segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Ver Quintero na B para perceber porque não resulta na A

Nem na B, diga-se. De início, Quintero não serve de muito. Parece só existir uma opção: passe em profundidade. Os passes são todos no espaço, não há um passe para o pé. Estranhei ainda mais tão pouco drible para alguém tão dotado...

Quando entra parece outro jogador. Não é. Simplesmente tem o jogo a seu gosto. Normalmente: Porto a dominar, posse de bola perto da área adversária e muitos jogadores há procura de um passe de rotura. 90 minutos disto, não dá.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Liga Portuguesa: Porto (2) vs Braga (0) - Notas

Só hoje consegui ver um pouco do jogo. Escolhi ver a segunda parte pela discussão que se gerou em torno do sistema usado.

1. Porto em 4-3-3 ou algo parecido... Paulo Fonseca terá dito no final do jogo que não alterou o sistema. Possivelmente não deu essa indicação aos jogadores, mas o que foi interpretado por eles em ataque não foi um duplo pivô, Defour mais recuado e Herrera e Carlos Eduardo à frente. Noutros jogos em que o Porto alinhe só com um pivô gostava de ver Lucho no lugar de Defour. Acredito que devidamente apoiado (Herrera-Eduardo parece funcionar bem) seria uma boa posição para ele.

2. Nunca gostei das substituições de Jesualdo e a minha opinião mantém-se. Com a alteração no meio-campo do Porto, o Braga não tinha controlo nenhum sobre o jogo e Jesualdo troca Custódio por Luíz Carlos e Hugo Vieira por Rafa. Escrevo isto antes de ver o que acontece a seguir à substituição, mas posso apostar: pouco muda. Ao contrário de Luíz Carlos, Custódio não é um jogador agressivo e de transições. O trinco português certamente que estará mais confortável numa linha mais recuada, mas faz com que a equipa baixe ainda mais o meio-campo. Com a entrada de Hugo Vieira, declara o contra-ataque como única forma de chegar ao golo. A minha solução: entrada de Custódio para o lugar de Alan e alteração para 4-4-2 losango com Rafa a "10". Possivelmente a troca de Pardo por Hugo Vieira ou Agra, porque não conheço muito bem o colombiano.

3. A alteração no Braga não foi exactamente como pensava. Alan passa para a esquerda, Hugo Vieira encosta na frente: 4-4-2 é evidente. Se achava que não era a melhor opção manter o número de jogadores no meio-campo (e em corredor central), diminuir então...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Observação: Chile

1. Onze (vs Inglaterra)
Noutros jogos já alinharam em diferentes tácticas (de acordo com o site transfermarkt), nomeadamente em 4-3-1-2 e 3-5-2. O 4-3-1-2 parece-me o mais interessante. Beausejour não acrescenta muita qualidade a nível técnico, apesar de ser um jogador rápido e que cumpre defensivamente. Trocar Vargas para a ala e jogar com um falso PL (ou um MO e 2 avançados declarados), seja ele Matías ou Valdivia parece mais interessante. E cria espaço para mais um médio, coisa que não falta a esta selecção: Arturo Vidal, Carlos Carmona, David Pizarro, Bryan Rabello e Felipe Gutiérrez são algumas das opções.

2. Golo: paciência e velocidade misturadas. Jogar de um lado, atrair o adversário, atacar no outro.


3. Jogada de perigo: Muita alternância entre o passe curto e longo, entre passe e drible, tal como já se tinha visto no lance do golo.


4. Riscos: 2 jogadas de perigo causadas por problemas na saída de bola curta. González é um problema para o Chile!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Inglaterra - Proposta de Onze para o Mundial

Enquanto via o Inglaterra-Chile (a olhar para o Chile, que terá o seu texto dentro de pouco tempo), sentia que a selecção inglesa podia apresentar mais do que se via. Então, decido apresentar um onze diferente do habitual.

GR: Joe Hart é o habitual titular e dá garantias. Não há razão para mudar. Forster (Celtic) como segunda opção.
DD: Não sou particular fã de Kyle Walker (previa uma maior evolução) e Glen Johnson. Faço uma aposta de risco: James Milner. Não tem as rotinas, mas entende o jogo e tem agressividade. Walker como suplente.
DC: Phil Jones e Gary Cahill são bons com bola e não defendem mal. As opções também não abundam... Chris Smalling como suplente.
DE: Entre Leighton Baines e Ashley Cole, vou pelo jogador do Everton. Também há Gibbs, mas a decisão será entre os dois anteriores.
MC: Escolho Michael Carrick e Jack Wilshere. Depois de anos a insistir na dupla Gerrard-Lampard sem grandes resultados, a aposta em jogadores de futebol de posse, mais que futebol directo, podia trazer segurança e estabilidade ao jogo inglês.
MD: Adam Lallana. É mais uma aposta minha. Fez estes 2 amigáveis e tem brilhado no Southampton. Townsend seria a minha escolha para suplente.
ME: Tom Cleverley. Podia ser usado no centro, mas prefiro Wilshere nessa posição. Lallana e Townsend também podem jogar nesta posição.
PL: Dupla Rooney-Sturridge. Garantem golos, equilíbrios, velocidade... Walcott e Welbeck como suplentes.

