trabalhada coletivamente, mas com bons valores individuais. Cabella, Ari, Wanderson e Vilhena fazem muitos estragos sozinhos. Ignatiev também tem instinto de PL, posiciona-se bem na área e reage muito rápido. É preciso ter cuidado com remates de longe, porque Ignatiev chega primeiro na recarga.

domingo, 2 de junho de 2019

Final da Liga dos Campeões - Tottenham Org.Of. vs Liverpool Org.Def.

Quero abordar sobretudo a Organização Ofensiva do Tottenham contra a Organização Defensiva do Liverpool, pois muito do jogo foi jogado nesta situação específica.

Em baixo a imagem mostra o posicionamento "normal" neste momento do jogo. Tottenham em azul e Liverpool a vermelho.



Do lado do Tottenham até à primeira substituição: Alderweireld e Vertonghen a centrais, Trippier e Rose nas alas, Winks e Sissoko na primeira linha do meio-campo, Kane junto dos centrais do Liverpool e Eriksen, Alli e Son nas costas de Kane, mas bastante projetados na profundidade (ainda que a jogarem bastante por dentro, principalmente Eriksen que seria o extremo direito).

Do lado do Liverpool: Alexander-Arnold e Robertson nas laterais, Van Dijk e Matip a centrais, Fabinho, Henderson e Wijnaldum no meio-campo e o típico trio de ataque: Salah na direita, Mané na esquerda e Firmino no meio.

Rapidamente é perceptível que a subida do trio de ataque do Liverpool para pressionar os dois centrais liberta os laterais do Tottenham. Principalmente com os laterais do Liverpool a defenderem muito dentro pela presença interior dos extremos do Tottenham. Pelo interior, tornava-se muito difícil o Tottenham evoluir. Os dois médios de apoio estavam controlados por 6 jogadores do meio-campo e ataque e o passe direto dos centrais para os 4 da frente era quase impossível, ainda que tivesse sido tentado várias vezes, principalmente a tentar a bola nas costas da defesa do Liverpool (movimento muito procurado, sobretudo por Son). O passe para os dois médios  de suporte entrou algumas vezes, mas nem Winks nem Sissoko conseguiram dar grande seguimento ao lance, normalmente voltando a bola aos centrais.

Falhou o Tottenham em perceber e aproveitar esta situação de jogo. Fazer algo ao estilo do que fez Paulo Fonseca contra o Man City. Chamar o Liverpool, obrigando a esticar na profundidade; subir os laterais; prender os laterais do Liverpool com os extremos por dentro e depois chegar ao meio-campo adversário através dos laterais. E reparando na imagem acima, facilmente se percebe que aí, o Tottenham iria ter situações em 6x4/5 (dependendo da profundidade de Fabinho).

A partir dos 66 minutos, o Tottenham melhorou bastante. A troca de Lucas Moura por Winks, levou Eriksen para médio centro (melhorando muito a qualidade na saída de bola) e Lucas a jogar no meio procurou mais vezes dar a linha de passe do que os seus colegas.

Sobra dizer que não entendo a lógica de Pochettino. Se procurava a bola nas costas da defesa do Liverpool, para aproveitar a linha alta, deixar Lucas no banco e jogar com Eriksen na frente é muito discutível. E no final, a precisar de criatividade e de um golo, lançar Dier em vez de Lamela, não me pareceu ideal.

domingo, 26 de maio de 2019

Porto e a (in)felicidade do fim de época

Tem ecoado em comentários nas redes sociais a felicidade pelo fim de uma época sem títulos do Porto. Duvido de tal justificação para a felicidade, pois na minha opinião, o que se avizinha não dá razões para isso.

Começando pelo onze base que terminou a época: Casillas, Militão, Felipe, Pepe, Telles, Danilo, Herrera, Brahimi, Corona, Marega e Soares.

1 - Casillas deverá terminar a carreira
2 - Militão já está vendido
3 - Fala-se na venda de Felipe
4 - Também na de Telles
5 - Herrera termina contrato
6 - Também Brahimi
7 - Também é provável a venda de Marega

Fica Pepe com 36 anos, Danilo (e a sua venda já foi falada no ano passado), Corona e Soares.

Dos suplentes, também Maxi, Hernani, Adrián e Fabiano não deverão fazer parte da equipa.

Sobra então por posição:
GR: Vaná
DD: Manafá
DE: ?
DC: Pepe, Mbemba, Diogo Leite
MD: Danilo, Loum
MC: Oliver, Bruno Costa
EX: Corona, Otávio
PL: Soares, Aboubakar, Fernando Andrade, André Pereira

Da equipa B, fora os já abordados Diogo Leite e Bruno Costa, pouco sobrará para fazer a transição. João Pedro esteve bem, mas nunca foi opção para Sérgio Conceição. Alguns poderão ser opção para o banco, mas dificilmente algum será titular. Dos júniores, a transição, à partida, será para a equipa B antes de passarem à A.

Ainda assim, acredito que Oleg Reabciuk, João Pedro, Diogo Queirós, Romário Baró, Marius e Diogo Costa deverão fazer a pré-época.

Dos empréstimos, Osorio, João Costa, Galeno, Jorge Fernandes e Sérgio Oliveira devem também fazer testes.

