quarta-feira, 5 de junho de 2013

Toulon 2013 - Portugal, Bélgica, França, Coreia do Sul e Brasil

Portugal

A jogar num tradicional 4-3-3, em dinâmica tem várias formas, principalmente o 4-2-3-1. Defensivamente, muitas referências individuais. Pode ser pelo pouco tempo de trabalho ou preferência do treinador. Até ao Mundial Sub-20 (começa a 21 de Junho) isso deve ficar bem esclarecido e treinado.
Ofensivamente, é um alívio ver os melhores jogadores serem os médios, o que obriga a passar a bola por essa zona (ao contrário do que acontece na selecção principal). Tozé é um "10" criativo, excelente tecnicamente e de remate fácil e João Mário é inteligente e fantástico no passe, joga como "8" ou como "6" em duplo pivô. Ricardo Alves jogou como pivô defensivo, mas é essencialmente um médio de transição. Agostinho Cá integrará a equipa nos próximos dias e deverá ser o titular na posição "6". No banco, André Gomes e Tiago Silva são garantia de qualidade no meio-campo

Portugal (vs Bélgica)

Bélgica

Tem imensos talentos jovens de alto valor na alta roda do futebol, mas esta selecção sub-20, apesar de alguns talentos, ainda não tem capacidade de competir com as maiores forças nestes escalões (perdeu 2-1 com o Brasil e 2-0 com Portugal). Malanda é um "6" posicional, já com muita rodagem na 1a Liga Belga (titular indiscutível na surpresa deste ano, Zulte-Waregem), Praet tem pormenores de qualidade como "10" a jogar solto, caindo muitas vezes nas alas. Ferreira-Carrasco vai ter uma época difícil depois de uma época a titular no Mónaco, deverá ser difícil continuar o bom trabalho (27 jogos, 6 golos, 6 assistências). Joga preferencialmente na ala, mas também pode jogar como "10". Bakkali entrou cheio de energia contra Portugal e mostrou pormenores interessantes. Na ala esquerda será difícil entrar, mas o concorrente directo para a ala direita não parece ser de nível muito alto. De notar que Bakkali é de 96 e grande parte dos jogadores deste torneio são de 92 e 93.

Bélgica (vs Portugal)

França

Apresenta-se num 4-3-3 com posições pouco fixas (dinamicamente transforma-se muito). Fisicamente é muito forte, principalmente na velocidade de passada, mas tecnicamente não achei muito interessante. Eysseric é o organizador de jogo e parece o mais desenvolvido tecnica e tacticamente. Coeff impressiona pela qualidade com bola. Central de grande futuro. Gilbert Imbula é parecido com Malanda, trinco físico e posicional, cai muitas vezes no meio dos centrais, avançando os laterais Sidibé e Traoré. Entre Imbula e Eysseric vagueia Mendy. Jogador interessante com futuro indefinido (não deve ficar no Mónaco).

França (vs Coreia do Sul)

Coreia do Sul

Um dos adversários de Portugal no Mundial Sub-20 (com Nigéria e Cuba). Joga em 4-4-2, com um dos avançados com muita liberdade de movimentos. É o número 7, Ryu Seungwoo. Só vi 1 jogo desta equipa, mas pareceu-me o melhor jogador. Bom tecnicamente e inteligente. Além disso, ajuda muito defensivamente (quando a equipa adversária se aproximava da área era normal vê-lo junto do lateral e do extremo ou perto dos 2 médios centro). Acima de tudo, a equipa vale pelo conjunto e pela sua organização. Das equipas que tive oportunidade de ver, é de longe a mais organizada.

Coreia do Sul (vs França)

Brasil

Uma equipa à sua imagem. Técnica, técnica, técnica e pouco mais. Mas a qualidade é tanta que deve chegar para um lugar na Final e até para vencer a competição. Os 2 centrais são bons, especialmente Dória (já elogiado neste blogue, o outro é Wallace). Douglas Santos e Tinga são a imagem de um Brasil à procura de novos Cafús e Roberto Carlos. Não são maus, mas estão longe da qualidade do típico lateral brasileiro. No meio-campo, Matheus Biteco é o pivô defensivo. Corta e passa. Acabou o jogo como lateral direito. À sua frente, um dos jogadores mais interessantes da equipa: João Schmidt. Ao estilo de João Mário, é ele quem organiza o jogo e faz a ligação defesa-ataque. Segue-se Danilo. Começou como segundo avançado, acabou como médio centro. Parece capaz tacticamente, mas era preciso mais tempo para tirar a prova. Na ala direita joga Mamute. Faz lembrar Hulk na potência de corrida, mas parece mais ágil. Depois, Ademilson e Vinicius Araújo. São ambos avançados centro, mas Ademilson acabou por jogar mais encostado na esquerda. Têm muito golo nos pés e certamente grande futuro à sua frente. Por fim, falta falar de Rafinha. A qualidade é indiscutível e só uma chegada tardia à selecção (compromissos com a equipa) o impediu de fazer os primeiros jogos. Seria interessante ver se há alteração no estilo de jogo com a entrada de um jogador.

Brasil (vs Portugal)

6 comentários:

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    1. Tu não? Não é um jogador feito, mas acho que tem potencial para ter lugar no onze do Porto.

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  2. Respostas
    1. Porquê?
      Já o tinha visto a jogar várias vezes e posso ter uma opinião "deformada" por isso. Sei o que ele pode fazer e vejo o jogo dele nesse perspectiva em vez de o analisar como caso único. Não sei...

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  3. Ahhh, pois assim é diferente.
    Não gostei, porque, comparando com o João Mário, o perfil de decisão dele pareceu mau. Ou seja, não concordei com mais de metade das decisões que tomou. E para um médio, isso é desencorajador. A única coisa que achei que ele tem de bom são mesmo os remates.

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    1. Isso também pode ter que ver com comportamentos coletivos (da equipa). Mas estou de acordo contigo em relação ao João Mário. A decidir é bem melhor. O Tozé joga muitas vezes a "10" e isso faz com que arrisque mais os passes. Acho que competição a sério ia moldá-lo. Tal como aconteceu com o Josué, por exemplo. Vai ser difícil incluí-lo no plantel do Porto. Com o perfil dele já foram contratados 2 jogadores (Carlos Eduardo e Josué) e normalmente dá-se primazia aos contratados. Mas podia e devia ficar na 1a liga numa equipa com um bom treinador (Rio Ave ou Estoril, por exemplo).

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