Mais inteligência, mais posse.
Menos "kick and rush"...

sábado, 16 de novembro de 2013

Omar Abdulrahman (Editado)

Já tinha sido aqui falado e ontem brilhou no EAU vs Hong Kong. Não estará presente no próximo mundial e ainda está (um pouco) longe da visibilidade internacional. Se alguém o quiser contratar, deve aproveitar o momento.

Atente-se ao passe no 1º golo!

PS: Peço desculpa se induzi alguém em erro, não era minha intenção... Os Emirados Árabes Unidos não estarão no Mundial, mas sim na fase final da AFC 2015. Foi isso que originou o erro no texto inicial.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Benfica (4) vs Sporting (3) - Algumas notas

1. Muitos sportinguistas culparam o árbitro da derrota. É uma das inúmeras coisas que não percebo no futebol... Alguns lances de difícil decisão são apresentados como tentativas de prejudicar uma equipa, no entanto, os vários (e demasiados) erros de Rojo, Maurício e Jefferson não são alvo de análise tão detalhada. Era bom ver várias repetições de todos os ângulos, slow-motions, linhas nesses erros...

2. É bom ver o Sporting a melhorar. Mesmo com jogadores de uma qualidade individual evidentemente inferior aos jogadores do Benfica, esteve sempre a discutir o jogo. E aquele meio-campo está a funcionar muito bem. Acredito que podia ser a base da selecção nacional. Não porque tenham necessariamente mais qualidade que outros jogadores, mas porque jogam juntos. Têm (boas) rotinas, coisa que não pode ser alvo de muito trabalho na selecção.

3. Conseguir ter Carrillo a topo é o grande desafio de Leonardo Jardim. Com ele a jogar o seu melhor, Sporting pode discutir o título este ano. Sem ele, será difícil, mas possível.

4. Ainda sobre o meio-campo do Sporting: ter como segunda linha Rinaudo, João Mário e Vítor é uma garantia de qualidade. Houvesse tanta qualidade na defesa como há no meio-campo e o ponto anterior seria inválido, pois já seria um grande candidato.

5. Olhando agora para o Benfica: finalmente o 4-3-3! Mais um jogador no meio-campo dá maior controlo do jogo à equipa. Mais jogo interior, mais posse. A equipa ainda está a ganhar rotinas, mas parece mais equilibrada.

6. O colectivo ganha, mas e as individualidades? Do lado positivo, Rúben Amorim ganha espaço no onze, do outro lado, Matic e Lima. Muito do que fez sobressair Matic foi a sua capacidade de aparecer em todas as zonas do campo: próximo da defesa em organização defensiva e próximo do ataque em organização ofensiva (e mesmo em transições). Agora tem um jogador da sua equipa a "bloquear" essas subidas. A solução é dinâmica e talvez com as rotinas essa solução apareça. Senão, Matic não vai aparecer tanto com bola. Lima é o elemento que sai do onze para a entrada de um médio. Não tem tanto "golo" como Cardozo e para extremos há opções melhores.

7. Na segunda linha do meio-campo ficam: Fejsa, André Gomes, Bernardo Silva e Djuricic. O ex-Heerenveen precisa de trabalhar mais sem bola para cumprir o 4-3-3. Fejsa é um bom trinco. Para as novas funções dessa posição, até poderá ser mais indicado do que Matic. Os 2 portugueses ficam à espera de oportunidade. Fico à espera de ver o que pode dar Bernardo Silva à equipa principal.

PS: Antes de que surjam dúvidas a esse respeito: não sou adepto de nenhum dos clubes!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Óliver, que bons exemplos segues!

Excertos da entrevista ao site ilCatenaccio.es

Te han comparado a Xavi Hernández y a Iniesta, ¿las comparaciones en el fútbol hacen daño a los jóvenes?
“Las comparaciones no hacen daño si sabes lo que eres. Yo obviamente no soy ni Xavi ni Iniesta. Estoy a años luz de ellos. Por supuesto, me gustaría en un futuro ser parecido a ellos porque como siempre digo son un ejemplo para mí.”

¿Por qué de pequeño ibas con el Barça?
“La verdad es que de pequeñito me gustaba mucho el Barça: había un jugador, Ronaldinho, que siempre que salía al campo me hacía disfrutar y sonreír. De niño todos hemos tenido un ídolo y él era el mío, por eso seguía al Barça. Pero desde que llegué aquí todo cambió y ahora no cambiaría estos colores por nada.”

El Chelsea te quiere fichar, ¿preferirías trabajar con un entrenador como Mourinho o con otro como Guardiola?
“Son dos muy buenos entrenadores de diferente estilo, creo que Mourinho te puede aportar cosas buenas igual que Guardiola te puede enseñar otras. Obviamente, a mí el fútbol que practica Guardiola me gusta más por mi manera de entender el fútbol y de jugarlo, pero considero a Mourinho uno de los mejores entrenadores del mundo y su marcha ha sido una pérdida importante para la Liga española.”

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mundial Sub17 @ E.A.U. - Nomes a Reter

Copiando o que já escrevi noutro texto (Sudamericano Sub20):
"No geral os jogadores destacam-se pelas características técnicas e físicas (principalmente a velocidade), mas pouco se viu da parte táctica (e daí a baixa quantidade de defesas e médios defensivos nos jogadores que me chamaram a atenção). Dos vários nomes que apontei, vou falar de alguns em específico, ficando os outros apenas com a chamada de atenção."
Diga-se que neste torneio o nível táctico foi muito mais elevado, principalmente o jogo Japão-Suécia a lembrar os Barcelona-Real Madrid entre Guardiola e Mourinho.