Resumindo tudo, a pré-época (fora compras), começaria com:

GR: Vaná, Diogo Costa, João Costa
DD: Manafá, João Pedro
DE: Oleg Reabciuk
DC: Pepe, Mbemba, Diogo Leite, Diogo Queirós, Osorio, Jorge Fernandes
MD: Danilo, Loum
MC: Oliver, Sérgio Oliveira, Bruno Costa, Romário Baró
EX: Corona, Otávio, Galeno
PL: Soares, Aboubakar, Fernando Andrade, André Pereira, Marius

Supondo um onze inicial com Vaná // Mbemba, Pepe, Osorio, Manafá // Otávio, Danilo, Oliver, Corona // Aboubakar, Soares ; é um onze não muito mais fraco do que este ano, mas cada vez mais fraco e muito mau quando comparado ao onze que AVB e Vítor Pereira tinham à disposição há não muitos anos atrás, por exemplo.

Claramente é uma equipa com necessidade de compras para o onze inicial, sobretudo para as laterais, extremos e mesmo para avançado (Fernando, André e Marius não são solução para o onze inicial, Aboubakar tem tido muitos problemas com lesões e Soares não é um jogador de qualidade indiscutível).

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Real Madrid e a substituição de Cristiano Ronaldo

Muito se tem falado sobre a falta de substituição de Ronaldo como a causa da má época do Real Madrid. Não concordo. Sim, a época do Real Madrid falhou redondamente e sim, não houve uma compra "direta" para o lugar de Cristiano Ronaldo.

Mas vejamos as alterações no ataque do plantel do Real Madrid da época anterior para esta:

Saídas: Cristiano Ronaldo (117M) e Borja Mayoral (Empréstimo). Total: 117M €

Entradas: Vinícius Júnior (45M), Mariano Diaz (21,5M); em Janeiro Brahim Diaz (17M) e já ficou acertado a entrada de Rodrygo para a próxima época (45M). Total: 128.5M €

(Nota: Valores retirados do site transfermarkt.)

Os valores não andam muito longe um do outro. Foi uma clara estratégia do Real, eventualmente do seu treinador no momento, presidente ou algum director. Uma estratégia de médio/longo prazo pelos jogadores contratados, mas que seria colmatada a curto prazo com subidas de rendimento dos jogadores que faziam parte do plantel, nomeadamente a suposta nova frente de ataque: Asensio, Benzema e Bale. Aqui, sim foi onde tudo falhou. Dos três, apenas Benzema teve uma clara subida de rendimento.

Ficam os dados do WhoScored para os jogadores envolvidos:


Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Benzema 2017/2018 25 (7) 5 10 7,00
2018/2019 32 (1) 21 5 7,47

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Bale 2017/2018 20 (6) 16 2 7,49
2018/2019 19 (8) 8 3 6,89

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Asensio 2017/2018 19 (13) 6 6 7,02
2018/2019 18 (8) 1 4 6,90

Como se pode ver, também os números refletem essa ideia. Benzema com menos assistências e mais golos, aproveitou espaço vago do protagonista anterior para. Bale com metade dos golos e as mesmas assistências em praticamente o mesmo número de jogos e Asensio com muito menos golos e menos assistências, com quase o mesmo número de jogos a titular (ainda que tenha entrado em campo menos vezes).

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Ronaldo 2017/2018 27 26 5 7,94
Mayoral 3 (11) 3 1 6,52
Total
30 (11) 29 6

Nome Época Jogos Golos Assistências Avaliação WhoScored
Vinícius Jr 2018/2019 8 (7) 2 0 6,79
Mariano 1 (10) 1 0 6,23
Brahim 1 (3) 0 1 6,41
Total
10 (20) 3 1

Depois, a comparação entre os 2 que saíram e os 3 que já entraram. Naturalmente, nenhum chega perto das estatísticas de Ronaldo, mas o mais interessante é que a contribuição para golos dos 3 novos jogadores é igual à contribuição de Mayoral na época passada, com uma grande diferença em tempo de jogo (10 a titular + 20 entradas dos novos contra 3 + 11).

E não acrescentei à lista dois jogadores que também baixaram muito de rendimento e têm muita contribuição ofensiva: Isco e Lucas Vázquez.

Resumidamente, foi uma estratégia que a curto prazo claramente falhou, não só pelos jogadores, mas também pelas opções tomadas a nível de staff técnico.

Para a próxima época, fica um plantel naturalmente sem um jogador do calibre de Ronaldo, mas nem por isso de baixa qualidade e não esquecendo que De Tomás (29 jogos, 14 golos no actual último classificado da Liga Espanhola) e James Rodriguez têm os seus empréstimos a finalizar e quem sabe poderão ser boas adições a custo zero.

terça-feira, 5 de março de 2019

Frenkie de Jong e o caminho para a nova geração

O que mais se supreendeu desde que vi Frenkie de Jong pela primeira vez foi a sua facilidade em sair em drible em qualquer situação. Olhar por cima do ombro para conhecer tudo à sua volta, receber orientado, às vezes uma finta de corpo e drible (ou passe, se for essa a melhor decisão, naturalmente). Mas se nos últimos tempos, muito por força do Barcelona de Guardiola, se criou a ideia do médio que recebe e passa, seja curto ou longo, com qualidade acima da média como o protótipo do médio de futuro, assistimos agora a uma evolução desss figura. Principalmente na posição mais recuada do meio campo e também no centro da defesa. Não chega o passe, pois muitas vezes o maior desequilíbrio vem do drible e havendo cada vez mais organização defensiva, é necessário desequilibrar mais cedo e haver mais jogadores a criar desequilíbrios.



Podemos já ver alguns exemplos de jovens em início de carreira com estes atributos: Frenkie de Jong (Ajax/Barcelona), Sander Berge (Genk), Exequiel Palacios (River Plate), Sandro Tonali (Brescia),... Para serem seguidos com atenção.