Argentina

Sebastian Driussi - PL - River Plate
Interessante a nível físico e técnico e inteligente a ler o jogo.

Emanuel Mammana - DC - River Plate
Parece um líder da defesa, não deu para ver muito dele, mas gostei.

Leonardo Suarez - MO - Boca Juniors
Foi "escondido" durante o torneio, mas quando apareceu mostrou toques de jogador fora do comum. Acredito que poderia ter sido dos melhores do torneio se tivesse tido a oportunidade.

Joaquin Ibáñez - DE - Lanus
Numa defesa a 3 é ala esquerdo, mas chama a atenção pelos 3 golos e 1 assistência em 4 jogos.


Brasil

Nathan - MO/EX - At. Parananense
É comparado a Kaká. Não notei tantas semelhanças e muitas vezes estes rótulos são prejudiciais, mas não há dúvidas do seu talento.

Mosquito - PL - At. Paranaense
Mexe-se muito bem e tem "golo". Parece ter mais físico do que o típico jogador brasileiro, que pode ajudar na integração no plantel profissional.

Danilo - MD - Vasco
É quem garante o equilíbrio da equipa. Confortável com a bola no pé e esteve muito bem a nível defensivo.

Matheus Índio - MC - Vasco
Já seguido pelo Arsenal, estranhamente só fez 1 jogo a titular, mas mostrou qualidade.

Auro - DD - São Paulo
Faz lembrar Dani Alves. Muito bom tecnicamente e com capacidades físicas impressionantes. Tem que "largar" o excesso de fintas, mas corrigindo isso, poderá ser um lateral de topo.

Abner - DE - Coritiba
Vi pouco dele, mas gostei do que vi e o facto de já ter sido chamado para a Sub20 brasileira diz muito da sua qualidade.

Gabriel Boschilia - MO - São Paulo
Tentei apanhá-lo, mas nunca consegui... Ainda assim, 6 golos e 3 assistências em 4 jogos (tem 1 participação em golo por cada 35 minutos!) não acontecem por acaso.


Costa do Marfim

Franck Kessie - DC - Stella Club
A maior surpresa deste torneio! O central que se entende melhor com a bola. Com espaço progride e nunca há "chutão" para a frente. Defensivamente também não parece mau, apesar de alguns erros. Estranho na Europa: é o número 10... e não lhe assenta assim tão mal na selecção da Costa do Marfim.
O "10" que é central

Croácia

Ante Roguljic - PL - Liefering
Gostei de alguns pormenores. Já agora, não falo de Halilovic porque já é extremamente conhecido.


Eslováquia

Jakub Hromada - MC - Juventus
Já ter sido recrutado pela Juventus diz muito. Bom toque de bola, dos médios mais evoluídos tecnicamente do torneio.

Tomas Vestenicky - PL - FC Nitra
Muito trabalho e golos: 5 (dos 7 da sua selecção) em 4 jogos.

Nikolas Spalek - EX - FC Nitra
Vestenicky marcou, Spalek assistiu: 3 assistências em 4 jogos.

Itália

Luca Vido - SA/MO - AC Milan
Numa selecção italiana com poucos motivos de interesse, aparece Luca Vido. Tecnicamente muito bom e com excelente visão de jogo. Mal acompanhado...

Elio Capadrossi - DC - Roma
Não o achei um jogador de top, mas parece certinho. Pode crescer muito.

Alberto Cerri - PL - Parma
1,93m impressiona e sabe usar bem o físico, mas precisa de participar mais no jogo.


Japão

Ryoma Ishida - DD - Jubilo Iwata
A selecção que mais gostei de ver jogar. Na lateral direita joga Ishida. Muito completo, na minha opinião o mais próximo da sua posição do nível que se exige a um sénior. Saiu em todos os jogos, substituído por outro lateral direito (Sakai, também bom jogador), não sei qual a explicação, mas duvido que seja de ordem táctica. Poderá ser um impedimento, se for algum problema físico.

Kosei Uryu - MO/EX - Chuo Gakuin High School
Muito móvel no ataque, tal como os seus companheiros de equipa. Também tem remate fácil de média distância (marcou um grande golo à custa disso).

Koji Miyoshi - EX/MO - Kawasaki Frontale
Dos jogadores que mais gostei. Acredito que renda ainda mais no corredor central.

México

Ulises Jaimes - PL - Monarcas Morelia
Alguns pormenores interessantes numa equipa mais fraca do que seria de esperar.

Pedro Teran - DC - Atlas
Pega-se muito com os adversários, mas não parece perder o controlo. Se for forte mentalmente, como aparenta ser tem qualidade para ser jogador de equipa da LC.


Nigéria

Kelechi Iheanacho - PL/SA/EX - Taye Academy
Impressionou com os seus 4 golos no primeiro jogo (contra o México), no jogo dos quartos fez uma assistência espectacular a demonstrar visão de jogo e qualidade técnica. Com a Nigéria a tentar afastar as dúvidas sobre a idade dos seus jogadores, pode ser um bom negócio.

Musa Muhammed - DD/DC - ?
Como é normal dos jogadores nigerianos, impressiona pelas característcas físicas, mas não se limita a isso. Ainda conseguiu 2 golos e 1 assistência neste Mundial.


Suécia

Sixten Mohlin - GR - Malmo
O comentador da Eurosport, achou-o inconsistente. Viu mais jogos do que eu, é provável que tenha razão. Mas fiquei com uma ideia positiva do jogador. Entre os GR, foi o único que me chamou a atenção.

Valmir Berisha - PL - Halmstads
Surgem as comparações com Ibrahimovic. Tal como no caso de Nathan, não acho correctas. Neste caso, acho Zlatan muito mais capaz de participar noutros momentos do jogo. Ainda assim, é inteligente, sabe usar o físico, tem técnica e tem "golo".


Tunísia

Chiheb Jbeli - EX - CA Tunis
Único jogador a chamar-me a atenção da selecção tunisina. É um extremo típico dos países norte-africanos: muito bom tecnicamente, mas inconsistente.


Uruguai

Franco Pizzichillo - MC - Defensor Sporting
Junto com Kessie e Miyoshi, foi um dos meus jogadores preferidos do torneio. Faz lembrar Oliver Torres pelo físico, pela técnica e pela visão de jogo.
Promete fazer grande dupla com Cristoforo na selecção charrua

Kevin Méndez - EX/SA - Peñarol
O trio de ataque do Uruguai é muito interessante (tal como o da selecção principal). Têm todos capacidade para marcar uma geração. Tecnicamente são excepcionais.

Franco Acosta - PL/SA - CA Fenix
Do trio de ataque do Uruguai, é o elemento mais capaz de ser goleador de serviço. Não se limita a isso.

Leandro Otormín - EX/MO - Nacional Montevideu
Tecnicamente o mais dotado dos 3. Conseguiu 4 golos, mas não parece ser por aí que passe a sua carreira. Seja como extremo ou "10" tem tudo para vingar.

Venezuela

José Caraballo - PL/SA - Caracas FC
Dois avançados parecidos. Caraballo mais dotado tecnicamente, acredito que possa jogador mais recuado ou até nas alas.

Nicolás Márquez - PL - Aragua FC
Mais jogador de área que Caraballo (na linha de Saviola, entenda-se), também é bom tecnicamente. A sua carreira profissional poderá passar por jogar próximo de um avançado mais possante, mas não será de estranhar que ocupe a frente sozinho.

O "11"

Tendo em conta que ficaram por ver muitos jogos e que não conheço nada destes jogadores para lá do que vi neste torneio, é natural que algumas opções sejam criticáveis, mas fica a ideia:

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Momento de publicidade

Aproveito este pequeno interregno de publicações para fazer publicidade a um excelente trabalho de um amigo:
http://treinadorfutebol.pt/

Grande Abraço!

PS: Tenho estado a ver o sub17. Daqui a uns dias publico uma lista de nomes a seguir.

sábado, 12 de outubro de 2013

Observação: Inter (Editado)

Queria ver a Roma das 7 vitórias em 7 jogos, mas como não tem processos muito diferentes do comum, virei a minha atenção para o Inter de Mazzarri.

1. Sistema. Mais um daqueles casos que é difícil de definir. Começando pelo mais simples: em ataque organizado aproxima-se de um 3-5-2 com um avançado, Ricky Álvarez, com muita liberdade de movimentos, tornando-se muitas vezes num 3-6-1.
vs Roma
 2. Ataque. Aqui, olho apenas a 3 situações: pontapé de baliza, organização após recuperação e organização com bola próxima do meio-campo.
Pontapé de baliza.
Após recuperação de bola, fruto do posicionamento defensivo de Pereira e Taider,
a organização é diferente da "final".
No seguimento de uma falta: Álvarez, muito solto, aparece em todas as zonas do meio-campo ofensivo
3. Defesa: Aqui é que as coisas ficam interessantes. Tradicionalmente, e como foi visto no caso da Juventus, as equipas que atacam com 3 defesas, defendem com 5 (esses 3 mais os alas), mas não é isso que Mazzarri faz.
Defesa a 4! Pereira fecha na esquerda. Nagatomo na 2ª linha.
Faltava saber o que acontecia quando a bola era perdida do lado esquerdo: mantinha-se Pereira a juntar-se aos defesas ou ficava ele na contenção/cobertura e a equipa fazia a adaptação do lado "fraco"? Não tenho nenhuma imagem clara com a bola perdida nessa zona, mas invariavelmente é Pereira que aparece na linha da defesa e Nagatomo na linha de médios. Por exemplo, no seguinte lance (bola perdida por Álvaro Pereira a sair da linha de 4):
Rolando, fora da imagem, está como "lateral direito".
Primeira fase de organização defensiva é a tradicional composição de um 4-4-2.
4. Erros e golos sofridos.
O 1-0 inicia-se na imagem que está em cima (que mostra a primeira fase de organização defensiva).
Entre o primeiro e o segundo golo, surgiram alguns lances de perigo, como é este caso em que Taider comete um erro infantil que ainda consegue corrigir no limite.
2-0. Juan sai a jogar, tenta entrar no bloco da Roma, mas perde a bola. Strootman faz um passe longo para Gervinho que em clara inferioridade numérica ganha penálti... Totti marca o segundo. Muito mal Pereira, bem Cambiasso a ocupar a posição de Juan.
3-0. No seguimento de um canto e de um excelente trabalho de Totti, contra-ataque da Roma.
Editado:
Como escrevi nos comentários, a preocupação não parece ser o espaço à frente da defesa, mas a presença de Totti.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

É sempre bom ler o que Valdano escreve, mas...

Correm na Internet algumas declarações de Valdano aquando da apresentação do seu novo livro (OJOGO, Goal.com,...). Entre outras coisas, cita-se:

"[Lionel Messi] É Maradona todos os dias. No outro dia dizia a um jornalista que há cinco anos que ele vive em junho de 1986. Desde há cinco anos que ele é o Maradona do Mundial do México"

"No le echemos la culpa a Messi de vivir en otro momento histórico. Es extraordinario como pocas veces hemos visto"

Cristiano Ronaldo é o "maior exemplo que existe no mundo de profissionalismo, sentido de perfeição e ambição"

"Perante esse exemplo [que Cristiano Ronaldo dá] temos de tirar o chapéu, e perante o seu futebol então nem falar", disse Valdano, para quem "um jogador que marca 70 golos por ano no Real de Madrid apenas teria como rival Alfredo di Stefano... ou Raul, como símbolo".


Mas... faz uma declaração com a qual não concordo inteiramente:
"Messi deve muito mais ao seu pai e à sua mãe do que deve Cristiano Ronaldo aos seus pais, mas o Cristiano é melhor a cada ano que passa porque se propõe ser melhor e trabalha para ser melhor".

Sinceramente, não acredito em talento inato. Admito que exista alguma predisposição, mas talento a este nível não é fruto disso. Messi joga como joga porque treinou e jogou muitas vezes, porque foi levado ao limite muitas vezes, no fundo, porque teve que se superar muitas vezes. Já agora, Messi tem 2 irmãos mais novos, e segundo consta em algumas publicações, era "picado" (para não usar outros termos) sempre que perdia. E também por essa competição em casa Messi tornou-se melhor. Tal como Michael Jordan disse sobre os irmãos no discurso de entrada no "Hall of Fame".
Acredito que a maior diferença nos "tipos de talento" (se é que se pode usar esta designação) prende-se com o tempo em que decorreu a evolução. Messi evoluiu muito cedo todos os aspectos técnicos e morfologicamente pouco se alterou. Já Ronaldo, teve uma evolução enorme num curto espaço de tempo e alterou muito a sua morfologia. Não o faz pior, mas faz com que pareça um talento "treinado" enquanto Messi parece ter nascido com o dom.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Observação: Atlético de Madrid

O jogo observado foi o encontro da LC At. Madrid vs Zenit. O At. Madrid não contou com Diego Costa e Raul Garcia. Nos seus lugares jogaram Adrián e Arda Turan.

1. Sistema. A defender é evidente: 4-1-4-1. O ataque será explorado nos pontos seguintes.
vs Zenit
Muita organização, linha quase perfeita.

2. Transição ofensiva com processo interessante. Primeiro, comparando o que foi dito acima e as imagens anteriores com as posições médias disponibilizadas pela UEFA notam-se algumas diferenças.

Primeiros 15 minutos de jogo: Arda Turan no meio. O resto sensivelmente igual ao mostrado.
Primeira Parte (e sensivelmente igual às posições médias no final): já não se nota tanto a alteração
da posição de Arda Turan, mas ainda parece estranho.

Então, qual a razão deste posicionamento?

Lance no seguimento de uma recuperação de bola
Lance no seguimento de um pontapé de baliza,
com condução para o corredor central.

Em transição ofensiva, Turan faz uma diagonal da direita para o corredor central ou mesmo para o lado esquerdo.
Do lado contrário, não há esse movimento. Adrián limita-se a juntar-se a Villa no meio. Quem se aproxima mais desse movimento é Koke. Como interior esquerdo aparece muitas vezes em zonas mais próximas do corredor direito, mesmo em organização.

3. Organização Defensiva. Bloco baixo, muito central. Lentidão a "bascular", torna fácil a entrada da bola no corredor lateral quando a passe é feito de posições recuadas, principalmente no lado de Turan.
Início da jogada do lado direito ofensivo, passe para corredor central
 e depois o passe é feito para Ansaldi que recebe junto à linha lateral e
consegue conduzir para o meio no espaço entre-linhas.

Outra movimentação normal da equipa em organização defensiva é a saída do interior do lado da bola na contenção. Quando isso acontece, Suárez dá cobertura ocupando a posição deixada pelo colega na linha do meio-campo e no caso de Suárez ficar mais próximo desse interior, o outro ocupa a posição "6".
Koke sai à bola, Suárez ocupa a sua posição na linha.
Koke contém, Suárez dá cobertura a Koke e Gabi dá cobertura a Suárez.

Equipa com processos interessantes tanto defensivos como ofensivos. A entrada de Diego Costa não altera muito os processos (Villa ocupa a posição de Adrián e Costa a de Villa), mas gostava de ver com Raúl García se a dinâmica que Arda executa também acontece.


PS: A intenção era fazer vídeos para tornar mais perceptível a análise a alguns movimentos, mas tive alguns problemas com o editor e decidi deixar com as imagens para não atrasar mais a publicação do texto.

Nota não relacionada: Um comentário (ao texto sobre os coeficientes da UEFA) não foi publicado quando foi enviado por não ter recebido mail associado ao mesmo. Só ontem o encontrei na página de moderação e aceitei.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Fala Bruno de Carvalho

«Os clubes rivais do Sporting continuam a ter sucesso desportivo e receitas compatíveis com o investimento que fazem no futebol.
Para lhe responder a isso, tínhamos de estar de acordo sobre o que quer dizer “receitas compatíveis com a sua performance desportiva”. Eu pergunto o seguinte: li que um clube em 10 anos fez 500 milhões em vendas...

O Futebol Clube do Porto.
...então esse clube não devia ter passivo nenhum. Devia estar numa situação financeira muitíssimo confortável... e não é a realidade de nenhum dos três grandes. Há realmente clubes que conseguem uma receita muito grande. Se são clubes que historicamente até avançam na Liga dos Campeões; se são clubes que, por época podem fazer 60, 70,100 milhões de vendas; e esse clubes estão em situações de passivo similares à que nós estávamos, então se calhar se nós pegarmos nessas vendas e virmos o que fica nos clubes, veremos que este ano o Sporting fez a nível de receita real para o clube um valor superior...

Para onde vai o dinheiro?
É essa a situação. Qual é a percentagem dos jogadores, qual é o nível de comissões pagas, de quem é, de facto, o benefício do jogador Se calhar posso fazer uma venda de 500 milhões e ficar com uma receita para o clube de 10 milhões. Ou fazer uma venda de 20 milhões e ficar para o clube 15 milhões. Parece-me que há clubes que têm passivos grandes para aquilo que são as suas receitas. Se calhar é preciso regulamentar tudo isto, dar transparência para as pessoas tentarem perceber quem é quem, qual é o jogador, que acordos há com os fundos, com os agentes, e quem é que usufrui dos milhões todos de vendas e compras que se vão fazendo. Se o Sporting gastou 45 milhões em jogadores e pagou 15 milhões em comissões, isso é mais de 30%. Quando o normal de uma comissão seria 10%.»

Muitas questões importantes respondidas por Bruno de Carvalho.
Finalmente alguém que parece defender a transparência no futebol nacional.
Retirado do blogue Cacifo do Paulinho (suponho que seja a entrevista completa ao Jornal de Negócios).

Fantástica entrevista onde Bruno de Carvalho nada esconde. Muito bem o Sporting ao nível da comunicação.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Pozuelo (Swansea)

Já me tinha chamado a atenção num jogo anterior e ontem teve duas acções importantes nos golos do Swansea. Decidi então, rever esse primeiro jogo e fazer um vídeo com alguns lances dele.

Tem 22 anos, fez a formação no Bétis e chegou este ano à Premier. Laudrup não o tem utilizado muito e quando ele entra em campo é sobretudo para jogar na ala, mas é um jogador essencialmente de jogo interior, procurando sempre o corredor central. Boa condução, boa recepção, bom passe e simplifica mais do que complica. Não deverá ganhar o seu espaço na selecção espanhola, mas será certamente um jogador a observar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Iniesta

3x8 passa a 1x0 com 1 passe.

Alexis Sanchez acaba por falhar o golo, mas o passe é notável. Assinatura do "Ilusionista" Iniesta.
No vídeo aos 1:56.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Observação: Juventus

Sem mexer muito no plantel, a Juventus continua a ser o maior candidato ao título em Itália. Decidi ver o jogo com a Lázio para ver como estava a equipa este ano.

1. Sistema: 3-5-2 em ataque, 5-3-2 em defesa. Igual ao ano passado, agora com Tévez no onze e neste jogo com Pogba no lugar de Marchisio.
Lichsteiner e Asamoah encarregues de todo o corredor.
Vidal é o elemento mais móvel na zona central.
2. Problemas com movimentações horizontais na segunda linha. Tradicionalmente, lateral do lado da bola sai ao extremo, interior do lado da bola sai ao lateral, Pirlo sai ao jogador na zona central. Quando a bola vem da ala para o interior, tem que existir uma dinâmica de compensações executada rapidamente. Mas mesmo que seja perfeitamente executada, há um problema: se o interior do lado oposto e o lateral estão a reduzir espaços no meio e não há extremos (nem nenhum dos avançados recua), então o lateral (ou extremo) adversário do lado oposto consegue receber a bola com muita liberdade quando é feita uma mudança de lado de jogo. Como se pode ver no lance do golo da Lazio, Pogba fica com 2 opções: ou fecha no meio e dá muito espaço a González ou fica mais próximo da lateral e dá o meio a Hernanes. Acabou por ficar a meio caminho e Hernanes rematou, no ressalto Klose marca. Também Pirlo não fica muito bem na imagem. Com cobertura a Vidal assegurada, procurou tapar a linha de passe para Hernanes, mas chegaram dois passos atrás por parte do brasileiro para retirar Pirlo da jogada. Contra uma equipa de bons rematadores de meia distância é muito perigoso e logo a seguir ao golo, a Lazio criou 2 situações de perigo por Lulic e Radu (também no vídeo). Não sou grande fã deste sistema de jogo e resolvia esta situação trocando-o. Ainda assim, outra maneira de o resolver poderia ser com a presença do lateral do lado oposto na linha de meio-campo. Ficariam duas linhas de 4 jogadores, o que tornaria muito mais fácil cobrir todo o espaço (na horizontal).
video

3. Organização Ofensiva: as entradas de Vidal e a estranha adaptação da Lázio à Juventus. Tremenda a importância do chileno na criação de situações de perigo, como se pode ver no vídeo abaixo.



Estranha a tentativa de encaixe da Lazio na Juventus...
Pirlo e os centrais com muita liberdade, não é pois de estranhar que Bonucci tenha feito 2 assistências. E Hernanes a seguir Vidal é tarefa hercúlea. Também não se estranham os dois golos do chileno. Pode-se ver também no último vídeo (pausando aos 45 segundos) que a distância entre Lulic (que está na linha defensiva no segundo golo) e Radu é enorme. Se Radu não tem como obrigação estar perto de nenhum dos avançados, poderia preocupar-se mais com as entradas de Vidal, aproximando-se mais de Lulic, e também Lulic deveria procurar defender mais interior.

sábado, 7 de setembro de 2013

Observação: Dnipro

Jogadores talentosos e um treinador com grande historial reunidos numa equipa. Resolvi então ver o que mostrava o Dnipro da Liga Ucraniana.

1. Sistema: 4-4-2 (vs Shakhtar)
Seleznev (11), Zozulya (18);
Konoplyanka (10), Rotan (29), Kankava (6), Matheus (99);
Strinic (17), Cheberyachko (14), Mazuch (3), Fedetsky(44);
Boyko (71)

2. Muita agressividade dos 2 avançados: Seleznev e Zozulya. Não tenho informações estatísticas, mas são bem capazes de acabarem todos os jogos amarelados. Não desistem de nenhum lance, exagerando por vezes na agressividade (tornando-se violência). Podia ser um factor melhor trabalhado/aproveitado por Juande Ramos.

3. Primeira fase de organização defensiva. No jogo observado, houve muita dificuldade do Shakhtar para entrar no bloco pela zona central. 3 linhas bem definidas: 4 defesas, 4 médios, 2 avançados. Extremo do lado em que está a bola aproxima-se do lateral.
video
Nota-se alguma intenção de não deixar a bola sair pelo médio centro mais criativo (Stepanenko tinha liberdade para receber, mas Alex Teixeira era pressionado). Mais estranha parece a relação espacial entre os 2 médios centro: Rotan e Kankava. Como se vê no último momento mostrado no vídeo acima, abriram muito espaço na zona central. Não foi constante e poderá ter sido algum erro individual, ainda assim, é uma situação a rever. Para solucionar esta situação, a posição do avançado do lado contrário ao da bola podia ser revista, recuando para uma posição mais central.

Possível solução para evitar entrada no bloco através do espaço entre os 2 médios centro

4. Dupla Rotan-Kankava: muito interessante. Kankava mais posicional e defensivo, Rotan mais organizador de jogo. Ambos confortáveis com a bola, especialmente Rotan. Grande jogador que passou ao lado dos clubes da Europa Ocidental. Ambos fizeram toda a carreira na liga Ucraniana. Em fase final de carreira é pouco provável que isto se altere. Boa notícia para os adeptos do Dnipro.

5. Talento em abundância. Não é só a dupla do meio-campo que é talentosa. Neste jogo jogaram nas alas Matheus (ex-Braga) e Konoplyanka, mas normalmente joga Giuliano no lugar de Matheus. Ao contrário de Rotan e Kankava, ambos têm 23 anos e poderão ter uma oportunidade num palco maior nas próximas épocas. Também na frente a dupla Seleznev-Zozulya oferece muito mais que agressividade. Bruno Gama e Kalinic são outras opções de qualidade.

6. Organização Ofensiva: estranho a intenção de deixar a dupla de médios muito longe dos 4 jogadores mais avançados. Por vezes, lembra o Benfica de Jorge Jesus com a opção pelo jogo exterior e pela necessidade de resolver problemas através das individualidades. Mais uma vez a minha opinião é que não é necessário pelo talento dos jogadores.
Os 2 médios centro normalmente ficam atrás dos laterais.
Laterais normalmente dão largura e extremos jogam mais por dentro.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ozil

Mourinho nos tempos do Real Madrid:
Mourinho saw it. "Özil makes things very easy for me and for his team-mates with his football vision and the decisions he makes," he said during his time in charge at the Bernabeu. "It's easy for him to make decisions on the pitch, which is actually the hardest thing there is in football. It is an art to make football look easy and he has that quality." (SkySports)

Mourinho a comentar a transferência:
"O Özil é único. Não há uma cópia dele, nem sequer uma má. É o melhor número 10 do Mundo. Tornava as coisas mais fáceis para mim e para os seus colegas devido à sua visão de jogo. Todos o querem e nele é possível ver um pouco de Figo e de Zidane." (Record)

O que os adeptos do Real Madrid pensam e Florentino Perez não quis ouvir:


Pena Podolski ter-se lesionado... E Mourinho atento «explica por que razão o Chelsea declinou a proposta por Demba Ba. "Não aceitamos, porque com a contratação de Özil, o Arsenal tornava-se candidato ao título".» (OJOGO)

sábado, 31 de agosto de 2013

UEFA: Proposta de reformulação de cálculo dos potes

Peter Staunton publicou um artigo no site goal.com sobre a necessidade de revisão do cálculo dos potes. Partia do princípio que a UEFA protege as tradicionais equipas da Liga dos Campeões à custa das oportunidades para  os novos concorrentes. Actualmente, a classificação é calculada através dos resultados nos 5 anos anteriores ao qual é adicionada uma parte referente ao coeficiente da associação (leia-se país). Uma das falhas apontadas é a protecção associada à impossibilidade de confronto de equipas do mesmo país que acaba por proteger o coeficiente das associações com mais clubes. Apesar de entender a crítica, entendo que há algum fundamento nesta regra. Outra falha apontada, e esta é que me parece mais interessante, é cortar nos anos que contam para a classificação. 5 anos é claramente demasiado tempo. Principalmente com um mercado de transferências tão movimentado. Então, decidi recolher os resultados das equipas participantes na actual edição nas competições europeias (LC e Liga Europa só a partir da fase de grupos) e trabalhar os dados para perceber as alterações decorrentes da diminuição do tempo considerado. Fiz 2 tabelas: para últimos 2 anos e últimos 3 anos.

Nota: para cálculo dos pontos de cada equipa usei um método simples: 3 pontos por vitória, 1 ponto por empate para cada jogo. Passar a fase de grupos vale 1 ponto, oitavos 2 pontos e assim sucessivamente. Vencer a final tem um acréscimo de 5 pontos. Na Liga Europa é tudo reduzido a metade e tem uma ligeira alteração: passar o grupo vale 0.5 pontos e os 16-avos 1 ponto (ou 0.25 e 0.5 após a redução). Equipas que fiquem em 3º lugar na LC e passem para a LE não têm bonificação por passagem de grupo, naturalmente. Também não acrescentei nenhuma bonificação pela classificação da associação.

Começando pela classificação/divisão actual:
Passando para a situação considerando os 3 anos anteriores:
Já se notam algumas alterações (esquema de cores nos nomes das equipas mantidos da classificação utilizada pela UEFA): CSKA baixa imenso (12 lugares, 2 potes) fruto de 2 anos sem participações em competições europeias e Dortmund sobe (10 lugares, 1 pote) para 10º, 2º pote. Ao nível dos potes temos: uma alteração no pote 1 com a entrada do Schalke04 e a saída do Arsenal; quatro alterações no pote 2; quatro no pote 3 e duas no pote 4.

Mais alterações se forem considerados apenas os últimos 2 anos:
Aqui, destaca-se claramente a subida do Dortmund. Passou do 20º lugar da actual classificação da UEFA para o 6º! Por outro lado, a queda do Shakhtar, a passar do 10º lugar para o 22º, mas a baixar apenas 1 pote. Ao nível de potes: três alterações no primeiro com PSG e At. Madrid a acompanharem o Dortmund por troca com Arsenal, Man Utd e Porto; seis alterações no pote 2; outras seis no pote 3 e o pote 4 volta a ter duas alterações.

Evidentemente, podiam-se fazer algumas objecções ao método de cálculo, mas de qualquer modo, tanto a redução para 3 anos como a redução para 2 anos parecem conduzir a resultados mais condizentes com a realidade recente dos clubes, nomeadamente no caso do Dortmund e do CSKA Moscovo. No entanto, a protecção a equipas dos grandes países, nomeadamente os ingleses, deverá impedir alterações de maior.

Já agora, seria muito mais complexo, mas nada de outro mundo, considerar o sistema de ranking do xadrez, baseado no método ELO que tem em conta as posições dos adversários para cálculo das pontuações atribuídas em cada jogo (ganhar a um adversário melhor colocado garante mais pontos).

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Arsenal: Dinâmica do meio-campo

Surgiu a dúvida no texto anterior sobre quem seria o pivô do Arsenal: Ramsey ou Rosicky. Mais do que responder à pergunta, segue-se uma vista de olhos pela dinâmica do meio-campo.

1. Início do jogo: 4-3-3 bem definido com 1x2 no meio-campo. Ramsey atrás de Rosicky e Cazorla.

2.Fase de pressão em organização: Cazorla saiu, Rosicky aproxima-se da linha de Ramsey

3. Saída de bola: por vezes um segundo jogador vem buscar a bola, não é só Ramsey a oferecer a linha de passe aos centrais.

4. Compensação: Ramsey saiu com a bola, Cazorla estava mais à frente, então Rosicky recua.

5. Cazorla não é sempre o elemento mais adiantado. Aqui, Rosicky subiu e Cazorla está ao lado da Ramsey.

6. Basculação: bola do esquerdo (defensivo do Arsenal) então Cazorla sai à bola. Quando a bola é jogada para o lado direito, Rosicky sai na contenção e Cazorla recua para o lado de Ramsey.

7. Lance do golo: Ramsey subiu, Rosicky foi dar linha de passe curto ao lateral, Cazorla recuou para a posição "6". Bola entra em Cazorla, passa para Ramsey, que tenta o remate mas a bola fica em Giroud que marca.

8. Basculação, mais uma vez: Cazorla na contenção e Rosicky perto de Ramsey, depois o contrário.

9. Outra saída de bola, esta mais dinâmica. A bola passa pelos 3 médios: Primeiro Ramsey e Rosicky baixaram, a bola entra em Ramsey (mais central), passa para Rosicky que dá em Sagna. Neste momento, Cazorla baixou e, ao mesmo tempo, Ramsey e Cazorla sobem. Cazorla tranquilo na posição mais recuada do meio-campo a organizar o jogo.